Terça, 22 de Maio de 2012
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Entrevista

As caras do Brasil

Zezé di Camargo e Luciano, a dupla sertaneja que mais vendeu CDs no Brasil, falam da carreira, do sucesso, de política e revelam algumas de suas preferências

Texto: Nayara Menezes | Fotos: Daniel de Cerqueira


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Eles formam a dupla sertaneja mais popular do Brasil. São 18 anos de carreira e mais de 22 milhões de CDs vendidos. Pesquisas apontam Zezé di Camargo e Luciano como os músicos brasileiros mais lembrados por jovens entre 18 e 24 anos. O filme Dois Filhos de Francisco, que conta a história da família Camargo, bateu recordes de bilheteria nacional. Em entrevista exclusiva concedida à Viver Brasil, Zezé e Luciano falam dos dois shows que farão na capital mineira nos dias 27 e 28 de novembro em comemoração ao primeiro aniversário da revista Viver Brasil. Avaliam os frutos colhidos, os dissabores da fama e o carinho especial por Minas que, segundo eles, é o estado onde mais se apresentam atualmente.

Pela primeira vez na carreira, vocês farão dois shows seguidos em uma mesma cidade. Por que escolheram BH para esse novo projeto?
Zezé - Na verdade, todas as ocasiões que estivemos aqui ficou um gostinho de quero mais. Várias vezes muitas pessoas não conseguiram ir ao show, pois os ingressos se esgotaram muitos dias antes. Ficamos sempre com a impressão de que se fizéssemos outra apresentação, atenderíamos a todo o público mineiro, que sempre é muito solícito com a gente. Então, conversando com o Tim (Tim Soier, produtor de shows), resolvemos fazer essa experiência.

E qual é a relação de vocês com o estado?
Zezé - Nós sempre tivemos um carinho especial por Minas, acabei de gravar uma campanha sobre o idoso para o governo do estado. Tenho grandes amigos em BH. Além disso, Minas é hoje o estado que a gente mais faz shows no Brasil, superando São Paulo. Estar aqui é sempre muito bom.

Costumam sair quando vêm aqui?
Zezé e Luciano - Sim, vamos a muitos restaurantes. Gostamos muito de comida típica. A culinária mineira é uma delícia, bem parecida com a goiana.

Vocês foram convidados para gravar a música Meu Primeiro Amor para a trilha sonora do longa Lula, o Filho do Brasil, de Fábio Barreto. Como receberam o convite?
Zezé - Vai ser uma honra ter nossa música no filme. Eu sou um dos maiores cabos eleitorais do Lula e do Aécio. Se os dois candidatassem, eu estava perdido (risos). Ainda bem que a legislação brasileira não permite que o Lula se candidate novamente.

E em relação aos candidatos atuais, vocês já têm alguma preferência?
Zezé -
Ainda está cedo. Temos que esperar os programas, os debates, conhecer as propostas de cada um, avaliar, para depois decidir o voto.

Pesquisa realizada pelo DataFolha indicou vocês como os artistas mais populares e escutados do Brasil. E em outra aparecem como os mais citados por jovens de 15 a 24 anos. A que atribuem o sucesso, em especial, com os jovens?
Luciano -
Acho que carreira de um artista é renovada aos anos. Nossas músicas são cantadas por gente de toda a idade, a criança que vê a mãe e começa a gostar. Um dos fatores que ajudou a gente a manter essa fidelidade tanto pelo público mais velho, quanto o jovem, foi o filme, que nos aproximou muito das pessoas. Eu fui assistir ao filme em vários cinemas, desde a classe mais alta até mais baixa. A partir desse dia, tive a certeza de que Zezé di Camargo e Luciano conseguiram atingir todas as classes sociais.  

E como vocês se sentem sendo artistas tão populares em todas as classes e sabendo que o filme de vocês bateu recorde de bilheteria de um filme nacional?
Zezé e Luciano -
Com uma responsabilidade enorme. É como aquele ditado, você é responsável por aquilo que cativa.

No filme Dois Filhos de Francisco, o pai de vocês foi o grande homenageado. Agora o livro Simplesmente Helena conta a história da família Camargo sob a ótica da mãe de vocês. É uma forma de retribuir o que eles fizeram por vocês?
Zezé -
Pode ser, mas na verdade, foi uma coincidência. As coisas foram acontecendo. Quando resolvemos fazer o filme, não tinha como contar nossa história sem mostrar como tudo começou, falar sobre as nossas raízes. Agora o livro é um complemento, pois, não dava pra contar toda a história em apenas duas horas. É também a visão da nossa mãe. 

Confira o vídeo desta matéria clicando aqui.


As viagens a trabalho são meu refúgio. Sinto saudade da família, dos filhos, mas não gosto de ficar em casa, parado
As viagens a trabalho são meu refúgio. Sinto saudade da família, dos filhos, mas não gosto de ficar em casa, parado

Acreditam que a grande aceitação do público ao filme se deve a uma identificação das pessoas com vocês?
Luciano -
Creio que já existia a aceitação do público, mas atingir esse outro patamar a que antes não chegávamos, sim, pode ser que tenha a ver com a identificação. Hoje, a pessoa pode até não gostar, mas respeita o trabalho da gente. O Zezé falou uma coisa esses dias que me fez pensar: em qualquer lugar hoje que vamos somos reconhecidos. Muitas pessoas podem não ter coragem de chegar pra pedir um autógrafo, mas vão cutucar um ao outro e comentar que estamos lá.

