Sexta, 03 de Setembro de 2010
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CIDADE ADMINISTRATIVA

Bela Cidade

Nova sede administrativa do governo de Minas começa a funcionar, em pouco mais de dois anos de obras,e já se revela como novo cartão-postal da capital mineira

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Capa da edição especial da Revista Viver Brasil
     

Carta do Editor

Quando o governador Aécio Neves lançou a pedra fundamental do Centro Administrativo – que passou a chamar Cidade Administrativa – há dois anos com a presença do arquiteto Oscar Niemeyer, autor do projeto, e praticamente todo o primeiro escalão do seu governo, muita gente duvidou que a obra seria entregue no prazo. Aécio anunciou que iria despachar na Cidade Administrativa como governador do estado. E a promessa, como praticamente todas as outras que anunciou, está sendo cumprida. O presidente da Codemig, Oswaldo Borges da Costa Filho, que antes do governo nunca tinha participado da administração pública, foi incansável  no comando da obra entregue à sua responsabilidade. Ressalte-se que os consórcios responsáveis pela construção – Andrade Gutierrez, Via Engenharia e Barbosa Mello, Norberto Odebrecht, Queiroz Galvão e OAS e Camargo Corrêa, Mendes Júnior e Santa Bárbara Engenharia – trabalharam ininterruptamente para entregar a obra no prazo. É um marco do governo Aécio Neves que despertou interesse em todo o Brasil. Vários governos estaduais mandaram emissários aqui para conhecer de perto a maior obra da construção civil que se fazia no país. Durante esses dois anos quem passava pela Linha Verde – outra obra que Aécio entregou ao povo mineiro – assistiu à construção da Cidade Administrativa. Até março, quando Aécio deixará o governo, algumas secretarias já terão mudado, mas toda a complexidade da mudança ficará para o governador a partir de abril, Antonio Augusto Anastasia. A opinião é que tem que fazer toda a mudança – apesar de algumas resistências – até setembro para que não corra o risco de ninguém ficar para trás. No entanto, quem chega lá, apesar da distância, tem vontade de mudar imediatamente. A revista Viver Brasil editou um suplemento sobre a Cidade Administrativa em julho de 2009, um trabalho que foi dos mais elogiados. Agora, quando o governador Aécio Neves inaugura este marco do seu governo, a Viver Brasil entrega este suplemento que mostra a realidade da Cidade Administrativa.

Por Gustavo César de Oliveira
Diretor
gco@revistaviverbrasil.com.br

Pedro Paulo da Luz
Pedro Paulo da Luz

Nasce uma cidade

Nova sede administrativa do governo começa a funcionar este mês de janeiro e mudança das secretarias acontece de forma gradual até outubro

Elisângela Orlando

Nasce a mais nova cidade de Minas Gerais. Este mês, cerca de dois mil servidores começam a trabalhar no novo complexo que vai abrigar toda a máquina administrativa do governo do estado. Governadoria, Vice-Governadoria, Gabinete Militar do Governador (GMG), Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag) e Secretaria de Estado de Governo (Segov) são os primeiros órgãos a se mudar para a Cidade Administrativa (CA). Os demais serão transferidos ao longo de 2010, até o mês de outubro. Ao final, quarenta e três órgãos e entidades – o correspondente a 16 mil servidores – vão ocupar a nova sede da administração estadual.

O projeto da Cidade Administrativa é do arquiteto Oscar Niemeyer. O terreno de 804 mil m2 fica na região Norte da capital. A área construída é de 265 mil m2 e inclui dois prédios de 15 andares (Minas e Gerais), que abrigarão as secretarias, o Palácio do Governo, auditório com capacidade para 500 pessoas e o centro de convivência, que funcionará como uma espécie de shopping center, com lojas de conveniência, restaurantes e bancos. O valor total da obra contratada é de 948 milhões de reais. Os recursos são da Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemig).

Renata Vilhena, de mudança pronta: alimentação e transporte para servidor (foto: Pedro Vilela)
Renata Vilhena, de mudança pronta: alimentação e transporte para servidor (foto: Pedro Vilela)

A migração para o complexo respeita uma escala feita com o objetivo de proporcionar maior interação administrativa entre as diversas secretarias e órgãos do governo. O atendimento à população, entretanto, continua a ser feito na região central de Belo Horizonte. Nessa primeira etapa, 2.170 vagas de estacionamento foram destinadas aos servidores. A partir de 2011, serão mais 560. O local ainda tem espaço para outros 280 veículos de visitantes.

Parte do sistema de alimentação também já está concluída. De acordo com a secretária de Estado de Planejamento e Gestão de Minas Gerais (Seplag), Renata Vilhena, levantamento feito pela Seplag em março de 2009 constatou que 35% dos servidores levam refeições de casa. Com base nessa pesquisa, foram instalados dois refeitórios por andar nos prédios das secretarias, purificadores de água, balcões refrigerados, fornos micro-ondas, máquinas de bebidas geladas e de lanches rápidos e também de bebidas quentes com distribuição gratuita de café. Essa infraestrutura já pode ser usada a partir deste mês.

Aécio Neves, na obra: 265 mil m² de área construída (divulgação)
Aécio Neves, na obra: 265 mil m² de área construída (divulgação)

A Cidade Administrativa também tem diversas opções para os servidores que possuem o hábito de comer fora de casa. No primeiro andar do Centro de Convivência há um restaurante com dois espaços. Um serve refeição a 15 reais o quilo e o outro tem consumo livre e preço único de 18 reais.

Renata Vilhena ressalta que o objetivo é garantir preço, variedade e comodidade para todos os funcionários. Segundo ela, o preço de 15 reais por quilo corresponde a um gasto médio de oito reais por refeição, o que é compatível com o custo por almoço informado pelos servidores no estudo. Em etapa posterior, também haverá áreas de alimentação no térreo do Centro de Convivência e no 9º andar dos prédios Minas e Gerais.

