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Artigo
As perspectivas para a economia brasileira nos próximos anos são bastante promissoras. Graças às reformas feitas no passado, à transição entre os governos FHC e Lula e à condução da política econômica durante a crise, a economia brasileira reaparece com bases sólidas e condições para crescer nos próximos anos. De fato, o Brasil pode apresentar taxas de crescimento econômico acima da média mundial. Há riscos, conforme mencionei no meu artigo anterior, mas há também oportunidades a serem exploradas, que quero abordar agora. A principal advém do mercado interno robusto. Como as economias industrializadas deverão ter crescimento mais modesto do que no período pré-crise e, em consequência, o mercado externo será menor e mais concorrido, o nível do crescimento econômico será determinado pela expansão do mercado interno. Consumidores das classes de renda mais baixa se constituíram em segmento importante do mercado interno e deverão ter peso relevante no crescimento dos próximos anos. Manter a inflação sob controle garantindo o poder aquisitivo dos rendimentos dos assalariados e dos pequenos produtores e vendedores autônomos terá papel decisivo nesse contexto. Inflação baixa é fundamental tanto para o crescimento econômico quanto para a distribuição da renda. A população brasileira já aprendeu que inflação alta corrói os salários e afeta negativamente os mais pobres. A elevação do poder aquisitivo da população de renda mais baixa estimula o consumo não só de bens não duráveis, mas também de serviços, como educação saúde, lazer, que respondem por mais de 50% do PIB brasileiro. Outras oportunidades excelentes surgem com a realização de dois eventos esportivos internacionais aqui no Brasil: a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016. Além da importância intrínseca de caráter esportivo, eles são fatores econômicos decisivos para o crescimento da economia com repercussões que se estendem além das competições e com impacto sobre o bem-estar de toda a população brasileira. Seria importante se fossem tratados como tal e utilizados de maneira estratégica no planejamento do desenvolvimento do país na próxima década. Imagino que se poderiam estabelecer metas em diferentes setores, com indicadores quantitativos a serem atingidos como decorrência desses eventos, com identificação de custos, fontes de financiamento e datas marco para o cumprimento das respectivas metas. Na área de infraestrutura, por exemplo, a reorganização e adequação de aeroportos. Da mesma forma, a readequação da malha rodoviária que tem acesso aos principais centros dos eventos, com a recuperação e a duplicação, quando for o caso. O mesmo deveria ser feito no que se refere ao transporte urbano. Imagino que a conclusão de metrô nas principais capitais é hoje mais importante do que a construção do chamado trem bala. Na área de infraestrutura, a participação privada é condição necessária, através de concessão plena ou de PPP. Na área social, seria fundamental estabelecer metas para a educação, para saúde e para a redução da violência. Finalmente, metas relativas ao ambiente de negócios, como, por exemplo, facilidade para abertura de empresas e expansão do crédito. Nas capitais onde ocorrerão os jogos, é importante a criação de agência de investimentos para identificar, organizar e priorizar as principais oportunidades a serem oferecidas aos investidores internos e externos. Enfim, as oportunidades estão aí. Se bem exploradas, o Brasil poderá conquistar vitórias importantes nas áreas sociais e econômicas. |
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