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Fotos: Daniel de Cerqueira |
128 produções
Nem mesmo as chuvas abundantes tiraram o fôlego da 13ª Mostra de Cinema de Tiradentes, que movimentou a cidade de 22 a 30 de janeiro. Artistas, cineastas, produtores e críticos participaram de debates e exibições, que neste ano teve como tema Paradoxos do Contemporâneo, Contemporâneo em Movimento e Diversidade em Produção. O cearense Karim Ainouz, diretor de O Céu de Suely (2007) e Madame Satã (2002) – produção que projetou o ator Lázaro Ramos –, foi o grande homenageado do festival. O filme Viajo porque Preciso, volto Porque te Amo, dirigido por Karim, abriu o festival. Quem conferiu toda a temporada assistiu a 128 produções nacionais entre médias, curtas e longas metragens que, como é característico da mostra, privilegiaram a diversidade de temas, gêneros e estilos. Uma verdadeira epopéia nas telas. A repórter Raquel Ayres foi conferir a mostra na cidade. Veja a seguir:
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Diretor Calouro
“Ao ver a Mostra de Tiradentes fico convencido de que é possível fazer mais umas 500 destas pelo país”, afirma o ator Marco Ricca, que estreou na direção com o longa Cabeça a Prêmio, baseado no livro homônimo de Marçal Aquino. Ricca destaca que o agrada o fato de não haver julgamento sobre melhor ou pior filme, e sim um público quente e crítico, que vai assistir a uma determinada obra. “Se as pessoas gostaram ou não pouco importa, mas estar num lugar histórico onde tudo converge para o cinema já é sair premiado”, avalia o diretor/ator.
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Reinvenção de Karim
Utopia, pensar que existe um lugar melhor, que gera sonho, pois obviamente o mundo é um local esquisito, mas também incrível. Se incrível é bom ou ruim – vai saber –, mas este é o deslocamento que o cineasta Karim Ainouz propõe por meio do cinema, na expectativa da novidade e da reinvenção da vida. Seu próximo filme, Praia do Futuro, será rodado a partir de março, entre Brasil (Fortaleza) e Berlim para contar a viagem empreendida pelo jovem que cruza o Atlântico numa jornada amorosa. “Vivemos um momento bonito. Por meio do cinema é possível mapear a diversidade do Brasil. Estamos conquistando liberdade”, diz Ainouz. O cineasta acredita que questões futuras relacionam-se como o cinema será consumido, inclusive em relação às tecnologias. “Serão filmes de celular, não haverá mais plano geral?”
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Personagem Real
Uma interpretação que é quase a não-interpretação. Assim a atriz de O Céu de Suely, Hermila Guedes, define seu principal desafio atualmente na carreira. “Mostrar uma verdade, ser sempre mais sincera”, diz. Segundo Hermila, acreditar na personagem é o essencial. “Fiquei impregnada por ela durante muito tempo”, revela a atriz a respeito do último trabalho.
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Luz em Lázaro
“Este é um tema tão sofisticado que a primeira vez que me perguntaram sobre nem respondi”, afirma Lázaro Ramos, ao referir-se à Mostra, onde esteve presente com a finalidade não só de homenagear Karim Ainouz, mas também gravar com ele entrevista para seu programa no Canal Brasil. “Temos um personagem símbolo que abriu portas para ele e eu. Sou grato por ter investido em mim quando ninguém me conhecia.” Para o ator, o que o une ao cinema de Anouz é a reflexão sobre o que somos, olhar o ser humano de maneira útil. “Acredito que os temas mais urgentes de hoje não estão nos livros, mas são as histórias não oficiais, para entender o que somos.”
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Animação
Dois anos de trabalho e mais de mil desenhos em papel sulfite resultaram em 10 minutos de animação: Libertas, do artista plástico Jackson Abacatu, 27 anos, em que um pardal vai pousar na janela de um periquito engaiolado. Qual o diálogo possível entre ambos? Se um está livre e o outro solto, como podem se ajudar? Ao público abrem-se novas perspectivas: um apartamento também pode ser uma prisão? Quais grades o mundo nos impõe? A trilha sonora também é de Abacatu, que recebeu, ano passado, prêmio na Mostra Minas com Libertas.
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Tal e qual Cannes
Membro do comitê selecionador da Semana da Crítica de Cannes, Fabien Gaffez afirma que encontrou semelhanças comportamentais e conceituais com a Mostra de Tiradentes; que a exemplo do que acontece em Cannes, aposta também em novos diretores. “Senti que aqui existe verdadeiro trabalho de defesa do diretor e equipe do filme, de comprar aquela ideia e justificar tal escolha.” Para Gafezz, neste momento de globalização, onde há o medo de que tudo se transforme em massa única, o cinema entra como componente da identidade de um povo, pois permite a individualidade do olhar. Apesar de conhecer o Cinema Novo, Gaffez admite que pouco conhecia do cinema nacional. “A Mostra é oportunidade de conhecer o novo cinema novo.”
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Fotos: Divulgação |
Trampolim Social
Da infância simples no bairro São Geraldo, em Belo Horizonte, até o picadeiro do Cirque du Soleil, uma das maiores companhias circenses do planeta. Esse foi o caminho trilhado pelo malabarista Kleber Conrado Berto, 26 anos. A história começou em 2003, quando ele estudava na ONG Circo de Todo Mundo, que assistia adolescentes em risco de criminalidade, e fez teste na companhia canadense. Resultado: foi aprovado entre 350 concorrentes para integrar a trupe. Kleber arrumou as malas para Montreal, no Canadá, onde passou por treinamentos. E, até o fim do ano passado, era uma das estrelas dos shows do Cirque du Soleil no Cassino MGM, em Las Vagas. Mas depois das férias em Belo Horizonte, viaja para Paris, onde passa a fazer parte da trupe do La Plume e Moulin Rouge. Lá,casou-se com a dançarina francesa Ornella. “Quando venho ao Brasil, dou palestras para crianças e adolescentes carentes. A arte pode ser grande trampolim para mudar a vida”, diz.
