Ela já foi vocalista de uma banda de heavy metal. Antes, participou como solista de dois CDs infantis – um deles, inclusive, indicado ao Prêmio Tim, em 2003. Também compõe e grava jingles e spots, aquelas canções publicitárias radiofônicas grudentas. Com um trio, ainda trafega pelo jazz dos anos 1940 e 1950. Para todos os efeitos, contudo, a belo-horizontina Isabela Santos, 27, é cantora lírica. Só como exemplo, já foi solista das óperas As Bodas de Fígaro e A Flauta Mágica, ambas de Mozart, e se apresenta frequentemente com o Coral Madrigale, regido por Arnon Sávio. “Tendo a ser mais erudita que popular. Mas canto aquilo que sinto prazer, sem preconceitos”, declara.
Então, fiquemos com a cantora erudita. E é como soprano lírica que Isabela está em turnê na Alemanha desde o último dia 2. A temporada inclui três concertos natalinos, em igrejas de cidades diferentes: Hügelheim, Münschweier e Oberhausen. A cantora interpreta peças como Ave-Maria de Schubert, Oh Happy Day e a Missa Brevis em Sol, de Mozart, intercalada com a missa rezada. As peças são em latim, alemão, francês e inglês. Mas as línguas estrangeiras não são um problema, pois Isabela fala fluentemente inglês e alemão. O convite para a turnê veio do maestro belo-horizontino Márcio da Silva. Ele também é cantor, e atualmente estuda e trabalha em Freiburg, na Alemanha, regendo os corais das três cidades.
A ascensão internacional de Isabela não é sem méritos. Ela estuda canto há uma década. É bacharel em Canto e mestre em Performance Musical, ambos pela UFMG. Nesse trajeto, foi premiada em diversos concursos. Mas a maior conquista veio com o título de Cantora Jovem do Concurso Internacional Bidu Sayão, em 2006, realizado em Belém, PA. Quando indagada sobre suas influências, Isabela cita a cantora lírica Maria Lucia Godoy, autora da letra de Entretanto, eu canto, musicada por Waldemar Henrique. “Cantei essa música na minha formatura de graduação. Aliás, minha pesquisa de mestrado foi sobre Waldemar e suas lendas amazônicas”, relembra. Mas sua maior influência é o norte-americano Stephen Bronk, baixo-barítono com quem estudou técnica vocal por quatro anos. Stephen é casado com a soprano mineira Sylvia Klein – também referência para Isabela. O casal atualmente mora na Alemanha. Entre um ensaio e outro, o encontro já está agendado.