O blecaute que deixou milhões de pessoas no escuro em 18 estados no mês de novembro trouxe de volta um fantasma que ainda assombra o setor de energia elétrica: o racionamento. Certamente você ainda não se esqueceu da saia justa que enfrentou em 2001, quando o governo anunciou o corte de 20% no consumo de energia. Troca de lâmpadas incandescentes por fluorescentes, instalação de sensores de presença e aquisição de eletrodomésticos mais econômicos foram apenas algumas das medidas adotadas pela população.
O aperto, entretanto, fez com que muitos deixassem de lado um hábito nada saudável: o desperdício. Oito anos depois, apesar de vários especialistas descartarem a possibilidade de outro corte semelhante no curto prazo, uma pergunta continua pairando no ar: se houvesse novo racionamento, como o brasileiro conseguiria economizar mais energia?
Antes de tentar responder à questão, porém, é necessário fazer algumas considerações. Em 2001, o apagão foi resultante do crescimento do parque gerador brasileiro, que não acompanhou o aumento do consumo da forma adequada. Hoje, os reservatórios, fonte da geração de energia elétrica no Brasil, estão cheios.
De acordo com o professor do Departamento de Energia Elétrica da Universidade de Brasília (UNB) Ivan Camargo, 2009 foi um ano atípico, pois a carga elétrica foi inferior à do ano anterior e houve chuvas intensas nos últimos meses. “No curto prazo, não existe risco de racionamento de energia no Brasil”, assegura.