|
LazerBH elétricaCena eletrônica na capital mineira começou timidamente há 20 anos. Hoje ganhou ares planetários e público eclético
Texto: Raquel Ayres | Fotos: Renato Cobucci
|
Não é possível falar em experimentações sem os nomes de Anderson Noise e Marcelo Marent, que deram o pontapé inicial nesta brincadeira que virou coisa séria. Começaram a organizar baladas em shoppings, frigoríficos, hospício, túnel, estação ferroviária. “Festas bem produzidas, com som espetacular. Era por amor, no peito e na raça”, destaca o DJ Robinho, precussor da cena eletrônica e passaporte carimbado em eventos de porte do próprio Creamfields. A cidade começava a desfiar a meada que, em Ibiza (ilha espanhola), ficou conhecida por verão do amor. Nos Estados Unidos culminou nas festas em galpões, que não contavam com divulgação, e na Europa resultaram nas raves. Podia-se dizer que ainda se tratava do mundinho underground. Como bem ressalta Mille, tanto em BH como no mundo, o público que ia tomando contato – e gostando – desta vertente musical contava com alto poder aquisitivo e era habituado a viagens ao exterior. “Por isto o fenômeno da música eletrônica não é mineiro ou brasileiro. É mundial. Grandes corporações começaram a investir neste segmento.” Leia-se telefonia celular, marcas de refrigerantes, cervejarias, fabricantes de cigarros. Negócios: é o outro lado deste cenário belo-horizontino. |
Os produtores enxergaram tais festivais como boa opção comercial. A música eletrônica, em especial a house music, ocupou lacuna existente no setor de entretenimento. Dos guetos passou a ser a trilha que vai a vernissages, locais sofisticados. “Acho que essa nossa insistência de apostar em festivais foi aos poucos conquistando o público. E olha que é difícil competir com o Rio de Janeiro e São Paulo. Conseguimos colocar BH como rota de bons artistas internacionais”, diz Otacílio Mesquita (da produtora Trance Moviment). Na opinião do empresário Bruno Carneiro, sócio da produtora E-Spirit (também responsável pelo Creamfields), o mineiro é democrático. “Aqui não temos radicalismos. Somos comprovadamente a maior audiência em música sertaneja, recebemos o maior festival de pop rock e a maior micareta de axé fora da Bahia.” O produtor Didio Mendes, da Label #12 e da WDB Manegemant (agência mundial de DJs com sede na Suíça) é responsável por trazer DJs de renome internacional, como Erik Morilo e Sebastian Imbrosso. Segundo ele, a cena eletrônica em BH não perde para São Paulo. “Produtores, festivais e agências estão baseados aqui.” Rafael Mendes, 27 anos, é também DJ e frequentador da cena eletrônica. Segundo ele, os eventos têm evoluído no ritmo dos avanços tecnológicos. A isto unem-se decorações extravagantes e iluminação a laser. “Todos os sentidos do público serão influenciados. É uma experiência mais legal para quem dança, mexe com a imaginação e curiosidade.” Em sua opinião, o Creamfields tem significado bem particular, uma vez que é um festival “delicadamente construído pela história da música eletrônica.” |
Se nos primórdios da pequena Guilden ou de outros eventos ditos alternativos era possível definir o perfil de quem comparecia, hoje, segundo o DJ Robinho, vai até quem não gosta da música. “Antes, as pessoas procuravam festa diferente, música idem. Ambientes onde pudessem encontrar pessoas que compartilhavam do mesmo ideal. Hoje, para chegar perto deste ideal, só mesmo em festas privês, lugares menores ou clubes bem underground.” Natália Fonseca Xavier D’Alcântara, 27 anos, frequenta festas de música eletrônica e já deixou a agenda reservada para o Creamfields. “O line up é sempre caprichado e a estrutura permite escolher gêneros.” Claro que a vinda de David Guetta é aditivo à parte. Cita ainda Raja RAM e Rinkadink como atrações também especiais. |
Quem éAnderson Noise
Marcelo Marent
Onde nasceu a música eletrônica em BH
Raves
Primeiro registro de grande corporação patrocinadora de festa música eletrônica:
|