Centro de convivência: lojas, restaurantes e bancos (imagem: divulgação Governo de Minas)
Centro de convivência: lojas, restaurantes e bancos (imagem: divulgação Governo de Minas)
Além da alimentação, outra preocupação do estado com a mudança para a Cidade Administrativa foi garantir o deslocamento dos servidores até o local sem aumentar o gasto corrente com transporte. A secretária de Estado de Planejamento e Gestão assinala que, para isso, foi criado um projeto de logística diferenciado que tem como linha mestra o trem metropolitano. Ela explica que, para o servidor que utiliza o metrô como principal meio de condução, o estado criou um sistema de fretamento gratuito entre a estação Vilarinho e a Cidade Administrativa que funciona nos dias úteis de 7 às 20 horas. Veículos do tipo articulado, com capacidade para mais de 120 pessoas, fazem o trajeto Vilarinho-Cidade Administrativa. Ao longo do ano, mais ônibus serão incluídos na operação.

CRONOGRAMA DE TRANSFERÊNCIAS (2010)

JANEIRO

  • Palácio
  • Secretaria de Governo (Segov) 
  • Gabinete Militar do Governador (GMG) 
  • Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag)

FEVEREIRO

  • Sistema Estadual de Meio Ambiente (Sisema)

MARÇO

  • Instituto de Previdência dos Servidores do Estado de Minas Gerais (Ipsemg)
  • Instituto de Desenvolvimento Integrado de Minas Gerais (Indi) 
  • Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede)
  • Polícia Civil do Estado de Minas Gerais (PCMG)

ABRIL

  • Polícia Militar do Estado de Minas Gerais (PMMG)
  • Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Seds)
  • Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG)

MAIO

  • Secretaria de Estado de Cultura do Estado de Minas Gerais (SEC)
  • Secretaria de Estado da Fazenda (SEF)
  • Minas Gerais Participações S/A (MGI)

JUNHO

  • Secretaria de Estado de Transporte e Obras Públicas (Setop)
  • Secretaria de Estado de Obras Públicas (Seop) 
  • Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER) 
  • Secretaria de Estado Extraordinária para o Desenvolvimento dos Vales do Jequitinhonha, do Mucuri e do Norte de Minas e Instituto de Desenvolvimento no Norte e Nordeste de Minas Gerais (Sedvan/Idene)
  • Secretaria de Estado Extraordinária para Assuntos de Reforma Agrária (Seara)
  • Instituto de Terras do Estado de Minas Gerais (Iter)

JULHO

  • Secretaria de Estado de Educação (SEE) 
  • Loteria Mineira (Lemg)
  • Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Sectes)
  • Instituto de Geociências Aplicadas de Minas Gerais (IGA)
  • Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes)
  • Instituto Mineiro de Agropecuária ( IMA)
  • Ruralminas

AGOSTO

  • Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa)
  • Secretaria de Estado da Saúde (SES)

SETEMBRO

  • Advocacia Geral do Estado de Minas Gerais (AGE)
  • Auditoria Geral do Estado de Minas Gerais (Auge)
  • Ouvidoria Geral do Estado de Minas Gerais (OGE)
  • Secretaria de Estado de Esportes e da Juventude (Seej)
  • Fundação Educacional Caio Martins (Fucam)
  • Secretaria de Estado de Turismo (Setur)

OUTUBRO

  • Companhia de Tecnologia da Informação do Estado de Minas Gerais (Prodemge)
  • Secretaria de Estado de Desenvolvimento Regional e Política Urbana (Sedru)
  • Departamento Estadual de Telecomunicações (Detel)
  • Companhia de Habitação do Estado de Minas Gerais (Cohab)
  • Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese)

O sistema de transporte também lança mão da integração entre metrô e ônibus urbanos, sendo que o desenho da malha foi elaborado de forma que seja necessária uma única troca de veículo ou modal de transporte para chegar à nova sede. “Essa premissa é importante, pois faz com que o custo total do deslocamento fique mais barato, já que a conexão existente em Belo Horizonte prevê que, a cada dois trechos, o usuário tem 50% de desconto na tarifa”, destaca Renata Vilhena.

Sete novas linhas de ônibus municipais foram criadas pela BHTrans para atender o trajeto. Uma delas, que parte da Savassi e percorre o corredor da Antônio Carlos e a região central de BH, é equipada com ar-condicionado. À medida que a transferência for feita, três linhas que já realizam o trajeto serão reforçadas. Hoje, cerca de 1,1 mil ônibus fazem essa rota pela manhã e 1,7 mil no horário de maior fluxo à tarde.

O estado firmou ainda um convênio com a BHTrans para que o crachá de acesso à Cidade Administrativa funcione como um cartão BHbus de maneira que todo usuário do sistema de transporte coletivo do município possa se beneficiar das políticas de integração que o sistema já oferece. Já a Secretaria de Transporte e Obras Públicas (Setop) vai disponibilizar 21 linhas intermunicipais, sendo 15 já existentes e seis novos trechos criados com a finalidade de facilitar o deslocamento dos servidores até o complexo.

Escola Estadual Getúlio Vargas: reforma (foto: Pedro Vilela)
Escola Estadual Getúlio Vargas: reforma (foto: Pedro Vilela)

O ENTORNO

  • Mais de 60 escolas estaduais localizadas no entorno da Cidade Administrativa foram reformadas e incrementadas com quadras poliesportivas e laboratórios de informática com internet em banda larga
  • Duas Unidades de Pronto-Atendimento (UPA) foram construídas na região, assim como o batalhão da Polícia Militar de Ribeirão das Neves e a Área Integrada de Segurança Pública (Aisp)
  • O Hospital de pronto-socorro Risoleta Neves foi revitalizado
  • A Cidade Administrativa também é uma alternativa de entretenimento e cultura para a população de Minas, principalmente para quem mora na região Norte da capital. Suas ruas de passeio, a praça cívica, a ciclovia e a biblioteca são instalações que estarão disponíveis para as comunidades de Venda Nova, Santa Luzia e Vespasiano

