Já pensou fechar os olhos, viajar por um mundo de descobertas e, ao abri-los, avistar bem de pertinho o que antes era só imaginação? Desbravar a evolução de brinquedos que fizeram a alegria de gerações, conhecer rituais e cerâmicas indígenas ou interagir com formas contemporâneas que são prato cheio para os mais curiosos? Para conhecer estes e outros elementos não é necessário ir para longe ou limitar-se ao universo da TV ou do computador. Os museus de Belo Horizonte e região metropolitana oferecem um universo de possibilidades, com programações diversificadas e por vezes gratuitas. Basta ter fôlego para novidades e disposição para muito conhecimento.
O hábito de frequentar casas de cultura ou museus, porém, ainda não integra o cotidiano de grande parte dos belo-horizontinos. É inegável que chega a ser expressivo o número de visitantes em algumas exposições da capital, principalmente as temporárias. Entretanto, nem todas contam com grande público. Apesar da oferta variada, ainda falta divulgação e, principalmente, formas de incentivo ao bom e velho costume de conhecer culturas, histórias, elementos do passado e do presente – e por que não, do futuro – em espaços reservados a este fim.
O Museu dos Brinquedos, somente este ano, já contou com cerca de 14 mil visitantes. Em 2008, registrou aproximadamente 15 mil pessoas dispostas a conhecer a evolução dos brinquedos desde as antigas civilizações até as atuais, a partir do acervo de 5 mil peças. O local desenvolve ainda atividades de resgate de brincadeiras tradicionais, oficinas, possui brinquedoteca que faz a diversão dos pequenos e promove, atualmente, uma exposição temporária em comemoração aos 50 anos da Barbie, com cerca de 250 bonecas, além de mobílias e acessórios. A diretora administrativa do local, Tatiana de Azevedo Camargo, apesar de satisfeita com o número de visitantes que deverá bater recorde este ano, crê que o índice poderia ser maior. “BH é uma cidade nova, existiam poucos museus. De uns tempos para cá surgiram novas propostas, tanto particulares quanto públicas; houve crescimento, mas as pessoas tinham que conhecer mais os lugares”, diz.
Cotado entre os mais visitados do estado, o Museu de Artes e Ofícios (MAO) inaugura, neste mês de novembro, exposição temporária com cerâmicas do povo asurini, do Pará, revelando aos visitantes o ritual de sua arte gráfica e identidade. Oferecendo ainda aos mineiros acervo fixo com utensílios e equipamentos dos séculos XVIII ao XX, que representam os mais variados ofícios do homem brasileiro. Em quase quatro anos de existência o local já recebeu aproximadamente 400 mil pessoas. O número é expressivo e vem crescendo, mas, segundo a museóloga responsável, Célia Corsino, também poderia ser maior. Para melhorar este quadro, ela crê que sejam necessários maior espaço na mídia e horários compatíveis com o cotidiano do cidadão, com locais abertos até mais tarde, por exemplo. “Belo Horizonte oferece hoje uma gama de atividades, até de graça, de qualidade. Mas as pessoas precisam se mobilizar, levantar, desligar a televisão, sair de casa”, aconselha.
Referência nacional e internacional em arte contemporânea, o Instituto Inhotim, em Brumadinho, inaugurou nove novas obras em grande escala. Foi também em outubro que atingiu recorde de visitantes, cerca de 4 mil pessoas em um único dia, durante o feriado. “Temos número de visitação expressivo, mas que está muito aquém do que entendemos que deve ser feito para o acesso à cultura e arte”, explica a coordenadora de Arte e Educação, Janaína Melo. Ao lado de 11 instituições da capital, Inhotim integra uma rede informal de museus e centros culturais que, desde o ano passado, coloca em prática ações conjuntas para o fomento e divulgação das instituições, além de aumento da visitação pública.
A Casa Fiat de Cultura, que também compõe a rede ao lado do MAO e o Museu de Arte da Pampulha, recentemente destacou-se na programação de Belo Horizonte. O encerramento de duas grandes exposições no local, O Mundo Mágico de Marc Chagall – O Sonho e a Vida e Rodin: do Ateliê ao Museu – Fotografias e Esculturas, provou que acervos de padrão elevado aliados a bons projetos educativos, oficinas e estratégias eficientes de comunicação são capazes de atrair público dos mais variados níveis sociais e contribuir efetivamente para a cultura. Comemorando a visitação recorde de 191 mil pessoas em 63 dias, o presidente da casa, José Eduardo de Lima Pereira, explica que, durante muitos anos, os mineiros ficaram prejudicados com a falta de grandes exposições, retidos em um círculo vicioso que precisava ser rompido. “Meu conselho é aquele da letra do Fernando Brant com Milton Nascimento: todo artista tem que ir onde o povo está; você tem que se antecipar ao desejo do público. O público precisa ser surpreendido com aquilo pelo que deseja ou não conhece, e passa a desejar quando oferecido.”