Terça, 22 de Maio de 2012
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Racionamento à vista?

Apagões em estados inteiros, cidades ou bairros levam a um questionamento: existe espaço para mais economia radical de energia no país como em 2001?

Texto: Elisângela Orlando | Fotos: Fotomontagem: Paulo Werner Fotos: SXC


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“Grande parte das ineficiências no uso de energia elétrica foi suprimida no racionamento de 2001. Hoje, a economia seria muito mais difícil. É quase i

O blecaute que deixou milhões de pessoas no escuro em 18 estados no mês de novembro trouxe de volta um fantasma que ainda assombra o setor de energia elétrica: o racionamento. Certamente você ainda não se esqueceu da saia justa que enfrentou em 2001, quando o governo anunciou o corte de 20% no consumo de energia. Troca de lâmpadas incandescentes por fluorescentes, instalação de sensores de presença e aquisição de eletrodomésticos mais econômicos foram apenas algumas das medidas adotadas pela população.


O aperto, entretanto, fez com que muitos deixassem de lado um hábito na­da saudável: o desperdício. Oito anos depois, apesar de vários especialistas descartarem a possibilidade de outro corte semelhante no curto prazo, uma pergunta continua pairando no ar: se houvesse novo racionamento, como o brasileiro conseguiria economizar mais energia?


Antes de tentar responder à questão, porém, é necessário fazer algumas considerações. Em 2001, o apagão foi resultante do crescimento do parque gerador brasileiro, que não acompanhou o aumento do consumo da forma adequada. Hoje, os reservatórios, fonte da geração de energia elétrica no Brasil, estão cheios.


De acordo com o professor do Departamento de Energia Elétrica da Universidade de Brasília (UNB) Ivan Camargo, 2009 foi um ano atípico, pois a carga elétrica foi inferior à do ano anterior e houve chuvas intensas nos últimos meses. “No curto prazo, não existe risco de racionamento de energia no Brasil”, assegura.


Na opinião do especialista, a perspectiva muda caso os sistemas de geração e de transmissão não cresçam conforme a taxa historicamente registrada, que é de 5% ao ano. “Se isso acontecer, haverá, sim, o risco de um novo corte no consumo”, esclarece. Ele assinala que, de fato, grande parte das ineficiências no uso de energia elétrica foi suprimida no racionamento de 2001 e que, hoje, a economia seria muito mais difícil. “É quase impossível nova redução de consumo de 20%.” 


Para Ildo Sauer, ex-diretor de Gás e Energia da Petrobras e um dos diretores do Instituto de Eletrotécnica e Energia da Uni­versidade de São Paulo (USP), o último blecaute foi provocado, sobretudo, pela má gestão e coordenação do Ministério de Minas e Energia, comandado por Edison Lo­bão, antecedido por Silas Rondeau e Dilma Rousseff, hoje ministra Chefe da Casa Civil.

Silvério Visacro: medidas do governo são suficientes para evitar novo racionamento
Silvério Visacro: medidas do governo são suficientes para evitar novo racionamento

Temos usinas inadequadas e há necessidade de se construir outras. Também é preciso resolver o problema no mercado livre de energia e solucionar o sistema de gestão e administração, que é precário”, sentencia. Sem essas medidas, Sauer acredita que os brasileiros não estão livres de um novo racionamento nos próximos três anos. Ainda na avaliação do especialista da USP, se o consumidor residencial tivesse que reduzir o consumo de energia elétrica hoje, as ações seriam praticamente as mesmas adotadas em 2001, como a troca de lâmpadas e de eletrodomésticos. Já as indústrias deveriam apostar em motores mais eficientes e com rendimento até 5% superior em relação aos modelos mais utilizados no mercado atualmente.


Entre os pesquisadores da área, entretanto, há quem acredite que o racionamento é um problema que ficou no passado. É o que afirma, por exemplo, Silvério Visacro, doutor em engenharia elétrica e professor da UFMG. “As ações que estão sendo adotadas pelo governo são suficientes para impedir que haja um novo corte no consumo, mesmo no médio prazo. As hidrelétricas têm um tempo de implantação muito grande, mas há outras soluções, como o uso das termelétricas”, frisa. Seja como for, o brasileiro tem de ficar de olho bem aberto para que não fique no escuro. 

“Grande parte das ineficiências no uso de energia elétrica foi suprimida no racionamento de 2001. Hoje, a economia seria muito mais difícil. É quase impossível nova redução de consumo de 20%”
Ivan Camargo (UNB)


 
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