INFRAESTRUTURA

A primeira e a última etapa a ser realizada na construção da Cidade Administrativa:

  • Terraplenagem aterros: 500 mil m2
  • Terraplenagem escavação: 750 mil m2
  • Drenagem pluvial: 7 mil metros
  • Pavimentação: 180 mil m2
  • Cabeamento estruturado: mais de 35 mil metros
  • Revestimento em grama: 130 mil m2
  • Árvores diversas: 40 mil
Auditório: capacidade Auditório: capacidade para 500 pessoas (foto: Pedro Vilela)
Auditório: capacidade Auditório: capacidade para 500 pessoas (foto: Pedro Vilela)

Mais um sinal de que a Cidade Administrativa está a todo vapor é que todos os móveis, equipamentos e serviços essenciais para o início das atividades já foram contratados por meio de 25 processos licitatórios conduzidos pela Seplag. No total são aproximadamente 59 mil itens, que serão fornecidos por 13 empresas. O contrato garante, além do fornecimento e da instalação completa do mobiliário, a prestação do serviço de garantia e assistência técnica por cinco anos. Ainda estão previstas cerca de 10 licitações que não precisam estar contratadas nessa fase de operação. Dentre elas estão os serviços de manutenção de sistema de detecção e combate a incêndio e os equipamentos de multimídia para as salas de reunião do 9º andar, que só estará disponível adiante.

E não são apenas os sistemas de alimentação e transporte que seguem o padrão de grandes empresas de porte internacional. A tecnologia utilizada na nova sede administrativa do governo de Minas também é de ponta, com rede digital única integrando internet, telefonia, câmeras de segurança e controle de acesso. Essa rede também será utilizada pelas 20 salas de videoconferência existentes no complexo, que atuarão como canais mais econômicos de comunicação externa. Todos os prédios têm pontos de acesso sem fio à rede e podem ser utilizados por visitantes em um canal de dados isolado, de forma a não comprometer a segurança de informação dos órgãos e entidades.

A concepção das edificações também é inovadora. Dentre as diversas novidades estão as fachadas com vidro duplo e persiana interna, que proporcionam redução do consumo de energia, e uso de sensores fotossensíveis para iluminação. Outro destaque são os elevadores inteligentes, em que o usuário pode indicar o andar ainda fora do veículo, cabendo ao sistema determinar qual deles irá ao andar selecionado.

Secretaria de Planejamento: a primeira a se instalar na CA (foto: Pedro Vilela)
Secretaria de Planejamento: a primeira a se instalar na CA (foto: Pedro Vilela)

E não são apenas os funcionários públicos do estado que estão desfrutando de melhorias com a transferência para a Cidade Administrativa. A mudança também implicou um investimento de 21 milhões de reais no entorno destinado à reforma de escolas, postos de saúde, iluminação pública, de campos esportivos, além da criação de um centro comunitário.

A secretária de estado Renata Vilhena pontua que ainda estão previstas obras para a recuperação de vias em Morro Alto, São Benedito, Vespasiano, Serra Verde e Santa Luzia, o que totaliza mais de 20 km de extensão. “A construção da Cidade Administrativa sintetiza o choque de gestão, utilizando conceitos como eficiência, eficácia e resultado e seguindo a diretriz de fazer o melhor por menos", conclui.

Divulgação Governo de Minas
Divulgação Governo de Minas

Economia de gastos

Cidade Administrativa vai reduzir em 85 milhões de reais por ano as despesas do governo com aluguel, telefone e transporte

Terezinha Moreira

A transferência de toda a estrutura do estado para a Cidade Administrativa gerará economia de 85 milhões de reais por ano aos cofres públicos. De acordo com o presidente da Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemig), Oswaldo Borges da Costa Filho, os 948 milhões de reais investidos na construção da Cidade Administrativa não estão saindo do orçamento do estado. Todos os recursos são próprios da Codemig. “Não se deixou de fazer nenhuma obra, nenhum hospital, nenhuma escola para investir na Cidade Administrativa. Todo o dinheiro é oriundo da Codemig, que independe de receitas do estado, pois tem receita própria, advinda, principalmente dos royalties minerais”, assegura o presidente da companhia. Com a mudança, o estado terá mais recursos para investir em saúde, segurança e executar obras. “Somente o tempo dará uma demonstração clara da economia e da funcionalidade que o estado terá com esta mudança”, completa.

Oswaldo da Costa Filho diz que, sempre que há uma grande mudança como a que vai ocorrer com o governo de Minas, há pessoas para reclamar e torcer para algo dar errado. Mas ele faz uma comparação da Cidade Administrativa com o Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins. Quando os voos foram transferidos da Pampulha para lá, houve críticas, reclamações, mas hoje as pessoas têm consciência de que a mudança era necessária. “Temos convicção de que com a Cidade Administrativa será exatamente igual. A hora em que estiver tudo prontinho, funcionando em uma estrutura moderna, prédios inteligentes, com tudo o que há de mais adequado para se prestar um bom serviço para o cidadão, todos vão achar maravilhoso, apesar da distância um pouco maior. As pessoas vão sentir mais conforto”, destaca o presidente da Codemig.

Oswaldo Borges: mudança vai gerar mais investimentos (foto: Daniel de Cerqueira)
Oswaldo Borges: mudança vai gerar mais investimentos (foto: Daniel de Cerqueira)

Ele diz que os contratos da obra vencerão em março do ano que vem, antes mesmo do fim da transferência da estrutura do estado para a Cidade Administrativa, que deve ser concluída em setembro de 2010. Com este calendário, as obras, que estarão nos andares de cima, não atrapalharão o funcionamento normal do Palácio do governo, nem de um dos prédios das secretarias, on­de será alojada, a partir de janeiro, a Secretaria de Estado de Pla­neja­mento e Gestão (Seplag). “As possíveis necessidades de correção de rumo acontecerão com quantidade menor de atores envolvidos no processo”, afirma o presidente da Codemig, que também explica que o planejamento da mudança foi feito para que a máquina administrativa do governo não tivesse seu andamento prejudicado e para evitar atropelos de logística para os 16 mil funcionários.

