Quinta, 09 de Fevereiro de 2012
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Aviação

Risco de apagão

Desta vez nada a ver com Itaipu, descarga elétrica, muito menos curto-circuito. Trata-se do tráfego aéreo brasileiro e a crescente demanda de passageiros. Sem investimentos, uma nova pane no sistema pode estar próxima

Texto: Terezinha Moreira | Fotos: Arte: Paulo Werner/3D1 e Robson Regato


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É aquela velha história: a cozinheira dobra a receita do bolo, mas mantém a mesma forma. Resultado: num determinado momento a massa vai transbordar, sair para todos os lados, sujar o forno e por aí vai. A mesma comparação pode ser feita em relação ao tráfego aéreo brasileiro. A massa vem aumentando a cada ano. De acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o total de desembarques domésticos aumentou 42% em outubro deste ano se comparado ao mesmo mês do ano passado. Resultado: 5,369 milhões de pessoas desembarcaram nos aeroportos brasileiros. Já a forma utilizada para suportar os novos ingredientes continua a mesma. Diante destas constatações, até quando nossos aeroportos suportarão a realidade exata dos números sem que ocorra mais um caos na aviação civil brasileira, como a de 2008, caso não ocorram investimentos pesados?

A Infraero confirma a tendência de aumento na demanda de passageiros nos aeroportos brasileiros para os próximos anos. Aliás, raríssimas vezes a demanda pelo transporte aéreo caiu, sempre duplica a cada sete anos. Em nota, a Infraero afirma a existência de diversas obras de pequeno, médio e grande portes na maioria dos 67 aeroportos que administra. No entanto, o professor de trans­por­tes aéreos e aeroportos da Faculdade Politécnica da USP, Jorge Eduardo Leal Medeiros, ressalta que até houve investimento em aeroportos do Nordeste, mas outros grandes e muito utilizados, como o de Guarulhos, na Grande São Paulo, foram esquecidos. “Estudam a ampliação em Guarulhos há 10 anos e este estudo nunca é concluído”, diz o professor.

Na opinião de Jorge Medeiros a Infraero não tem demonstrado ser uma empresa disposta a fazer os investimentos necessários, já que deixou de aplicar recursos nos aeroportos que administra, apesar da necessidade. Além do mais, o poder público, segundo o professor, não tem priorizado os aeroportos brasileiros. Por isto, ele é a favor de que haja privatizações ou concessões de alguns deles para empresas privadas. O presidente da Azul Linhas Aéreas, Pedro Janot, não vai tão além, mas indica pontos que poderiam ser transformados dentro da Infraero. “Deveria ter continuidade de projetos na empresa, que já trocou de presidente três vezes desde julho do ano passado; é preciso ampliar e equalizar a capacidade dos aeroportos”, salienta. Janot diz, ainda, que os aeroportos de Guarulhos está saturado, o de Congonhas limitado a 34 voos por hora e no de Brasília faltam terminal de passageiros e pátio pa­ra aeronaves. No entanto, de acordo com a Infraero, não há aeroportos em situação crítica, do ponto de vista de segurança e infraestrutura. Porém, a Infraero tem urgência nas reformas e melhorias que estão sendo feitas no Galeão e na retomada das obras de Guarulhos, Goiânia, Macapá e Vitória, alega a empresa.


Pedro Janot: “É preciso ampliar e equalizar a capacidade dos aeroportos”
Pedro Janot: “É preciso ampliar e equalizar a capacidade dos aeroportos”

Outra ação da Infraero deverá ser nas 12 cidades que serão sedes da Copa do Mundo 2014. As intervenções nos 16 aeroportos são consideradas prioritárias. Para Pedro Janot, estes investimentos vão apenas atenuar os problemas, já que a projeção é de crescimento da aviação civil no Brasil. “Em Viracopos, por exemplo, não vi resul­tados importantes das intervenções até o momento”, destaca o presidente da Azul. Ele salienta que em São Pau­lo, nos últimos quatro anos, o nú­mero de passageiros não aumenta por falta de estrutura dos ae­ro­portos, que estão sobrecarregados. Para Janot, a curto prazo, o ideal seria melhorar o processo de gestão na Infraero, mas no caso de São Paulo, a saída seria a construção de mais um aeroporto; de Belo Horizonte, a abertura da Pampulha para aeronaves superiores a 50 assentos, pois Confins já está com problema de capacidade. Na opinião do economista Luiz Carlos Mendonça de Barros, se os investimentos na infraestrutura aeroportuária não forem concretizados lo­go, o país poderá ter grandes proble­mas com o transporte aéreo. “Es­tamos prestes a viver um caos na aviação civil. Por isto, os investimentos em nossos aeroportos têm de ser iniciados o mais rápido possível”, destaca o economista.

