“A política é de sorte, de eventualidade e, sobretudo, de infidelidades.” (Eça de Queirós)
Sem que isso se constitua em trocadilho infame, a pergunta que se faz é esta: O DEM está demolido? Muito dificilmente levantar-se-á do golpe que o nocauteou, a tempo de se tornar parceiro confiável para qualquer aliança em 2010. O seu mensalão suplantou, em criatividade, os do PT e do PSDB. Copiaram o dinheiro na cueca e inovaram com o vil metal na meia, que por sinal, é a cueca do sapato. Produziu, de quebra, uma verdadeira blasfêmia, denominada oração do mensalão. Dois privilegiados beneficiários se atracaram ao secretário Durval e, contritos, formularam patético agradecimento aos céus, como se Deus pudesse contribuir com uma barbaridade daquelas. Tudo isso aqui ocorre, porque não existe um único país no mundo, exceto o Brasil, que ofereça tamanha rede de proteção aos seus marginais, de quaisquer espécies. Quem vai querer uma aliança capaz de gerar passivo eleitoral em troca de alguns minutos no rádio e na TV? Os governadores Aécio e Serra admitiam e estimulavam essa hipótese. Mas e agora? Tanto um quanto o outro possuem inegáveis virtudes como homens íntegros, sabem se cercar de pessoas capazes e são confiáveis aos olhos do grande público. Manejam, com eficiência e maestria, a conciliação entre a arrecadação e os gastos públicos. No cenário que se avizinha, qualquer um dos dois teria que cooptar parcela significativa do PMDB. Aécio, mais catalisador, se apresentava sem arrogância e sem prepotência, até comunicar sua desistência de concorrer à Presidência. A exemplo de seu avô Tancredo – que em 2010 estaria completando, emblematicamente, 100 anos de pura matreirice, que o transformou na maior raposa política de toda nossa história republicana –, sabe que esse gesto não o impede de se movimentar por outros caminhos. Ao desistir, com discernimento, mostra ao país que o seu estilo não atropela e, também, não se intimida. O rumoroso escândalo do DEM em Brasília aponta que esse partido perde seu poder de fogo em uma aliança eleitoral, mesmo que o governador Arruda tenha dele se desligado. Novos caminhos deverão ser perseguidos nesse intricado xadrez político e, para isso, o tempo é grande aliado. O governador Aécio, ao se encontrar em sua encruzilhada da estrada de Damasco, reconheceu como justo o pleito de seu colega governador Serra, mas entendendo que o PSDB não poderia mais postergar sua decisão, colocou sua legenda com um único candidato, polarizando a contenda. O governador Serra, que fincou seu ninho em cima do muro, logo perceberá que essa sua atitude, antes considerada virtude mineira, hoje revela ao eleitor uma postura indecisa, típica daqueles que não confiam em seu próprio valor. E o eleitor está atento a todos os movimentos que revelam indecisões. Isso pode ser fatal, no embate político. Com essa percepção, tenta anular o risco dessa sinuca de bico em que foi colocado, sonhando ter o mineiro Itamar Franco como vice em sua chapa, já que o governador Aécio abomina ocupar essa posição. Agora, ele apenas aguarda que as nuvens se movimentem em seu eterno balé político.