A construção da Cidade Administrativa na região Norte de BH é uma forma de o governo fazer sua parte para incentivar o desenvolvimento daquela região, que abrange, além da capital mineira, outros municípios da Região Metropolitana de Belo Horizonte. “Já tem gente falando em construir shopping e hotel nas proximidades. É uma nova fronteira que o governador Aécio percebeu que, com esta indução de transferir os voos para o aeroporto de Confins, construir a Linha Verde, que dá acesso àquela região e a Cidade Administrativa consolidaria a ação de governo e agora, é a iniciativa privada que vai cuidar do resto, que será gerar emprego e renda para o vetor norte”, analisa o presidente da Codemig. Ele diz que há projetos concretos para investimentos da iniciativa privada, mas que ainda não estão todos consolidados. “O setor privado espera primeiro as coisas acontecerem para depois decidir pelos investimentos.”

Aliás, os investimentos do governo no entorno da Cidade Administrativa já somaram mais de 20 milhões de reais. Foram e estão sendo feitas construção e reformas de escolas, praças esportivas, centros comunitários, um quartel de polícia e uma estrutura para o Corpo de Bombeiros, um túnel para melhorar o acesso à Cidade Administrativa, uma nova subestação de energia da Cemig. “A população do entorno foi e será muito beneficiada com esta estrutura nova que o estado está fazendo lá e acredito que o vetor norte será foco constante de investimentos do estado para dar melhor estrutura à região”, garante Oswaldo Filho.

Pavimento aberto das secretarias
Pavimento aberto das secretarias

Num só lugar

Perspectivas internas mostram um pouco da Cidade Administrativa de Minas Gerais, onde funcionarão todas as secretarias de governo

Considerada pelo renomado arquiteto Oscar Niemeyer sua grande obra, a Cidade Administrativa Tancredo Neves, será um marco para Minas Gerais sob vários aspectos. Um deles é o arquitetônico: a obra transformou-se em um grande referencial de Niemeyer. O local deverá receber cerca de 25 mil pessoas diariamente. Cinco prédios compõem o complexo da Cidade Administrativa: o palácio do governo, que será o maior vão livre do mundo em concreto suspenso, com 147 m; um auditório com capacidade para 500 pessoas, sendo dez lugares para cadeirantes; dois prédios que abrigarão todas as secretarias de governo, com 116,2 mil m2 de área construída e 30 elevadores, e um centro de convivência, construído entre as torres das secretarias, com dimensão de 7,5 mil m2.
Área interna do Palácio do Governo
Área interna do Palácio do Governo
Hall do Palácio do Governo
Hall do Palácio do Governo
Área interna do Centro de Convivência
Área interna do Centro de Convivência
Parte interna do auditório
Parte interna do auditório
Sala de espera do auditório
Sala de espera do auditório
Palácio do Governo: Maior vão livre do mundo
Palácio do Governo: Maior vão livre do mundo

Tempo recorde

Os três consórcios responsáveis pelas obras na Cidade Administrativa falam dos segredos de como erguer empreendimento gigantesco em prazos tão curtos

Construtora Camargo Corrêa

“A obra teve o seu desafio próprio e isso se deu, particularmente no Palácio do Governo em função do vão suspenso.” Com esta frase o superintendente regional da Camargo Corrêa em Minas Gerais, Eduardo de Camargo, define a participação da empresa que liderou o consórcio um na construção da Cidade Administrativa do governo de Minas. A empresa já tinha experiência com outros projetos do arquiteto Oscar Niemeyer, mas mesmo assim, encarou mais uma obra do arquiteto como grande desafio. “São obras que exigem apuro técnico significativo em sua execução, principalmente pela utilização farta de linhas curvas na estrutura, o que provoca execução de serviços e de mão-de-obra extremamente sofisticadas. Foi mais um grande desafio, já que os projetos de Niemeyer são únicos, não há repetição. Este, especialmente, por­que se tratou do maior vão livre suspenso do mundo em obras prediais. A técnica de execução foi exigente e refinada”, garante o executivo.
Para Eduardo de Camargo, esta obra, por sua importância prática para o cidadão e para a arquitetura representa o coroamento de sua vida profissional porque, tendo participado de grandes projetos, não teve oportunidade, em sua cidade natal, Belo Horizonte, de ter deixado uma marca tão forte e definitiva de seu trabalho como engenheiro. “Guardadas as devidas proporções, a Cidade Administrativa vai ter importância tão grande para os mineiros quanto Brasília teve para quem lá vivia na época de sua construção”, ressalta o superintendente regional da Camargo Corrêa.

Eduardo de Camargo: Obras que exigem apuro técnico
Eduardo de Camargo: Obras que exigem apuro técnico

Além da questão técnica, a obra da Cidade Administrativa também exigiu a utilização de tecnologia para garantir a qualidade da obra e sua construção no prazo determinado pelo contrato com as construtoras. No caso do heliponto, que ficou a cargo do consórcio um, a forma convencional do cilindro foi substituída por forma deslizante, que proporcionou ganho de velocidade na obra. As construtoras também utilizaram sistema de protensão estrutural, um de compressão do concreto de grande complexidade tendo sido executado no sentido transversal com bainhas e no sentido longitudinal com cabos engraxados. “Isso permitiu suspensão do prédio por meio de tirantes cuja carga total monta a 34 mil toneladas”, explica Eduardo de Camargo.

