Sexta, 10 de Fevereiro de 2012
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Comportamento

Apaixonadas por carrões

Público feminino se rende à segurança, espaço interno e dirigibilidades dos utilitários esportivos e, segundo alguns revendedores, já são a maioria na compra destes modelos

Texto: Vanessa de Cobucci | Fotos: Pedro Vilela


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Kátia Rocha de Lelis: “Carro comum é o fim do mundo”

Basta observar o trânsito urbano: as mulheres já representam a maioria dos motoristas dos SUVs, como é conhecida a sigla em inglês (Sport Utility Vehicles) que determina o segmento dos utilitários esportivos. Esses carrões destacam-se no caos do asfalto pelo tamanho – com 5 metros de cumprimento, a grande maioria tem distância entre-eixos próximo dos 3 metros, e altura acima de 1.70, em média. Com rodas de aro 17 ou 18, os SUVs se agigantam em meio aos carros de passeio. Não se trata de mera impressão de observador: durante uma semana, esta repórter fez  test-drive a bordo de uma Captiva Sport 2400cc zero km. O veredicto é unanimidade que ouvi das entrevistadas e senti na pele: depois que se guia um carrão desses, qualquer um que tenha bom gosto e alto nível de exigência jamais vai querer retroceder para veículos menores. É paixão à primeira vista e pronto, com direito a fidelidade eterna. Você duvida?

Alguns dos SUVs mais vendidos no mercado brasileiro são a Captiva (Chevrolet) Sportage (Kia), Tucson e Santa Fé (Hyundai), Pajero (Mitsubishi), CR-V (Honda), X5 (BMW), Land Cruiser  e RAV4 (Toyota), Grand Vitara (Suzuki), Freelander (Land Rover), Q7 (Audi), Journey (Chrysler), Touareg (VW), Edge (Ford), Murano e Pathfinder (Nissan). Apesar da crise financeira mundial, o Brasil foi o mercado consumidor que registrou a maior alta no número de vendas de utilitários esportivos em todo o mundo, em 2008, com 147.875 emplacamentos. Vale lembrar que alguns modelos custam o equivalente a apartamentos de alto luxo. De acordo com a pesquisa realizada pela empresa de consultoria Jato do Brasil, subsidiária da inglesa Jato Dynamics, entre os primeiros 20 mercados internos mais expressivos para a categoria, o país ocupou o topo do ranking, com crescimento de 35,7% em relação a 2007. Assim, os cinco mercados que mais cresceram em vendas de SUVs foram o Brasil, Rússia (30,3%), China (28,7%), Canadá (6,5%) e Alemanha (4,2%). Apesar do crescimento contínuo nas vendas brasileiras, ocupamos o 12º lugar como maior mercado do segmento.


Fabiana Figueiredo Cordoval: “O melhor é a altura”
Fabiana Figueiredo Cordoval: “O melhor é a altura”

Redução no IPI, expansão no crédito, que pode chegar a 72 meses; economia equilibrada, que amplia o poder aquisitivo do brasileiro, design moderno e segurança são fatores que contribuíram para que o mulherio optasse por SUVs na hora da compra de um zero km, na opinião de Jorge Haddad, gestor de vendas da Jorlan. “Foi uma troca paulatina. Jipinhos, como o Tracker, eram campeões de venda entre as consumidoras. Com a chegada dos SUVs, primeiro houve compra maciça entre os homens. Hoje, quem adquire esses carros, na maioria, é mulher, pautada na excelente dirigibilidade e confiança que esses carros passam ao motorista. O câmbio automático é outro fator positivo.”

A empresária Fabiana Figueiredo Cordoval, 34 anos, já foi dona de uma picape Ranger e de uma Pajero. Gostou tanto da experiência com a SUV que, no ano passado, enquanto acompanhava o marido, o jogador de futebol Tucho, que jogava na Grécia, se encantou pela Captiva, na época, ainda inédita no Brasil. Tão logo retornou a Belo Horizonte, a empresária, que tem um filho de dois anos, correu para a concessionária e comprou sua Captiva de 3.600cc. E ainda adquiriu uma Journey. Hoje, ela se divide entre os dois mimos, que considera indispensáveis, tanto para trabalhar, quanto para viajar. “O melhor desses carros, além da potência do motor, é a altura, pois são ergonômicos para nós, que andamos de salto, que temos filhos, que carregamos tudo no carro: malas, sacolas de shopping, animais de estimação, e qualquer outra coisa sem apertar”, elogia. Outra apaixonada pela Captiva é Kátia Rocha Maciel de Lelis, 40, dona de um modelo idêntico ao de Fabiana. “Carro comum é o fim do mundo, pois são baixos demais para quem tem filho, como eu tenho o Diego, de 5 anos, e mais um york shire. Com­prei a Captiva por causa do design lindo, do motor forte, e do excelente conforto. O acabamento é perfeito. Estou muito satisfeita”, define.

Elaine Bastos: “Não pensei duas vezes. Fui lá e comprei”
Elaine Bastos: “Não pensei duas vezes. Fui lá e comprei”

Coqueluche entre a mulherada, a Tucson é a campeã de vendas entre o público feminino. “Hoje, quem compra a Tucson divide-se em 60% homem e 40% para as mulheres, mas, no quesito usuário, a lógica inverte: 80% dos motoristas são mulheres”, explica Marco Luiz Brito, gerente comercial da Tai Motors. A empresária e diretora de corretora de seguros Junia Baroni Rainato, 45, comprou uma Tucson, de câmbio mecânico, e já está de olho em uma Santa Fé. “No meu trabalho, recebo muitas mulheres que compram SUV. Sempre gostei de carro grande. O custo benefício é bom, pois a Tucson me atende bem tanto no deslocamento urbano quanto para ir ao sítio”, diz Junia.

Apaixonada por carros grandes e luxuosos, a empresária e estilista Elaine Fernandes Rezende Bastos, 51, foi dona de um Honda Civic. Porém, a baixa altura do carro a incomodava. Ela chegou a trocar o modelo por um Eco Sport, foi atendida no quesito altura, mas teve problemas com a mecânica e pouco espaço interno do modelo. “Quando vi o anúncio do CR-V, da Honda, não pensei duas vezes. Fui lá e comprei um. Faz apenas dois meses que estou guiando o meu, e amei o câmbio automático. Minha filha tem uma Tucson, acho que isso também influenciou para que eu entrasse definitivamente no filão dos SUVs. Carro normal, desses de passeio, por maior e mais confortável que seja, sorry, mas nunca mais”, brinca Elaine.

Junia Baroni Rainato: “Sempre gostei de carro grande”
Junia Baroni Rainato: “Sempre gostei de carro grande”
A empresária e miss Brasil 1998 Michaella Marchi, 31, também aderiu ao time das donas de CRV preto. “Faz um ano que comprei o meu. Na época, estava grávida, e buscava um carro seguro, com muito espaço. Já pensava onde colocar a cadeirinha do bebê. Meu marido tem uma Hilux, que eu sempre dirigi, e acabei me encantando por carrões. Agora, só vou comprar SUVs”, diz Michaella. A repórter concorda com ela e com Elaine. Uma SUV é o néctar dos deuses. Guiar um utilitário faz jus ao clichê que as propagandas desses modelos exploram: a sensação é única, de liberdade, de se destacar em meio ao trânsito, um conforto inigualável. Como diria os bordões publicitários: dirigir um SUV não tem preço.

 
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