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Moda
Tão longe, tão perto
O calor do verão bate à porta, mas o assunto já são as tendências do outono-inverno 2010
Texto: Luciana Avelino | Fotos: Weber de Pádua
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 Renata Kuerten usa casaco de trecê preto Apartamento 03, bota Studio TMLS e colares Mary Design
O alto verão ainda não bateu à porta e, talvez, o novo modelo de biquíni, peça ícone da estação, nem tenha sido escolhido. Em contrapartida, tendências fashions do outono-inverno 2010 já começam a dar o ar da graça. A estreia ficou por conta da quinta edição do Minas Trend Preview, semana passada, na capital mineira. Em janeiro, é a vez do Fashion Rio e do São Paulo Fashion Week. Para sobreviver à escrita e leitura de tamanha antecipação da moda, a dica é tentar abstrair momentaneamente as diferenças de temperatura e resgatá-la na próxima temporada.
Neste guarda-roupa feminino do futuro, influências de estilo dos anos 80, 60 e 20 marcam criações, em novas versões e conceitos. Pelo que tudo indica, o inverno será mais colorido do que o usual. “Boa tentativa do segmento de afugentar crises e afins. Ninguém quer um inverno triste”, adianta Camila Faria, da Vivaz, que apostou em brilhos, tons metálicos e cores como vermelho, azul royal, pink, amarelo e roxo. Ainda na cartela de cores da estação em geral, o preto, incisivamente presente, e cinzas, além de composições bicolores, tricolores em peças únicas.
Os vestidos ganham modelagem ajustada ao corpo em prol da valorização da silhueta feminina e dimensão micro, assim como as saias. Os ombros ganham destaque. As mangas são marcadas, têm volume. Modelos de um ombro só aparecem com frequência nas coleções. Os brilhos arrematam as roupas a partir de aplicações de pedras, paetês, metais e tachas. Peças totalmente bordadas – coletes, jaquetas, tubinhos e saias – conjugadas com outras básicas, limpas, personificam up grade do visual. As renegadas ombreiras de outrora estão de volta. Surgem em casacos e vestidos, agora de forma mais sutil, harmoniosa.
Ainda em evidência, vestidos recortados, tipo bandagens, e inspiração dos anos 60: saias godês, amplas, à la new look Dior, e cinturas marcadas por cintos ou pela própria modelagem. Na composição dos tecidos, tipos metálicos, texturizados, amassados, acetinados, tecnológicos, com elastano, tafetás com memória, cirrês, lurex, lamês e veludos leves. Como detalhes de construção, drapeados, pregueados, franzidos, efeitos moulage. Os modelos de festa seguem influência da alfaiataria. As mangas são elaboradas, os casacos têm cortes retos, franjas, bordados, em releitura pop dos anos 20.
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Jordana Ribeiro usa trench coat e vestido de jacquard barroco Victor Dzenk, bolsa La Spezia, colares e gargantilha B&S e sapatos Claudia Mourão |
Para compor o look, as companheiras bijus de toda hora. Em tamanhos máxi, configuram produções poderosas. “As sobreposições também continuam em alta, principalmente de colares e pulseiras, assim como o mix de peças de materiais, tamanhos, formatos distintos”, diz Nivia Marisguia, da grife Claudia Marisguia Bijoux. Para uma mistura bem-sucedida, a designer ensina que o bom senso pede para não carregar a mão. “O uso de um colar de pérola com correntes de metal ou de peças diferentes de mesmo banho são combinações interessantes.”
Referências clássicas do inverno, as pérolas vêm repaginadas. Além da tonalidade grafite, compõem misturas na estrutura e montagem dos colares. O couro é outra matéria-prima bem explorada: liso, metalizado e croco. Os metais também vêm fortes. Integram aplicações de ilhoses, tachas e ribites de braceletes de couro, em clara referência glamourizada do movimento punk oitentista. As correntes lisas de metais ressurgem de maneira enfática em diversos comprimentos, tamanhos/formatos de elos (quadrado, oval e retorcido). A mesma linha de multiplicidade é seguida pelas esferas de metais.
Em termos de preferência de banhos, ouro e prata (em porcentagem maior para o envelhecido) dividem a aposta do mercado, segundo a designer Nivia Marisguia. Cristais swarovski, pedras, estruturas com rendas e cetim pontuam as peças, em prol de diferenciais. Nos cabelos, enfeites não faltam: grampos adornados, tiaras. Nas mãos, anéis de dimensões generosas e estilo minimalista. Os brincos são dotados de balanço, volume, brilho. Em destaque, as atemporais argolas.
A tiracolo e nos pés, bem-vinda democracia de modelos e estilos. “Vivemos uma hipervalorização dos acessórios”, resume Joana Mourão. Entre os modelos de sapatos mais reproduzidos pela marca Cláudia Mourão e mercado de forma geral, sapatilhas, abotinados, sandálias (para usar com meias fio 40), meia-patas, peet toe (com aberturas na frente) e botas, de cano alto, altíssimo e curtos (uncleboots) em variações de tons que vão dos clássicos da estação (cinza, marrom e preto) aos envelhecidos, metalizados e acobreados.
Ainda no quesito botas, modelos sofisticados de hipismo e cowboy (com franjas) em saltos altos, médios ou solados rasteiros. “Outros destaques são o verniz e detalhes de elástico”, diz Joana. Os saltos são atrações à parte. Supertrabalhados e elaborados, contam com formatos diferenciados: quadrados, vazados, finos, arquitetônicos. Ao lado do couro liso, estampas de animais selvagens em new look. A referência tradicional da pele de bichos ganha toques de cor. Arremates de flores, laços, jogos de costura, drapeados, patchworks e ferragens douradas e de tons envelhecidos enriquecem os modelos. Variações de tipos de bolsas atraem atenção para braços e mãos. Sim, as carteiras permanecem em alta conta. Além das máxi, modelos transversais de estilo Chanel com metalassê têm espaço garantido.
FICHA TÉCNICA: PRODUÇÃO DE MODA: ANDREIA PIMENTA E CAROL BREVIGLIERI ASSISTENTES DE PRODUÇÃO: ÉRICA ARAÚJO E GLÁUCIA PATRUS BELEZA: RONNIE PETERSON ASSISTENTES DE FOTOGRAFIA: ANNA LARA E ROBSON GOES MODELOS: RENATA KUERTEN (MEGA SP), BÁRBARA ZANCO (V BRASIL MODEL MANEGEMENT), JORDANA RIBEIRO (WHY MODELS)
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