Outra obra executada pelo consórcio um foi o auditório, com capacidade para 500 pessoas, sendo dez cadeirantes. Para a concretagem da casca superior, em função da inclinação elevada, foi utilizada malha de aço especial que permitiu suprimento de uso de forma em dois lados simultaneamente. Tudo foi feito para ganho de tempo e de custos. “A casca do auditório, apesar de ser uma obra diferenciada, não teve o apelo de exigência técnica do Palácio do Governo, no qual tivemos de ter perícia e cuidados especiais para evitar surpresas desagradáveis no fim”, assevera o executivo da Camargo Corrêa. Segundo Eduardo de Camargo, nos últimos anos, os projetos vêm sendo concebidos e executados dentro de técnicas cada vez mais evoluídas, buscando economia, atendimento a prazos cada vez mais curtos e para dar condição de atendimento às necessidades técnicas do projeto.

Consórcio 1
Camargo Corrêa, Mendes Junior e Santa Bárbara Engenharia

Responsabilidades:
Construção do auditório, palácio do governo e infraestrutura (abertura de ruas, terraplenagem, conformação de terreno, drenagem, redes de águas pluviais e de esgoto e contenção de taludes).

Fernando Godim: tecnologia e logística
Fernando Godim: tecnologia e logística

Construtora Odebrecht

A Construtora Odebrecht, juntamente com a Queiroz Galvão e a OAS, é a responsável pela execução das obras do lote dois da Cidade Administrativa (CA), que consiste na construção das Secretarias Gerais, conforme foi denominado recentemente um dos prédios. A execução de fachada em alumínio e vidro com sistema unitizado, usado nas edificações mais modernas em construção no mundo é realizado pelo lote dois para construir um dos prédios que abrigará as secretarias de governo. “O sistema permite grande velocidade no processo construtivo, uma vez que todos os painéis são pré-fabricados, resumindo o processo in loco à simples instalação da fachada. Ela consiste em painel de vidro duplo insulado com persiana embutida, que será responsável pelo tratamento térmico e acústico do edifício, racionalizando gasto de energia e proporcionando conforto aos usuários”, destaca o diretor de contrato do consórcio CNO/OAS/QG, Fernando Victor Gondim Ribeiro.

Ele conta que foram utilizados para a execução das empenas, que constituem a fachada lateral do edifício, o concreto alto compactado, eliminando o uso de vibradores. O resultado final é que isto proporciona qualidade diferenciada à fachada, de maneira a atender ao rigor estético requerido pelo projeto arquitetônico de Oscar Niemeyer, além de agilizar a execução do serviço. “Isto somente é possível, graças ao trabalho de uma equipe formada por profissionais altamente competentes, dedicados, unidos num só objetivo, além da parceria de três empresas de grande porte e experiência no mercado da construção civil. Juntas elas buscaram disponibilizar todos os recursos necessários como equipamentos, tecnologia, logística para que a equipe cumpra os prazos com qualidade, segurança, responsabilidade social e respeito ao meio ambiente, de forma a satisfazer plenamente o cliente e a comunidade”, ressalta Ribeiro. A obra está tão adiantada que parte dela será entregue antes do prazo contratual, para o início de funcionamento da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag). O restante da obra vai até abril de 2010.

Consórcio 2
Construtora Odebrecht, Queiroz Galvão e OAS

Responsabilidades:
Execução das obras do lote 2, composto por um prédio de 17 pavimentos que abrigará as secretarias de Estado, com área construída de 116,2 mil m2

Centro de convivência e um dos prédios construídos pela Andrade Gutierrez
Centro de convivência e um dos prédios construídos pela Andrade Gutierrez

Construtora Andrade Gutierrez

Na parte das obras que ficaram a cargo do consórcio liderado pela Construtora Andrade Gutierrez, todo o processo de armação foi industrializado. As armações das vigas e lajes foram cortadas, dobradas e pré-montadas em central de armação. “A solução de pré-montar as vigas e as lajes proporcionou redução no prazo da armação, com impacto no ciclo da concretagem dos setores e pavimentos da secretaria dois”, destaca o superintendente da Andrade Gutierrez, Bruno Villani. Ele conta, ainda, que para a fabricação e o lançamento de todo o concreto utilizado na obra foi instalada no canteiro industrial da Cidade Administrativa uma usina de concreto, cuja produção foi atendida por caminhões bomba com lança de 34 metros cada e autonomia de lançamento até o 6º pavimento. O uso dos mastros teve como resultado a queda significativa do tempo das concretagens, inclusive reduzindo o número de operários e de equipamentos. “Outro bom resultado foi o melhor acabamento devido à plasticidade do concreto”, enfatiza Villani.


A utilização de tanta tecnologia na prática significa dizer que as edificações da Cidade Administrativa são modernas e funcionais. Os projetos executivos, feitos pelo arquiteto Oscar Niemeyer, foram desenvolvidos dotando os prédios de sistemas inteligentes e instalações arrojadas. Depois de prontos, os desperdícios de recursos serão eliminados por meio de sensores de presença para climatização e iluminação, com controle independente e automático das luminárias, reduzindo a demanda de energia elétrica. Também haverá sistema de esgotamento a vácuo que reduzirá o consumo de água em até 90%, o que valoriza a preservação dos recursos naturais. “As instalações de combate a incêndio foram executadas por meio do sistema Vitaulic, que utiliza tu­bos, conexões e válvulas com extremidades ranhuradas para o encaixe de acoplamentos, que podem ser rígidos ou flexíveis. O Vitaulic é o mais versátil, econômico e confiável sistema mecânico de união de tubos, pois além de imprimir agilidade na execução das instalações, evita as emendas por solda, minimizando assim a exposição a acidentes de trabalho”, des­taca o superintendente da An­drade Gutierrez.

Bruno Villani: redução do prazo da obra
Bruno Villani: redução do prazo da obra

Mas a tecnologia de ponta não foi utilizada apenas na construção dos prédios da Cidade Adminis­tra­tiva, será adotada também quando todos começarem a funcionar co­mo sede do governo de Minas. Os sistemas elétricos, de ar condicionado, de detecção, alarme e combate à incêndio trabalharão de for­ma conjunta e otimizada, por meio da automação predial (SAP), que proporcionará mais conforto, eficiência, segurança e economia. As fachadas dos edifícios contarão com pano de vidro, constituído de um fechamento duplo de vidro, com moderno sistema de venezianas internas, que proporcionarão flexibilidade na iluminação e conforto aos usuários.


