Sexta, 10 de Fevereiro de 2012
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Meio Ambiente

O clima pode ficar quente (ou não)

Muito está em jogo nas discussões que ocorrerão em Copenhague, Dinamarca, durante a 15ª Conferência Climática. O principal: a temperatura do planeta

Texto: Renata Turra | Fotos: Arte: Paulo Werner


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O mundo está a poucos dias para decidir que providências irá tomar para impedir que uma desordem climática irremediável se alastre pelo planeta. Entre os dias 7 e 18 de dezembro, representantes de 192 países membros da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas se reúnem em Copenhague, na Dinamarca, para a 15ª Conferência das Partes (COP 15). A reunião está sendo considerada a mais importante desde que o protocolo de Kyoto foi assinado, em 1997, estabelecendo me­tas formais de redução da emissão de gases causadores do efeito estufa. A COP 15 tem o desafio de rever as metas do protocolo, que valem até 2012 (e não foram cumpridas), e acordar outras mais ambiciosas para garantir que a economia mundial cresça de maneira sustentável.

O Brasil já sinalizou que terá papel de destaque. Mais do que isso. Há quem acredite que o país pode salvar a conferência de um possível marasmo. O governo federal anunciou que pretende reduzir entre 36,1% e 38,9% a emissão de gases do efeito estufa até 2020. “O fato de o país ter estabelecido metas voluntárias nacionais de redução para suas emissões pode criar um constrangimento tal que forçará os países desenvolvidos a colocarem suas metas na mesa”, afirma o coordenador de pesquisa do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), Paulo Moutinho. Um dos possíveis entraves é justamente esse. Os países desenvolvidos não querem aumentar suas metas sem que as nações emergentes, que não são obrigadas a seguir um índice, estabeleçam seus níveis de redução.

Esperar acordo global detalhado e aprovado ao final da COP 15, entretanto, é otimismo demais, na visão de Moutinho. Afinal, questões complexas estão sendo colocadas em jogo. “É necessário que os países ricos se comprometam em reduzir as emissões totais em pelo menos 40% até 2050, e que as nações em desenvolvimento se empe­nhem em ajudar na tarefa, mesmo que voluntariamente”, diz.

Estados Unidos e China, porém, embora tenham declarado que os países desenvolvidos irão apresentar metas de redução de CO² na atmosfera, ainda não falam em percentuais próprios. Os dois países são os maiores emissores de gases de efeito estufa do mundo. A China, no início do ano, anunciou que reduzirá em grandes quantidades a emissão de gases e investirá pesado na produção de energias renováveis. Nos EUA o Senado discute lei que estabelece metas de redução de emissões para o país. “Antes dessa lei ser aprovada, o governo norte-americano não avançará na proposição de metas concretas”, acredita Moutinho.

O impacto financeiro sobre a economia de cada um deles com as mudan­ças que terão de ser implementadas no processo produtivo e no padrão de vida da população é grande. O que explica, em parte, a dificuldade de se chegar a um acordo global definitivo. Outro ponto-chave das discussões refere-se ao financiamento e à transferência de tecnologia dos países ricos aos colegas em desenvolvimento para implementar ações de diminuição das fontes poluentes. “Não deverá haver divergências nessa questão”, acredita Nogueira.

Entre tantas opiniões, quatro pontos são considerados essen­ciais para que as negociações em Copenhague sejam bem-sucedidas, segundo afirmou em recente entrevista o secretário executivo da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mu­dança do Clima, Yvo de Bôer (ver quadro). Na questão da transferência de tecnologia aos países em desenvolvimento para produção de energia limpa o Brasil sai em vantagem. O país é referência no assunto por ser o precursor do uso do etanol e de outras fontes renováveis. A experiência brasileira nessa área, aliás, é um dos pilares para as estratégias nacionais de redução da emissão de gases, que incluem recuperação de pastagens degradadas para plantio de eucalipto e produção de energia. As metas nacionais preveem ainda a diminuição das queimadas no cerrado e na Amazônia por meio de medidas como a intensificação do policiamento florestal e da fiscalização direta em pontos vulneráveis, a racionalização do consumo de energia elétrica e a diesel pelo incentivo a outros modais de transporte, como ferroviário e hidroviário e redução do desperdício no uso do automóvel pelos consumidores.



COP 15

O que é necessário para que a COP 15 seja bem-sucedida:

- Apresentação de metas claras e ambiciosas pelos países desenvolvidos
- Propostas concretas de contribuição por parte das nações em desenvolvimento como China e Índia no controle dos gases-estufa
- Financiamento adequado dos países ricos para ajudar os emergentes a reduzirem as emissões e se adaptarem aos impactos das mudanças climáticas
- Estabelecimento de mecanismo para gerir os financiamentos

(Fonte: ONU)


 
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