Aos 87 anos, Francelino Pereira gosta de se intitular um mineiro legítimo, só que nascido no Piauí. A vida do homem que saiu do sertão e teve 32 anos de mandato eletivo é contada em Francelino Pereira – O Chão de Minas, livro dos jornalistas Kao Martins, Paulinho Assunção e Sebastião Martins. O lançamento da editora Sempre um Papo, espécie de ensaio biográfico e reportagem, esmiúça a infância de Pereira e segue sua trajetória desde que saiu de Angical do Piauí, passando por Teresina até chegar a Minas Gerais e a partir daí se estabelecer e ocupar mandatos de vereador, deputado federal, governador, senador.
No 11º andar de um edifício no bairro de Lourdes, Pereira, que é membro da Academia Mineira de Letras e também conselheiro da Cemig, recebe a reportagem para falar sobre o livro. No escritório, fotos suas com o papa João Paulo II, cumprimentando uma multidão em um comício compõem o ambiente onde cabe uma réplica do vapor Benjamim Guimarães que serviu de morada durante 20 dias de viagem entre Amarante e Pirapora, na vinda para Minas Gerais. “Há uma distância invencível entre a vida política de ontem e a de hoje. Quando cheguei a Belo Horizonte, a cidade era pequena e os homens grandes. Hoje, com quase 3 milhões de habitantes, a cidade ficou imensa e os líderes se perderam nessa grandeza”, diz.
Pereira, que é advogado, pertenceu ao antigo partido União Democrática Nacional (UDN) e foi governador eleito indiretamente entre 1979 e 1983. Distante de um mandato desde 2002, quando terminou sua legislatura no Senado, é convicto quando perguntado se deseja voltar à política através de um cargo público. “Desejar eu desejo, mas já não tenho idade”. Ativo, mantém agenda diária com vários compromissos e acompanha de perto a política nacional. Faz uma crítica contundente aos constantes escândalos envolvendo políticos. “As pessoas não resistem às tentações, ao desejo ou à aspiração de receber fortunas, de praticar a corrupção. Tudo é muito insinuante”, afirma.
Também está atento à corrida presidencial e ante à indagação de qual será seu candidato, não tem dúvidas. “É o governador Aécio Neves”, diz sem antes deixar de elogiar José Serra por sua vida política. Apesar de morar há mais de quatro décadas em Minas Gerais, visita o Piauí pelo menos duas vezes por ano. Em dezembro, participou de um evento tradicional – foi com a família a Angical para a adoração à Nossa Senhora da Conceição, comemoração que foi iniciada com o avô Joaquim Antônio dos Santos, em meados do século XIX e acontece até hoje. Mais passagens e curiosidades da vida do ex-governador de Minas, nas páginas de Francelino Pereira – o Chão de Minas.