Os prédios que comporão a sede do governo estão sendo construídos em tempo muito curto, apesar de suas dimensões. “Realmente isto é um grande desafio de engenharia, vencido por meio da utilização de técnicas e ferramentas de gestão, que vão desde a elaboração de um planejamento econômico-financeiro, em que foram estabelecidas estratégias de execução, métodos construtivos, planos de ataque e de qualidade, até a aplicação de novas tecnologias, à industrialização dos processos, o acompanhamento do progresso físico das atividades e a realização de estimativas de prazo final para conclusão da obra”, assevera o superintendente da Andrade Gutierrez. Se­gundo Bruno Villani, os estudos e as informações no momento adequado permitiram acertos nas tomadas de decisões, garantindo o cumprimento do prazo, custo e qualidade.

Consórcio 3
Construtora Andrade Gutierrez, Via Engenharia e Barbosa Mello

Responsabilidades:
Execução das obras do lote 3, composto por um prédio de 17 pavimentos que abrigará as secretarias de Estado, com área construída de 1.16,2 mil m2, a construção do centro de convivência, uma coroa circular com 60 m de diâmetro e 7.556,00 m2 de área, além da execução de uma central de água gelada com 3.326,00 m2 de área construída que atenderá às secretarias 1 e 2  e, emergencialmente, o Palácio do Governo.

  • O prédio da secretaria 2, além de abrigar as secretarias de estado nos pavimentos-tipo, contará com subsolo destinado a estacionamentos, vestiários e instalações sanitárias
  • O térreo em pilotis, será o acesso principal às escadas, hall dos elevadores e à portaria principal
  • O 9º pavimento do edifício contará com lanchonetes, restaurantes e salas de reunião
  • A cobertura será destinada para o pouso emergencial de helicópteros, além de abrigar equipamentos diversos
  • O centro de convivência será constituído de três pavimentos, com subsolo para acesso ao hall dos elevadores
  • O térreo será destinado ao atendimento específico, como agências bancárias, correio, casa lotérica, agência de viagens, salão de beleza, livraria e lanchonetes
  • O 1º pavimento abrigará dois restaurantes e uma cozinha industrial

Fonte: Construtora Andrade Gutierrez

Com a mão na massa

A reportagem da Viver Brasil passou uma tarde no canteiro de obras da Cidade Administrativa e deu voz a eles, os milhares de trabalhadores que fizeram parte de uma das maiores obras das maiores obras da construção civil já realizadas em Minas Gerais

Texto: Elisângela Orlando e Terezinha Moreira
Fotos: Pedro Vilela

“Estou aqui desde fevereiro de 2008 pela empresa Santa Bárbara. É a
primeira vez que trabalho em uma obra dessa magnitude e por isso é um desafio profissional enorme. Com certeza a Cidade Administrativa me gabaritará mais profissionalmente, afinal de contas estou executando uma obra projetada pelo grande e importante arquiteto Oscar Niemeyer. A obra é um marco não somente para Minas Gerais, mas para todo o Brasil, o que me deixa muito orgulhoso por estar participando de sua execução. Foi uma batalha imensa até que os prédios fossem levantados, mas tenho certeza de que tudo valerá muito a pena".

Élson Deivisson Narciso - Topógrafo

“É a primeira obra de Niemeyer de que participo da execução, na qual estou inserido desde o início das propostas de construção. É um orgulho muito grande participar de uma obra de um ícone da arquitetura mundial. Ter tido contato com ele foi muito emocionante. Esta obra representa também um
resgate pessoal do forte vínculo que tenho com Minas Gerais. Apesar de ter nascido no Rio de Janeiro, meus pais, minha esposa e filhos são mineiros. É um resgate visando à prosperidade e modernismo. Também vivi momentos inéditos, pois nunca havia plantado uma espécie de pau Brasil, o fiz aqui e ainda estou cuidando da planta. Também acho fantástico nesta obra o fato de ela alavancar o desenvolvimento do vetor norte de Belo Horizonte. A escolha do local foi muito acertada e bem planejada em todos os aspectos, inclusive ambiental".

Marcelo Forastieri - Gerente de Saúde, Segurança do Trabalho e Meio Ambiente

“Estou acostumado a trabalhar em grandes obras, mas nenhuma tão representativa quanto a Cidade Administrativa. É uma gratificação profissional imensa executar uma obra dessa envergadura, vinda de um arquiteto tão ilustre e importante quanto Niemeyer. É minha segunda obra arquitetada por ele. Trabalhei na execução do monumento Tancredo Neves, na estação ferroviária em Juiz de Fora. É muito emocionante. Esta obra pede desafio e dedicação a todo instante. Além disso, sei que no fim, será minha também, pois é uma obra pública. Quando estiver pronta, irá nos servir. Em 32 anos de trabalho este foi o trabalho que mais mexeu comigo em todos os aspectos. O bom é que o governador Aécio Neves está acompanhando todos os passos de perto com visitas constantes."

José Geraldo Fumaça - Mestre de Obras

 “Fui contratado pelo consórcio constituído pela Santa Bárbara, Mendes Júnior e Camargo Correa e participei da construção do novo Palácio do Governo, que possui o maior vão livre do mundo. É a maior obra em que já trabalhei e fico orgulhoso porque se trata de projeto inovador, diferenciado. Chego às
7 horas todos os dias e não tenho horário certo para sair. Estou feliz de estar aqui desde o início e agora ver tudo quase pronto. Nossa equipe encarou o trabalho de corpo e alma e foi graças a esse empenho que conseguimos vencer. Vou sentir saudade, mas nunca vou me esquecer de que fiz parte dessa obra que, com certeza, é o mais novo cartão-postal de Belo Horizonte."

