Sexta, 10 de Fevereiro de 2012
Logo Revista Viver Brasil - Assim é viver
 

Artigo

Chile: democracia e demografia

Um observador atento vê que, à medida que o tempo passa, a participação relativa dos jovens nascidos após a ditadura vem aumentando na população chilena

Texto: Paulo Paiva
Envie seu comentário
Paulo Paiva -

A população chilena escolheu o seu quinto presidente da República desde a redemocratização do país, ocorrida no final da década de 80. O eleito foi Sebastián Piñeda que, há cinco anos, havia sido derrotado pela atual presidente Michelle Bachelet. O resultado pareceu surpresa para muitos, posto que a coligação de  centro-esquerda, denominada Concertación, havia ganho todos os pleitos anteriores e Bachelet ostentava a aprovação de mais de 80% da população chilena. Piñeda rompeu a hegemonia de 20 anos da coligação liderada pelo Partido Democrata Cristão e pelo Partido Socialista.

A primeira interpretação para a derrota do candidato governista é imputá-la à ruptura da aliança de centro-esquerda. De fato, Enrique-Ominami, que obteve 20% dos votos no primeiro turno, é uma dissidência do Partido Socialista, e Jorge Arrate, ministro do Trabalho de Frei no seu governo anterior e atingiu 6% dos votos, foi candidato da aliança de esquerda liderada pelo Partido Comunista. Por hipótese, se esses 26% dos votos tivessem se somado aos 29,6% de Eduardo Frei, candidato da Concertación, este teria conseguido 55% dos votos no primeiro turno, vencendo então as eleições.

Contudo, não foi isso que aconteceu. No segundo turno Piñeda obteve 52% e Frei 48%. O total de eleitores foi aproximadamente o mesmo: 6.938 mil no primeiro e 6.943 mil no segundo turno. Considerando, o que me parece razoável, que todos que votaram no primeiro turno retornaram às urnas no segundo e quem votou em Piñeda e em Frei o fez nos dois turnos, verifica-se que dos votos dados aos dois candidatos de esquerda derrotados no primeiro turno (Enrique-Ominami e Arrate), 29% foram para Piñeda, no segundo turno. Assim, parece-me que a baixa votação obtida por Frei no primeiro turno não foi apenas resultado da ruptura da aliança de centro-esquerda. Outras motivações podem ter levado os eleitores chilenos a procurar outras opções.

Vale a pena observar a tendência das votações passadas. Em 1989, primeira eleição pós-ditadura, Patrício Aylwin, da Concertación, foi eleito no primeiro turno com 55% dos votos. Cinco anos depois, Eduardo Frei foi eleito também no primeiro turno com 58% dos votos. A seguir, Ricardo Lagos obteve 48% e Michele Bachelet, 45% dos votos, ambos não se elegeram no primeiro turno. Agora, Frei não atingiu 30%. Desde o início da década de 90 os candidatos da aliança de centro-esquerda vêm perdendo apoio popular.

Um observador atento vê que, à medida que o tempo passa, a participação relativa dos jovens nascidos após a ditadura vai aumentando. Atualmente, o segmento com idade entre 20 e 29 anos representa 21% da população chilena. Para esses novos eleitores, os embates que marcaram o Chile entre as décadas de 70 e 80 estão distantes. É provável que na hora de decidir o voto, as perspectivas sobre o futuro do país se sobreponham às reminiscências de um passado cada vez mais longínquo. O conflito ideológico perde força para questões como eficiência e qualidade da gestão pública. Enfim a democracia já está consolidada. O futuro importa mais do que o passado. São as novas gerações impondo novos rumos àquele país, sem se preocupar com rótulos ou carimbos gastos pelo tempo.

 
Compartilhe:    Bookmark com Delicious Bookmark com Delicious  Bookmark com Digg  Bookmark com Facebook  Bookmark com /.   Bookmark com Google  Bookmark com StumbleUpon   Bookmark com Technorati  Bookmark com Linkarena  Bookmark com Yahoo  Bookmark com SEOigg  Bookmark com Spurl  Bookmark com Live  Bookmark com Rec6  Bookmark com Myspace
Versão para Impressão  Versão Impressão    Assinar NewsletterNews:    

Busca no Portal

 
  

Blog do PCO
Assinatura Anual

© Copyright 2009, Revista Viver Brasil – MG-030, nº 8625. Torre2 – Shopping Serena Mall – Vale do Sereno.
Cidade: Nova Lima – MG / CEP:34000-000 | Telefone: (31) 3503-8888