Sexta, 10 de Fevereiro de 2012
Logo Revista Viver Brasil - Assim é viver
 

Artigo

O colapso do dólar

Texto: Wagner Gomes
Envie seu comentário
Wagner Gomes - Administrador de empresas

Estaria o Euro desafiando a reputação do dólar americano? Avinash Persaud, presidente da consultoria financeira britânica Intelligence Capital Limited, expõe assim seu ponto de vista: acredito que a atual crise financeira vai apressar o fim do dólar como a moeda de reserva do mundo. Efetivamente, contra ele, conspiram fatos como a fragilidade dos bancos americanos que, aliada aos abalos das instituições reguladoras, a exemplo do Federal Reserve, fragiliza a liderança política dos EUA. A Europa desenvolveu sua própria moeda e ao vê-la em permanente processo de valorização, mostra sua competência frente à moeda americana. Seus líderes, no entanto, não mostram predisposição de a transformarem em reserva mundial. Uma potência em franca ascensão econômica, como a China, poderia candidatar-se a ter sua moeda como eventual sucessora do dólar? Dificilmente isto ocorreria, pois a China não tem o mercado aberto ou instituições, com credibilidade, para assumir esse papel, embora Avinash Persaud lembre que essa era a mesma situação dos EUA no século passado, eis que até 1913 não possuíam, ainda, um Banco Central.

Algumas poucas décadas após, sua moeda já desafiava a libra esterlina em todo o mundo. Há que se considerar que a China, após ultrapassar a marca de US$ 1 trilhão em bens lastreados em dólar, tem enorme interesse em mantê-lo forte, tornando-se, pois, um fiel da balança nesse frágil equilíbrio financeiro que vivenciamos. Já o gigante americano, que muitos julgam ferido de morte, tem fatores de peso que o resguardam nesse cenário favorável a mudanças: uma formidável posição geopolítica, amparada por forte presença militar e por sua conhecida capacidade de superação e renovação de conceitos e valores. Por tudo isso os grandes fóruns econômicos tentam adivinhar o futuro do dólar, cuja visão mais se assemelha a uma gangorra em seus movimentos de sobe e desce, em desconcertante oscilação. O seu uso como moeda internacional resultou do sucesso militar da América na Segunda Guerra Mundial e, desde então, reina soberano e absoluto, respondendo hoje por mais de 40% do comércio internacional. Lembrem-se de que o euro tem atendido à União Européia, e a dupla iene japonês com yuan chinês domina ao sul da Ásia. O fato é que os produtores americanos estão em verdadeira lua de mel com esse quadro, pois, com sua moeda mais fraca melhoraram, significativamente, as exportações, que vêm reanimando sua combalida economia. O mais provável, a exemplo do que já vem ocorrendo quase imperceptivelmente, é que, em breve, não mais haverá um único país sendo o guardião da ordem econômica mundial como vinha ocorrendo nas últimas décadas e, tampouco, reinará uma moeda única. As reservas dos países formar-se-ão com uma cesta de moedas, determinando uma nova forma de equilíbrio das potências econômicas. E o dólar que hoje parece, a um só tempo, não ser a moeda dos Estados Unidos, mas sim um problema mundial, tornar-se-á, apenas, uma das moedas do mundo, e, substancialmente, um problema americano por excelência. 

 
Compartilhe:    Bookmark com Delicious Bookmark com Delicious  Bookmark com Digg  Bookmark com Facebook  Bookmark com /.   Bookmark com Google  Bookmark com StumbleUpon   Bookmark com Technorati  Bookmark com Linkarena  Bookmark com Yahoo  Bookmark com SEOigg  Bookmark com Spurl  Bookmark com Live  Bookmark com Rec6  Bookmark com Myspace
Versão para Impressão  Versão Impressão    Assinar NewsletterNews:    

Busca no Portal

 
  

Blog do PCO
Assinatura Anual

© Copyright 2009, Revista Viver Brasil – MG-030, nº 8625. Torre2 – Shopping Serena Mall – Vale do Sereno.
Cidade: Nova Lima – MG / CEP:34000-000 | Telefone: (31) 3503-8888