César Miranda - Engenheiro de produção

 “Em fevereiro faz dois anos que comecei a trabalhar na obra da Cidade Administrativa. Sou funcionário do consórcio formado pela Andrade Gutierrez, Via Engenharia e Barbosa Mello. Minha primeira função foi como carpinteiro, mas fui promovido a feitor um ano e meio depois. É um grande desafio pra mim. Moro em Ribeirão das Neves, levanto às 4h da manhã e chego aqui antes das 6h. Tenho um bom relacionamento com meus colegas de trabalho e fiz muitas amizades. Hoje chefio uma equipe com 17 pessoas. Agora quero me tornar encarregado. Se Deus quiser, chego lá. Quando estiver velhinho, terei muitas fotos para mostrar aos meus netos e vou contar que ajudei a construir este lugar.”

Jorge Luiz Máximo – Feitor de forma

“Vim do Rio de Janeiro com outros sete amigos para trabalhar nesta obra. Vim com a cara e a coragem. Quando cheguei aqui, não tinha nada. Eu me lembro de que comentei com o mestre de obras que não conseguiríamos terminar tudo em 27 meses, mas estava enganado. Os colegas que vieram comigo acabaram desistindo no meio do caminho, mas eu fiquei. É uma experiência que vai valorizar muito o meu currículo, afinal, é uma obra do Oscar Niemeyer. Além disso, a empresa me deu a oportunidade de fazer muitos cursos. Quando alguém me pergunta onde trabalho e digo que é na Cidade Administrativa, a conversa muda de rumo. Todos ficam curiosos e falam que se trata de uma obra de primeiro mundo. Fiz amigos de verdade e vou sentir falta deles, mas acho que ter participado dessa construção vai abrir muitas portas para mim em qualquer lugar que eu for.”

William Sani Dorneles – Eletricista

Vista aérea da praça da Liberdade: circuito cultural
Vista aérea da praça da Liberdade: circuito cultural

A praça não será a mesma

Com o Circuito Cultural, que será inaugurado ao longo do ano, a praça da Liberdade entrará definitivamente no roteiro turístico da capital mineira

Terezinha Moreira

As obras de reforma e restauração dos prédios que compõem o circuito praça da Liberdade, que por mais de 100 anos foi sede do governo de Minas, estão em estágio bastante avançado. Quando concluídas, todo o complexo será transformado em um circuito que abrigará centros culturais e de arte popular, museu, espaço do conhecimento e memorial. A boa notícia é que as obras de reparo da antiga sede da Secretaria de Estado da Educação já foram concluídas. O local abrigará o Museu das Minas e do Metal. “As obras das antigas Secretarias de Fazenda, onde será o Memorial Minas Gerais, e da Defesa Social, que será o Centro Cultural Banco do Brasil, estão bastante adiantadas e belos ornamentos e pinturas estão reaparecendo”, diz a arquiteta Jô Vas­con­cellos, uma ­das responsáveis pelas obras do complexo da praça da Liberdade.

De acordo com ela, a expectativa dos responsáveis pelo Complexo Cultural da praça é de que todos os equipamentos sejam bastante utilizados e visitados pela população de Minas Gerais. “Esperamos que as pessoas possam usufruir de todo o conjunto e que se transforme em um dos locais mais visitados da cidade”, analisa Jô Vasconcellos. Segundo a arquiteta, a restauração dos prédios está sendo feita em parceria com a iniciativa privada, que investe aproximadamente 90 milhões de reais para executar todas as obras.

Além de embelezar a praça da Liberdade, o Circuito irá oferecer à população novos espaços de cultura, arte, conhecimento, entretenimento, além de abrir todos os prédios históricos das antigas secretarias de estado à visitação. “O público poderá usufruir da beleza da arquitetura e seus espaços, testemunhos vivos da sua própria história. O complexo cultural irá oferecer atividades a comunidade e diversos públicos, que poderão vivenciar experiências artísticas, históricas, políticas e culturais, promovendo acessibilidade e permanência”, enfatiza Jô Vasconcellos. “O Circuito Cultural da praça da Liberdade consolida Belo Horizonte no cenário cultural do Brasil”, assevera.

Perspectiva do chão de estrelas
Perspectiva do chão de estrelas

Seis inaugurações

Cronograma de inauguração do circuito cultural da praça da Liberdade

  • Planeta TIM UFMG: até março de 2010
  • Museu das Minas e do Metal: até março deste ano
  • Memorial Minas Gerais: meados de 2010
  • Centro Cultural Banco do Brasil: segundo semestre de 2011
  • Café do Arquivo Público e Museu Mineiro: até abril de 2010
  • Centro de Arte Popular: segundo semestre deste ano
Museu do Metal: efeitos holográficos
Museu do Metal: efeitos holográficos

Museu das Minas e do Metal

O Museu das Minas e do Metal (MMM), que será inaugurado em mar­ço de 2010 colocará Belo Hori­zonte no roteiro internacional dos museus. Lá será possível ter acesso a acervo virtual, imagens cenográficas, efeitos holográficos (miragens), atrações interativas e a um projeto educativo inovador. O mu­seu é uma parceria do grupo EBX com o governo de Minas Gerais. O investimento é de cerca de 23 milhões de reais. Como o projeto está sendo desenvolvido em  prédio do fim do século XIX, exige mais cuidado e atenção porque ele é tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio His­tórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha). Foi preciso adequar as instalações às necessidades de um museu contemporâneo, cuja área é de 5,8 mil m2, com 18 salas de exposição.