Mas isso é bom ou incomoda, o fato de não poderem sair anonimamente?
Zezé -
Depende. Tem pessoas chatas independentemente da situação. Mas muito raramente as pessoas são inconvenientes com a gente.
Luciano - Uma vez estávamos num restaurante e uma mulher olhou pro Zezé e disse: não adianta querer comer, que eu vou fazer uma foto. Poxa, a gente até podia fazer a foto, mas estávamos ali também pra comer. Então depende da forma de abordar. Graças a Deus a maior parte das vezes as pessoas são carinhosas, educadas, então não nos incomoda esse assédio.

Vocês fazem uma média de 120 shows por ano. Com isso a convivência de vocês deve ser muito intensa. Como lidam com isso?
Zezé - Divergência sobre alguns assuntos claro que temos. Mas diferente do que muitos pensam, não convivemos tão intensamente. A gente se encontra no avião, no hotel vai cada um pra um quarto. No local do show a gente se divide pra atender imprensa, fãs etc. Tempo pra nós dois é pouco. Estamos sempre dividindo funções e o espaço.

Já aconteceu de se desentenderem e terem que subir ao palco brigados?
Zezé-
Já aconteceu, mas o trabalho está acima disso. Quando subimos lá pra cantar, esquecemos de qualquer divergência.

E como é ficar tão pouco tempo ao lado da família? Das esposas, dos filhos?
Zezé -
Eu costumo dizer que as viagens a trabalho são meu refúgio. Eu não sou nem um pouco caseiro, adoro de viajar, sair, lidar com o público... Sinto saudades da minha família, dos meus filhos, claro, mas não gosto muito de ficar em casa, parado. A sensação que tenho é que o mundo está andando e eu estou perdendo as coisas acontecendo. Tenho espírito cigano, quando não tem o que fazer, eu acho! Já o Luciano é mais caseiro, quieto.
Luciano - Eu gosto bastante de ficar em casa, ver um filme, ir ao cinema. Mas a minha esposa viaja sempre comigo durante as turnês, o que ajuda bastante a não sentir tanta saudade assim. 

Se vocês não fossem cantores, qual profissão seguiriam?
Luciano -
Eu seria um vagabundo. Ia ser o quê? Não estudei, não me formei em nada. Desde moleque já nos envolvemos com música. Não tem como imaginar outra coisa.
Zezé - Acho que de qualquer forma eu ia mexer com música. Não me imagino fazendo outra coisa a não ser a música.

Vocês já cantaram com parcerias diversas, como Ivete Sangalo, Ângela Maria, Fagner, Caetano, Roberto Carlos e até Chico Buarque. Teve alguma dessas que foi mais marcante ou mais difícil pela diferença de gêneros?
Zezé - Todas foram muito especiais, pois, tivemos o privilégio de cantar com vários nomes importantes da música. E, por incrível que pareça, não tivemos nenhum estresse. Até chegamos a pensar que com o Chico pudesse ser uma coisa mais difícil, por serem gêneros mais antagônicos e por ele ser uma pessoa mais reclusa. Quando a gravadora teve a ideia, imaginei que ele nem fosse aceitar, mas topou na hora. A gravação foi tranquila, ele foi supersimpático, acessível.

Quais são seus maiores ídolos na música?
Zezé e Luciano -
Roberto Carlos. Não tem como ser outro. Nós o idolatramos não só como cantor, mas como profissional e como pessoa.

A aceitação do filme Dois Filhos de Francisco me deu a certeza de que nós conseguimos chegar a todas as classes sociais
A aceitação do filme Dois Filhos de Francisco me deu a certeza de que nós conseguimos chegar a todas as classes sociais

Zezé, você passou por um problema nas cordas vocais. Teve medo de perder a voz?
Zezé - Muito. É uma experiência que não desejo a ninguém. Fiquei realmente preocupado. A minha voz é meu instrumento de trabalho, cantar é minha paixão, a minha vida.

E o que foi exatamente o problema?
Zezé -
Até hoje não sei explicar direito. Os médicos disseram que eu tinha um cisto congênito na corda vocal, ou seja, nasci com ele. Mas não compreendo por que nunca me prejudicou e de repente... Acho que junta o psicológico, o medo, a insegurança.

E depois da cirurgia como anda a voz?
Zezé -
Agora tá 100%, graças a Deus. Logo depois ainda senti um pouco, mas agora já estou zerado.

Luciano, você é uma das segundas vozes mais ativas das duplas sertanejas. Inclusive já gravou várias músicas como primeira voz. Como se sente?
Luciano -
O Zezé sempre me deu essa responsabilidade e oportunidade. Ser a segunda voz do Zezé já é muito difícil, pois, ele não só canta, como interpreta muito bem. Ele faz tão bem, que tenho que tentar fazer à altura. Confesso que não me sinto tão à vontade de ser a primeira voz, porque não sou tão seguro assim. Nesse show do DVD faço solo em três músicas, duas nossas e uma do Jota Quest. Tento fazer o melhor possível, mas não fico tão tranquilo.

Qual a maior qualidade de vocês?
Zezé –
Perseverança.
Luciano – Coração grande.

E o defeito?
Zezé – Orgulho.
Luciano – Teimosia.

O que mais gostam de fazer?
Zezé –
Ficar na fazenda tocando violão com os amigos.
Luciano – Ficar em casa com minha mulher, ver um filme, ir ao cinema.

Música que mais gostam de cantar?
Zezé – A mais nova Faça Alguma Coisa. Música é igual mulher, a gente sempre gosta da mais nova. (risos).
Luciano – São muitas, mas em especial, da Dou a Vida por um Beijo.


 
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