Minas terá posição de destaque em investimentos tanto privados quanto públicos no próximo ano. A previsão foi feita pelo vice-governador Antonio Augusto Anastasia no terceiro Conexão Empresarial, almoço com empresários, políticos, representantes de entidades e executivos, promovido pela revista Viver Brasil, operadora Claro e Usiminas, no espaço V, em Nova Lima. Ele comparou o momento econômico de Minas à figura mitológica do deus Jano, guardião do Olimpo, possuidor de dupla face: à esquerda, o velho sábio, que representa o passado; e à direita o jovem, o futuro. “Temos uma economia tradicional, pautada na exportação de commodities, com produtos de baixo valor agregado. Por outro lado, há segmentos bastante avançados, que estão em expansão rápida, como a indústria de componentes eletrônicos no Sul de Minas.”
Anastasia reforçou que o estado vive momento peculiar de progresso. “Conseguimos trazer para Minas o novo centro de distribuição da Zona Franca de Manaus, que ficará em Uberlândia.” Recém-chegado de viagem oficial a Israel, o vice-governador ficou impressionado com o crescimento daquele país na área tecnológica e ressalta que é possível adotar aqui modelos similares. “Em janeiro de 2010, receberemos a visita de um dos maiores especialistas israelenses em incubadoras. Hoje, investimos mais em pesquisa do que muitos outros estados.”
Lembrou que em recente reunião com o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, ouviu do dirigente desportivo que há três grandes entraves no Brasil para a Copa de 2014: “Aeroporto, aeroporto, aeroporto...” Antevendo esse gargalo, o governo mineiro havia encomendado projeto de expansão para o aeroporto de Confins, cujas principais mudanças foram destacadas pelo palestrante. “O governo de Minas pode ser criticado por várias coisas, jamais por falta de planejamento. Atualmente, Confins já se encontra defasado. O projeto de expansão, que incluirá a construção de nova pista e do terminal dois, deve estar pronto para a Copa.” Ao contrário dos aeroportos de Cumbica (SP) e do Galeão (RJ), Confins está localizado em área privilegiada, que permite crescimento. No atual projeto, há previsão de construir um terceiro terminal de passageiros.
Quanto ao total de investimentos que ocorrerão em Minas para 2010, o vice-governador disse ser leviano estipular valores, devido ao elevado número de empreendimentos privados e públicos que estão em andamento e que serão feitos. “Ao longo de quase sete anos do governo Aécio Neves, trouxemos cerca de 300 bilhões de reais em investimentos privados, o que torna o estado campeão nessa área. O mais relevante é que o IBGE acaba de divulgar a participação do PIB relativo dos estados. Enquanto os números do Rio e de São Paulo caíram, o de Minas subiu.”
Bruno Paulino, assessor de relações institucionais da Usiminas, questionou Anastasia se agora não seria o momento ideal para elaborar lei de incentivo ao esportes, similar aos moldes da que existe em nível federal para a cultura. 8
“Temos orçamento magro, e nesse caso o único tributo-fonte seria o ICMS. Já a União tem um leque maior de impostos. Incentivos são importantes, mas é preciso cautela diante do orçamento enxuto”, ponderou Anastasia. Jamerson Souto, diretor da HP, perguntou sobre as expansões previstas e novidades na área de serviços, grande tendência global na economia. Anastasia disse que é preciso levantar focos de potencialidades, trabalhá-los em parceria com prefeituras, sendo que a região metropolitana tem perfil de alto potencial para atrair empresas desse segmento, algo que pode ser feito em médio prazo. E lembrou os fundos setoriais, como o BDMG, que têm projetos específicos para incrementar investimentos.
Haveria algum projeto para construir um centro de convenções e para grandes eventos na Grande BH, perguntou Leonardo Dias, da DM Produções. “Belo Horizonte merece um, como o do Riocentro, já que a Expominas é mais voltada para feiras e exposições. Sabemos que esses grandes equipamentos não são de interesse privado exclusivo, teriam de ser fruto de uma composição entre o poder público e a iniciativa privada. Com a reforma do Mineirão, poderemos sediar eventos desse porte.” Já o empresário Modesto Araujo, da Drogaria Araujo, questionou sobre incentivos fiscais para o comércio. Anastasia lembrou que o comércio é um desdobramento natural da indústria, que há ciclo virtuoso de desenvolvimento na área. “Em breve, a Fundação Oswaldo Cruz passará a produzir no estado medicamentos em larga escala, o que vai ajudar a reduzir os custos dos mesmos.”
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