Terça, 22 de Maio de 2012
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Gestão

O primeiro ano

136 obras concluídas e muitos projetos pela frente: enveredamos pelos 12 meses da administração Marcio Lacerda na capital mineira

Texto: Terezinha Moreira | Fotos: Daniel de Cerqueira /Pedro Vilela/ Victor Schwaner/ Antônio Rodrigues


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Francisca e a filha Lorena: da favela para um apartamento

O prefeito Marcio Lacerda (PSB) conclui seu primeiro ano de mandato tendo finalizado 136 obras em Belo Horizonte. As alterações estão espalhadas por toda a capital e vão de recuperação de rua, passando pela construção de complexos esportivos, centros de saúde a reformas de escolas, implantação da academia da cidade e construção de moradias por meio do projeto Vila Viva. Ao todo foram quase um bilhão de reais de investimentos em obras que impactaram no dia-a-dia de milhões de belo-horizontinos.


O projeto Vila Viva, em parceria com o governo federal, tornou-se a menina dos olhos do primeiro ano de mandato do prefeito Marcio Lacerda. O projeto consiste em urbanizar e humanizar as favelas de Belo Horizonte. Por meio do Vila Viva são construídos prédios para as pessoas que antes viviam em barracos. São várias as etapas de investimentos. No aglomerado da Serra estão sendo aplicados mais de 190 milhões de reais; já no bairro Taquaril, os investimentos são da ordem de 90 milhões de reais; na Vila São José, 115 milhões e 42 milhões na Pedreira Padre Lopes. Outros 19 milhões de reais foram aplicados na Vila Califórnia, sendo que as obras ainda não foram concluídas e outra licitação será feita. No morro das Pedras foram 119 milhões de reais.


Em um dos prédios do Vila Viva, o da Vila São José, mora a empregada doméstica Francisca Aparecida Moreira Marques, 49 anos, com a filha Lorena e o marido em um apartamento de dois quartos. A família morou na favela por 22 anos e o novo apartamento, para onde se mudaram há oito meses, foi a realização de um sonho. “Mudou tudo na minha vida. Agora, me sinto humana. Na favela me sentia excluída, sem identidade, sem referência”, revela. Lore­na Moreira, sua filha de 14 anos, também se sente feliz e orgulhosa com a nova morada. “Antes, meus amigos não iam nas minhas festas de aniversário, agora, eles vêm”, ressalta a estudante da 8ª série.