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Amor original
O mineiro Pedro Rafael lança neste ano o primeiro CD Viva como Queira, que reúne 17 composições próprias, com ritmos que vão do samba ao pop rock. Mas não procure nas lojas disco de Pedro Rafael, pois não irá encontrar. O rapaz adotou o nome artístico Yokandesh. A palavra significa “amor original que une a tribo para o mesmo objetivo.” O nome surgiu após viagem à Europa, onde se envolveu com a organização Condor Blanco, que propõe desenvolver prosperidade, felicidade, cultura e liberdade na vida dos homens. “Após um tempo de trabalho numa reserva ecológica do Chile com integrantes da Condor, ganhamos apelidos. No meu caso, o Yokandesh, aproveitei para usar como nome artístico”, diz o músico.
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Divulgação |
De fã a vocalista
Ela era fã da banda belo-horizontina Alarido, sabia todas as músicas de cor. Ficou sabendo que precisavam de uma vocalista. Mesmo sem nunca ter cantado, foi aprovada no teste. Hoje, Andrea integra a nova banda do grupo: a Odilara, que toca nos bares da capital. Além de músicas de autoria própria, a banda traz no repertório clássicos de grandes nomes da música popular brasileira, como Noel Rosa e Chico Buarque. Quem escuta a afinação e vê a presença de palco de Andrea imagina que passou por várias escolas de formação. “Ao contrário de muitas cantoras, só agora estou estudando música”, conta Andrea, que tem a arte no sangue. “Meu pai é violeiro e minhas tias cantam em festas de família, mas nunca imaginei em subir em um palco”, diz. A música, além da profissão, rendeu outros frutos. Há dez anos, ela namora Eurípedes Neto, integrante da banda. Os dois estão de casamento marcado. Os fãs aguardam o lançamento do primeiro CD do Odilara, previsto para abril.
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Foto: Tião Mourão |
Alta tecnologia
Viajar com bagagem segura é a preocupação da maioria dos turistas. De olho nesse nicho, a Pado, líder do mercado nacional de cadeados e fechaduras de alto padrão, acaba de colocar no mercado novidade que promete agradar em cheio aos viajantes mais cautelosos. Já se encontram à venda os cadeados com segredo TSA (Transportation Security Administration). A diferença entre este e os já existentes é o fato de o cadeado possuir chave-mestra para os segredos de todos os modelos, permitindo que agentes da TSA, da alfândega ou até mesmo funcionários de companhias aéreas inspecionem, quando necessário, e tranquem a bagagem sem danificar o cadeado e a mala. Comandada pelo empresário Alfons Gardemann e com unidade fabril em Cambe, no Paraná, a Pado é a única empresa na América Latina a oferecer aos consumidores o cadeado com segredo TSA.
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Foto: Daniel de Cerqueira |
Joias de Iris
Uma coleção conceitual, exótica, sem referência minimalista. Assim a designer Íris Chaves define as nove peças elaboradas sob encomenda para a Très Jolie. O desafio inicial, resultado da parceria da joalheria com a construtora Lider Cyrela, transformou-se em estímulo para Íris, que pela primeira vez assina várias peças de uma vez. Intitulada Olympus, a coleção é inspirada nas torres do condomínio homônimo que levam nomes de deuses da mitologia grega, no Vale do Sereno, em Nova Lima. As peças foram confeccionadas em ouro branco, amarelo, diamantes e pedras brasileiras. “Sou uma criadora de ideias”, define-se Íris, formada em programação visual, atuante como consultora de moda, estilista de adereços para cabeça e recém-formada em design de joias. Agora, ela pretende investir também no estudo e pesquisa do desenho de móveis, vestuário e objetos. O próximo plano é uma nova oficina de produção de joias de Fátima Cavaliere e curso de design em Paris. “Prefiro o estilo atemporal, clássico, que possa perdurar para gerações”, diz Íris, em meio à fase de maturidade que começa a viver aos 42 anos.
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Divulgação |
Lingerie nova
Proprietária da rede Jogê, há 41 anos no mercado de lingerie, a estilista Ângela Coelho Fonseca inaugura, no dia 23 de fevereiro, a primeira loja em Belo Horizonte. A marca foi criada em 1968 e pouco depois nascia a primeira loja Jogê no shopping Iguatemi em São Paulo. Hoje, a rede conta com 500 colaboradores, três fábricas próprias, 40 lojas, seis franquias e 162 pontos de venda, homologados para revender a marca em todo o Brasil. As expectativas de Ângela são das mais otimistas com o mercado belo-horizontino. A loja funcionará no shopping Pátio Savassi.
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Helvio Romero/Agência Estado/AE |
Gestão de destaque
Tendo o doutor em Economia pela Universidade de Cornell (EUA), Luciano Coutinho, à frente da instituição financeira desde 2007, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) bateu recordes em cima de recordes em 2009. No ano passado, o banco atingiu o maior volume de desembolsos de sua história: 137,3 bilhões de reais, aumento de 49% sobre o ano anterior. Os maiores volumes de liberações foram para o setor da indústria, que chegaram a 60,1 bilhões, registrando elevação de 54% comparando com 2008. Já os desembolsos para a infraestrutura aumentaram 32%, totalizando 46,5 bilhões de reais. Outro dado relevante na gestão frente ao BNDES do pernambucano Luciano Coutinho foi a atuação do banco nos financiamentos à exportação e capital de giro, quando houve retração de crédito no mercado, principalmente no quarto trimestre de 2008.
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