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PolíticaPrêmio: a RenúnciaEscândalo que envolve o governador de Brasília, José Roberto Arruda, reacende velhas questões: legislação eleitoral vulnerável a manobras que evitam a perda de direitos políticos e a memória curta do povo que recoloca no cargo público candidatos com passado comprovadamente duvidoso
Texto: Márcia Machado | Fotos: Fotomontagem: Paulo Werner /Foto: reprodução
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O deputado Antônio Carlos Biscaia (PT-RJ) reconhece que a legislação atual é insuficiente para proibir que políticos com reputação duvidosa continuem na política. Ele é um dos parlamentares que assinaram o projeto de iniciativa popular que impede o registro de candidatos que respondam a processos na Justiça. O projeto, mais conhecido como “ficha limpa”, também prevê a inelegibilidade por oito anos, do presidente da República, dos governadores de estado e do DF, de prefeitos e dos parlamentares federais, estaduais e municipais que renunciarem a seus mandatos depois de apresentada a representação ou que for autorizada a abertura de processo disciplinar contra ele. Outras iniciativas nesse sentido também tramitam no Congresso Nacional. Uma delas, do então deputado Orlando Desconsi (PT-RS), torna inelegível o parlamentar que renunciar ao mandato depois da denúncia ser recebida pela Mesa Diretora.
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Mas, nem sempre a renúncia ao mandato é a melhor estratégia para a sobrevivência política. No caso do governador Arruda, por exemplo, desta vez a artimanha não deve ser usada. Segundo o cientista político, Flávio Testa, o governador do DF, neste momento, precisa do mandato para garantir o foro especial e responder ao processo que corre na Justiça no qual é acusado de comandar um forte esquema de corrupção no governo do Distrito Federal. Quanto ao julgamento político, aquele que deveria ser feito pela Câmara Legislativa Federal e que poderia afastar o governador e retirar dele os direitos políticos por oito anos, o governador goza de maioria folgada na Casa. Além do fato de que dez dos 24 deputados distritais são citados no inquérito da Polícia Federal como beneficiários do suposto esquema montado no governo do Distrito Federal. |
Pela Brecha da LeiConheça alguns dos políticos que renunciaram e que continuam na vida pública: -Genebaldo Correia: Renunciou ao mandato de deputado em 1994, no auge do escândalo do Orçamento. Em 2000, elegeu-se prefeito de Santo Amaro, na Bahia. - Jader Barbalho: Acusado de desviar dinheiro público, renunciou ao mandato de senador em 2001. Foi eleito deputado federal em 2002 e reeleito em 2006. Quer ser o candidato do PMDB ao governo do Pará em 2010. - Antonio Carlos Magalhães: Envolvido no escândalo de violação do painel do Senado, renunciou em 2001 e, eleito em 2002, voltou ao Senado. Faleceu em 2007. - José Roberto Arruda: Também envolvido no escândalo do painel do Senado, renunciou antes de uma possível cassação. Foi eleito deputado federal em 2002 e governador em 2006. - Joaquim Roriz: Acusado de quebra de decoro –após a divulgação de conversas telefônicas que mostraram o senador negociando a partilha de dinheiro – Roriz renunciou ao mandato de senador em 2007. Deve se candidatar ao Senado ou ao governo do DF nas próximas eleições. - Paulo Rocha: Em 2005 renunciou ao mandato de deputado federal pelo PT-PA sob acusação de participar do valerioduto. Re-elegeu-se pelo mesmo partido em 2006. - Valdemar da Costa Neto: Acusado de se beneficiar do valerioduto, renunciou em 2005 ao mandato de deputado federal pelo PL-SP. Hoje é deputado pelo PR-SP. - Severino Cavalcanti: Deputado federal pelo PP-PE foi eleito presidente da Câmara dos Deputados em 2005. No mesmo ano renunciou ao mandato de deputado depois de ser flagrado recebendo dinheiro da empresa que prestava serviço para a Câmara. Hoje, pelo mesmo partido, é prefeito de João Alfredo, sua cidade natal, no interior de Pernambuco. |