Projeto Vila Viva foi a menina dos olhos do primeiro ano da gestão Lacerda
Projeto Vila Viva foi a menina dos olhos do primeiro ano da gestão Lacerda
Quem também comemora a conquista do imóvel próprio é a família da cozinheira Rosilva Fiúza de Souza, 44 anos, que mora com o marido e dois filhos no apartamento de três quartos. “Agora, temos qualidade de vida. Ficamos livres de problemas como falta de rede de esgoto, excesso de enxurrada que dificultava o acesso ao nosso barraco, lixo e ratos”, destaca.
Umei Águas Claras: atendimento a crianças em tempo integral
Umei Águas Claras: atendimento a crianças em tempo integral
Felizes também estão as mães de crianças que frequentam a Unidade Mu­nicipal de Educação Infantil (Umei) São João, inaugurada recentemente na Vila São João, zona leste de Belo Horizonte. A prefeitura investiu quase 2,5 milhões de reais para construir o local, que atende a crianças de zero a cinco anos em período integral. A novidade foi um alívio para a desempregada Sheila Cristina dos Santos. “As crianças aprendem muitas coisas e como a escola é bem próxima da minha casa fica fácil levá-la e buscá-la”, diz Sheila, que tem uma filha de três anos na Umei São João. A unidade também é utilizada pelo filho de dois anos da manicure Thais Alves da Silva. “Não tenho condições de pagar alguém para olhar meu filho e agora, posso deixá-lo na escola o dia todo para trabalhar. E o melhor é que ele é bem cuidado lá”, declara a manicure. A cozinheira Maria de Fátima dos Santos Luz tem um filho de três anos e três netos que passam o dia na Umei. “As crianças se desenvolvem bastante e na escola têm tudo o que eu não tenho condições de comprar”, comemora.
Sheila dos Santos: “A Umei facilitou muito a minha vida”
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Mas não foram apenas obras sociais executadas pela prefeitura neste primeiro ano de mandato do prefeito Marcio Lacerda. Vários outros milhões de reais foram ou estão sendo investidos em diversas obras, espalhadas por todas as regiões de Belo Horizonte. Na Pampulha, por exemplo, foram investidos 15 milhões de reais na bacia do Córrego Bom Sucesso, no Engenho Nogueira. “Estamos fazendo grandes obras, além de outras menores, definidas no Orçamento Participativo (OP), como o aquário no zoológico, várias escolas, centros de saúde, o BH Cida­dania. O plano de obras da prefeitura de Belo Horizonte é muito grande e não teve descontinuidade com a mudança de prefeitos, o que é um grande ganho para a população”, atesta o secretário de Políticas Ur­banas da capital, Murilo de Campos. Ele diz que a crise econômica, que interferiu na arrecadação do município, não afetou de maneira preocupante o andamento das obras, pois boa parte é feita com recursos oriundos de financiamentos, com contrapartidas pequenas da prefeitura. “O governo federal chegou à conclusão de que, para desenvolver o Brasil, a contrapartida das prefeituras tem de ser menor”, ressalta o secretário.
Rosilva e Pedro Henrique: ganho de qualidade de vida
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Foram adiadas apenas algumas obras oriundas do OP, que são executadas com orçamento próprio da prefeitura. Foram postergadas a revitalização da Savassi, um centro cultural no parque municipal, projetado pelo arquiteto Gustavo Pena. “As obras não foram canceladas, foram adiadas. Como a partir de julho de 2009 a gente sabia que a arrecadação não iria aumentar, passamos a investir em projetos para atrair recursos do governo federal”, informa Murilo de Campos. Entre os que estão sendo elaborados, cinco grandes projetos do sistema viário de Belo Horizonte, como o alargamento da avenida Pedro I, projetos do Centro Vivo, revitalização do Barro Preto. “Ter projetos hoje no Brasil é um grande passo para se conseguir financiamentos”, destaca o secretário de Políticas Urbanas de Belo Horizonte. Para 2010, a expectativa é de que as grandes obras para Belo Horizonte, visando á Copa do Mundo sejam iniciadas.
Maria de Fátima: um filho e três netos na Umei São João
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Balanço de um ano com Marcio Lacerda

Prestes a completar seu primeiro ano de mandato o prefeito Marcio Lacerda (PSB) recebeu a reportagem da Viver Brasil e fez um balanço desses 365 dias frente à administração de Belo Horizonte. Exigente consigo mesmo e com seus comandados, o chefe do Executivo da capital mineira diz que o saldo foi positivo em 2009, mas reconhece que ainda tem alguns pontos em que são necessários avanços. “O que não foi bem teve reflexo da crise financeira. Gostaríamos de ter feito mais e melhor. Progredimos um pouco na questão do atendimento ao cidadão, mas ainda queremos desburocratizá-lo”, diz o prefeito para quem, o principal desafio é tornar a prefeitura mais transparente, mais ágil e amiga da população. Confira os principais pontos da entrevista.

Avaliação política


A eleição em si foi um episódio histórico por causa do tipo de aliança construída. O objetivo de dar segurança e continuidade à boa relação da prefeitura com o estado está se concretizando. Estamos muito integrados nas questões de gestão e de obras e, naturalmente, esse resultado não está se projetando na política como seus atores principais gostariam em níveis estadual e nacional, mas foi e está sendo uma semente importante no sentido de mostrar que é possível que as pessoas de bem, de centro-esquerda, sociais-democratas podem se unir em torno de um projeto. Isso, quando vier a se repetir em um nível mais amplo será muito bom para o país. 