Entre as obras que estão previstas para o próximo ano, estão o início da reforma do terminal de passageiros e a construção do segundo viaduto de aeronaves em Brasília, e, em Por­to Alegre será ampliada a pista de pousos e construído um terminal de cargas. Há também a previsão da conclusão e entrega da pista de Parnaíba e da torre de controle de Congo­nhas. A estimativa da Infraero é de teto orçamentário de 1,5 bilhão de reais. Mas é possível que haja adequações dentro da Lei Orça­mentária Anual. “O problema é que só se fala em projeto, mas eles não são colocados em prática”, lamenta Pedro Janot. O executivo completa que espera que as obras sejam realmente concretizadas, mas sem atravancar a movimentação dos aeroportos. Os passageiros agradecem.

Congestionamento no ar e em terra

Desembarques em linhas internacionais
- Aumento de 11,85% em outubro/2009 em relação a outubro/2008
- Aumento de 7,22% em outubro/2009 em relação a setembro/2009
- Desembarques: outubro/09: 1,884 milhão / setembro/09: 1,757 milhão / outubro/2008: 1,685 milhão

Assentos em voos nacionais
- Oferta de assentos aumentou em 20,52% em outubro/09 para o mesmo mês deste ano 
- Número de assentos: subiu de 6,139 milhões para 7,399 milhões de assentos ofertados

Assentos em voos internacionais
- Foram oferecidos 2,475 milhões de assentos em outubro/09, o que equivale a 7,02% a mais do que os 2,312 milhões de outubro/08 e 3,77% a mais que os 2,385 milhões de assentos oferecidos em setembro/09

Acumulado do ano
- Desembarques até outubro/09: 45 milhões, quantidade 13,47% superior aos 39,666 milhões registrados nos 10 primeiros meses de 2008
- Assentos ofertados (doméstico): alta de 13,73%, passando de 60,433 milhões para 68,731 milhões
- Assentos ofertados (internacionais): aumento de 0,42%, passando de 25,074 milhões para 25,179 milhões

Fonte: Anac

Aviação nacional em números

Cia Aérea / Variação em outubro (%) / Fatia de mercado (%)
Abaeté / 13,06 / 0,00  
Air Minas / 8,58% / 0,04
Azul* / – / 4,44  
Gol/Varig  / 46,90 / 41,70
Meta / -12,32 / 0,03
NHT / -10 / 0,03
Ocean Air  / 30,30 / 2,38
Pantanal / 14 / 0,15
Passaredo / 128,47 / 0,42
Puma Air / -90,03 / 0,00
Rico / -66,15 / 0,02
Set / 0,02 / –
Sol* / – / –
Tam / 22,27 / 44,58
Team / -60,92 / 0,00
Total / -5,89 / 0,10
Trip / 75,32 / 1,73
Webjet  / 94,42 / 4,47

*Não têm base de comparação com outubro/2008.

Fonte: Anac

Belo Horizonte

Aeroporto de Confins     

Obra / Valor (milhões)  / Data conclusão 
Reforma e ampliação do terminal de passageiros / R$ 221,13 / dezembro de 2013 
Ampliação e recuperação da pista de pouso e decolagem, expansão do pátio principal e do pátio do terminal de carga / R$ 162,40 / dezembro de 2013 
Edifício garagem (TPS 2) e estacionamentos descobertos: total / 4.403 vagas /  R$ 83,77 janeiro de 2014 
Ampliação do estacionamento de veículos / R$ 8,63 / fevereiro de 2010 

TOTAL:  R$ 475,93    
         
Aeroporto da Pampulha

Obra / Valor (milhões)  / Data conclusão 
Ampliação do pátio de aeronaves / R$ 3,50 / fevereiro de 2013 
Adequação do estacionamento de veículos / R$ 1,58 / dezembro de 2013 

TOTAL:  R$ 5,08

TOTAL GERAL:   R$ 481,01


 
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