Túnel de janelas: abre as portas em março
Túnel de janelas: abre as portas em março
O prédio que abrigará o MMM era sede da Secretaria da Educação. Ele foi inaugurado em 12 de dezembro de 1897, juntamente com a nova capital, que ainda era chamada Cidade de Minas. Para romper com o império e o estilo colonial das construções de Ouro Preto, antiga capital do es­tado, o prédio, assim como a cidade, foi construído em estilo eclético, sob influência francesa e europeia tanto na fachada quanto na decoração interior, repleta de elementos art-nouveau, em função dos movimentos políticos e culturais da época.
Tabela periódica, outra atração do MMM
Tabela periódica, outra atração do MMM
“Somente Minas Gerais poderia ter um museu como este, dada às características do estado, a história econômica, social e cultural da sua atividade mineradora, a riqueza do subsolo e suas paisagens cravadas nas montanhas de minério de ferro, ouro, diamante e nióbio”, diz Mar­cello Dantas, autor do projeto museográfico do MMM. O projeto arquitetônico que permitiu compatibilizar novas ideias e preservação do patrimônio público tem a assinatura do arquiteto Paulo Mendes da Rocha e acompanhamento feito pelo seu filho, o também arquiteto Pedro Men­­­des da Rocha. A direção dos trabalhos de criação e instalação do MMM é sinalizada pela diretora de Projetos Culturais e Sociais da EBX, Helena Mourão. Ela conta com o apoio dos engenheiros da EBX, João Bagno, em Belo Horizonte, de Fer­nando Picanço e Lilian Munemasa, do Rio de Janeiro.
Prédio, antiga sede da Educação, onde será o museu
Prédio, antiga sede da Educação, onde será o museu

   
Pedro Paulo da Luz
Pedro Paulo da Luz

Fácil acesso

Construção de túneis sob a MG-010 está em pleno vapor e vai permitir chegada e saída à Cidade Administrativa sem atropelos

Eliana Fonseca

A Cidade Administrativa de Minas Gerais mudará o perfil do vetor norte de Belo Horizonte que passará a contar, diariamente, com o contingente de mais de 30 mil pessoas que terão acesso ao empreendimento. Para facilitar e diminuir o impacto do tráfego e evitar congestionamentos, além de maior conforto e segurança para os frequentadores, está sendo construído acesso especial à sede do governo composto de dois túneis e de um ramo derivado da rodovia MG–010, via que liga Belo Horizonte ao aeroporto de Confins. Na prática, um túnel menor será destinado ao trânsito de pedestres e ciclovia e o outro maior para o acesso de carros e ônibus. Ambos terão 156 m de comprimento, sendo que o menor (túnel adjacente) terá 4 m e o maior (túnel principal), terá 22 m de largura.

Divulgação
Divulgação

Atualmente, a escavação dos pilotos P1 e P2 (túneis provisórios necessários para a execução dos definitivos) está concluída e a do principal está em andamento, com conclusão prevista para 30 de janeiro. A MG–010 é considerada uma das rodovias mais utilizadas do estado. Além do acesso a Confins, que teve movimentação no ano passado de mais de 5 milhões de passageiros, ela também é o ponto de ligação a cidades turísticas e da região metropolitana. As construtoras Santa Bárbara Engenharia, Camargo Corrêa e Mendes Júnior são as responsáveis pelas obras de construção dos túneis. Segundo o gerente da Santa Bárbara Engenharia, Eduardo Vilela, um dos maiores desafios é executar os túneis sem interferir no tráfego da rodovia MG-010. Tudo porque a cobertura, que é o espaço entre a chamada calota superior do túnel maior e a pista da rodovia, é pequena, com variações de 3,18 m a 6,42 m.

Perspectivas dos dois túneis, de 156 m de comprimento, que vão dar acesso da MG–010 à Cidade Administrativa
Perspectivas dos dois túneis, de 156 m de comprimento, que vão dar acesso da MG–010 à Cidade Administrativa
   

A preocupação com a pequena cobertura exigiu controle rigoroso e em tempo real das deformações e acomodação do terreno. Tudo porque essa cobertura está sob uma rodovia com tráfego intenso de cargas pesadas. Desta forma, foi criado um site na web, onde são inseridas as leituras dos instrumentos usados para a medição das deformações, permitindo aos especialistas e consultores, acesso aos dados a qualquer momento. “O site é extremamente inovador. Quando as informações de instrumentação são disponibilizadas, o projetista, localizado em São Paulo, tem automaticamente todos os dados online. As pessoas que estão cadastradas e autorizadas têm acesso às informações em tempo real. Isso facilita o acompanhamento e agiliza a tomada de decisão”, afirma Vilela.

As construtoras também tiveram como desafio a escavação dos túneis num só sentido e a execução dos serviços de fundação, as estacas do túnel principal, ao mesmo tempo. Para tanto, os equipamentos tiveram de ser modificados e adaptados às pequenas dimensões e geometria dos túneis. As adaptações foram realizadas nas perfuratrizes para execução das fun­dações das estruturas (estaca raiz). “Executar esse tipo de obra exige planejamento detalhado e dinâmico. As correções nos procedimentos executivos são necessárias sempre que se encontra uma variação do solo, exigindo perfeita interação da obra com o projetista”, observa o gerente.

Cidade Administrativa e a MG–010: preocupação com o trânsito
Cidade Administrativa e a MG–010: preocupação com o trânsito
Ele ressalta que o maior benefício dos túneis serão o maior conforto e segurança para os usuários em deslocamento, além da redução de permanência dos usuários nos veículos transportadores para acessar a Cidade Ad­ministrativa do estado. “As obras garantirão a equalização e a melhor distribuição do fluxo de tráfego na rodovia MG-010, na região próxima à Cidade Administrativa e ao bairro Serra Verde. Tudo isso sem a obstrução do tráfego nos dois sentidos da rodovia”, reforça Vilela. Outra medida para facilitar o trânsito dos funcionários públicos que trabalharão na Cidade Administrativa foi a criação de novas linhas de ônibus para integrar o metrô. Uma linha será disponibilizada gratuitamente entre a estação do metrô em Vilarinho, Venda Nova, até a Cidade Administrativa. Outra iniciativa foi o mapeamento do local de moradia de todos os servidores para planejamento de requalificação e ampliação do serviço de linha de ônibus. 

 
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