Gestão


Nós construímos um plano, uma proposta de governo. Durante a campanha dizíamos que a prefeitura não tinha planejamento estratégico e tínhamos de desenhar um até 2012 com uma visão 20 anos à frente e vamos trabalhar ainda o detalhamen­to desta visão até o primeiro semestre do ano que vem. Do ponto devista da mobilização dos gerentes da prefeitura em relação a esta mudança de gestão, a adesão foi boa. Estamos tendo bom desempenho na avaliação do cumprimento de metas e resultados. Conseguimos transformar nosso projeto de campanha em um plano de ação com todas as correntes políticas sendo representadas na prefeitura por meio das indicações dos partidos, dos técnicos que trouxemos. Portanto, implantamos o modelo de gestão que pretendíamos. Queremos também instituir uma nova política de recursos humanos mais técnica na prefeitura, com ações como a introdução da remuneração variável vinculada ao cumprimento de metas. Isso será o ápice do nosso projeto sustentador: gestão estratégica de pessoas.

45 mil crianças a mais na escola

Obras


Conseguimos manter em andamento todas as obras que pegamos da gestão passada. Vamos entregar 136 delas nesse ano de 2009, de todos os portes.

Social


Na área social nós também mantivemos e aprofundamos os programas e o que introduzimos de novo a gente espera que venha a dar algum resultado. Daremos enfoque muito forte nos próximos anos na questão da mobilidade urbana. Uma série de projetos de corredores de ônibus, de ligação entre bairros que pretendemos implantar. Queremos chegar ao fim de 2012, independentemente da questão Copa do Mundo, podendo dizer que estamos melhorando pelo menos no que se refere ao trânsito, à questão do transporte coletivo. Nossos principais investimentos são na área de mobilidade, em seguida vêm educação e saúde.

Educação


Na educação, pretendemos entregar um pouco mais de 100 escolas infantis. Até o fim desse ano vão ser 12. Precisamos colocar mais 45 mil crianças na escola infantil. O investimento necessário na produção física dos prédios, equipamentos e salários das professoras vai nos levar exatamente ao que pretendemos arrecadar a mais com a reavaliação da planta do IPTU.

Mais participação popular

Saúde


O principal investimento na saúde é o hospital metropolitano, no Barreiro, cujo projeto executivo já está pronto e pretendemos fazê-lo em parceria com o Estado e a União.

Participação popular


É preciso aprofundar esse modelo da gestão da prefeitura de Belo Ho­ri­zonte e trazer mais os empresários e a classe média. Isso vai acontecer por meio da dinamização dos conselhos. A prefeitura tem sob sua órbita mais de 80 fóruns setoriais e regionais. Temos conselhos de segurança, trânsito, área social, audiências públicas para discutir obras novas, conferências temáticas. É impressionante como temos mecanismos de participação.


Relação com o Legislativo


Estamos tendo uma relação madura, transparente. Eu mesmo tenho relação pessoal e política com cada um dos vereadores desde a época da transição, procurando conhecê-los, entender a sua origem, onde foi votado. Sempre colocando Executivo de um lado e Legislativo de outro, mas sempre com objetivo de melhorar a cidade. Digo que as críticas são bem-vindas e podem ser públicas, não tem nenhum problema, é parte do jogo democrático e vamos ter transparência, torná-los parceiros das ações da prefeitura.

Orçamento e finanças


O orçamento de 2009 previa crescimento da arrecadação, pois foi feito em um momento em que não tinha crise e a prefeitura vinha registrando aumento de arrecadação a cada ano. Sem aumento de arrecadação, tem de fato perda real, pois a arrecadação está no mesmo nível do ano passado, tem salários aumentando devido a acordos de 2008, aumento coletivo trienal, impactou a folha de pagamento em 252 milhões. Já o custeio ficou no mesmo nível do ano passado, bem como o valor investido em obras. O que nos favoreceu foi o fato de termos passado de 2008 para 2009 com um caixa razoável devido às vendas das ações da Copasa, que pertenciam ao município. Isso permitiu uma passagem de ano mais tranquila, o que não está acontecendo neste ano por causa da queda da arrecadação. Mas nada é preocupante. Acho que 2010 será um ano bom em termos de melhoria na arrecadação, pois a economia deve ter crescimento de até 5%, o que deverá se refletir na melhoria do nosso desempenho. O importante é que a gente possa chegar ao fim de 2012, dizendo: conseguimos cumprir este compromisso de campanha, nesse aqui fizemos mais, nesse outro chegamos perto.


 
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