Sexta, 10 de Fevereiro de 2012
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Cidades da Copa 2014

Um axé para 2014

Capital baiana é a primeira entre as cidades-sede a lançar edital de licitação para construção do estádio, mas tem muito a fazer na questão da mobilidade urbana

Texto: Luciana Avelino | Fotos: Pedro Vilela


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Vista dos arredores do Fonte Nova (ao fundo): estádio será demolido e reconstruído para a Copa

A capital internacional do axé, abençoada pelo senhor do Bonfim e tombada pelo Patrimônio Histórico da Humanidade, está às voltas com sua outra paixão: o futebol. Eleita entre as 12 capitais brasilei­ras a sediar os jogos da Copa do Mundo em 2014, Salvador deu o pontapé na partida nacional. Foi a primeira capital a lançar o edital de licitação para a construção do novo estádio. O aviso da concorrência, aberto para empresas nacionais e estrangeiras, isoladas ou em consórcio, foi publicado no dia 15 de outubro. Até o início de dezembro, o vencedor será anunciado.

Em Salvador, onde Bahia e Vitória travam disputa acirrada nos gramados, os soteropolitanos vão ganhar nova arena. O Fonte Nova, oficial­mente batizado de Octávio Man­gabeira, interditado desde novembro de 2007 e erguido há 60 anos, será demolido e, no mesmo local, o novo estádio vai ser erguido aos moldes dos padrões exigidos pela Fifa.

Os bastidores desta matéria você confere no Blog da Redação.


Pelourinho: patrimônio cultural do país
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De acordo com o secretário da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Trans­por­te da Bahia (Setre), Nilton Vas­concellos, a demolição do Fonte Nova acontece a partir de março do ano que vem. “O início da construção está previsto para junho. Vamos trabalhar para que até o final de 2012 a obra seja concluída para a realização das Copas das Con­fe­derações, em 2013.”

O Fonte Nova vai abrigar também os jogos de futebol masculino e feminino das Olimpíadas Rio 2016. A capital da Bahia será, inclusive, a única cidade do Nordeste (e a quarta do Brasil) a ter os dois eventos. A seu favor, conta com sua tradicional hospitabilidade, inúmeras belezas naturais e atrações turísticas (é o terceiro destino mais procurado do país) e generoso polo hoteleiro. Se contarmos os leitos da cidade e arredores disponíveis hoje, contabilizam-se cerca de 59 mil, número que ultrapassa os 42 mil exigidos pela Fifa. “Nosso problema não é a disponibilidade de hotéis. É a necessidade de investimentos na modernização do parque hoteleiro, qualificação do serviço e atendimento”, avalia Ney Campello, que responde pela Secretaria da Copa na Bahia (Secopa-BA). Know how em receber turistas de todos os continentes é outro ponto alto. Só no Carnaval, fala-se em um milhão de visitantes circulando pela cidade.

Ney Campello do Secopa: desafios de curto e longo prazos
Ney Campello do Secopa: desafios de curto e longo prazos

Mas, para estar totalmente adequada às novas demandas, Salvador tem alguns desafios de curto a longo prazo. Fora a entrega do novo Fonte Nova, responsabilidade do governo do estado da Bahia em parceria com iniciativa privada, a mobilidade urbana é questão de primeira grandeza a ser resolvida. “Há propostas entre estado e município de intervenções do sistema viário e do transporte de massa. O que se pensou foram medidas que pudessem ao mesmo tempo ser eficazes para o pós-Copa, agregando a Salvador melhor qualidade no fluxo de veículos e pessoas, e que atendessem às exigências da Fifa”, diz  Ney Campello.

De acordo com o arquiteto Francisco Ulisses, especialista em mobilidade urbana e chefe do setor de planos e projetos da Secretaria de Transportes e In­fraestrutura (Setin), a rede viária de Salvador não acompanhou o crescimento urbano da cidade. Segundo ele, há grande limitação de vias. “Pouco se fez nos últimos anos. A prefeitura em parceria com o governo tem projetos de ampliação da rede viária, com a construção de novas vias estruturantes (transversais), e da capacidade de alguns corredores atuais, além da inclusão de viadutos, túneis, trincheiras e passarelas.”

Detalhe do Farol da Barra: cartão-postal
Detalhe do Farol da Barra: cartão-postal

Entre os planos da prefeitura para melhor fluência do trânsito local, com 650 mil veículos circulando diariamente, Ulisses destaca a entrega de duas linhas de metrô (com 12 km no total) e a implantação de sistema especializado de corredores exclusivos de ônibus de alta capacidade, ligando percurso de Lauro de Freitas (próximo ao aeroporto) ao estádio. “Este sistema, chamado de metronização de ônibus, está sendo adotado na China e na África do Sul, com custo infinitamente menor do que o do metrô.”

A linha 1 do metrô (com percurso da estação da Lapa, no centro da cidade, que atende o Fonte Nova e vai para a estação do acesso norte), com 6 km de extensão, iniciada em 2000, será entregue em dezembro. Todas as suas estações, entretanto, já estão prontas. Já a rede integrada de transporte a ser implantada em corredores na avenida Paralela, numa extensão de 36,3 km, assemelha-se a de Curitiba. Vias especiais serão construídas em canaletas para a circulação destes ônibus. Calcula-se que até a Copa todas as obras estejam concluídas.

Sol, praias e festas o ano inteiro: assim é Salvador
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O Aeroporto Internacional Luis Eduardo Magalhães é outro foco a ser trabalhado, segundo o arquiteto. “Anteriormente à confirmação de Salvador como sede da Copa, o planejamento da Infraero já sinalizava a necessidade da construção de uma segunda pista e ampliação do terminal quando se atingisse seis milhões de passageiros por ano, o que já é uma realidade.” A expectativa de turistas para a Copa gira em torno de 50 mil pessoas. De olho na divulgação de Salvador como roteiro turístico, o governo do estado prevê algumas ações, como o programa Olá Turista, parceria com o Ministério do Turismo, que oferece aulas de inglês e espanhol para 300 mil profissionais brasileiros, incluindo a Bahia. Além desse, há 15 milhões de reais destinados a programas de qualificação de empresários, empreendedores e pequenos negócios. “Desejamos ampliar a presença do turista na capital a partir da integração da Copa com os destinos turísticos do estado da Bahia”, diz Ney Campello.       

A segurança pública é outra discussão de grande relevância para a cidade, marcada por grande desigualdade econômica e com população de 3 milhões de habitantes. Por enquanto, de acordo com Arthur Gallas, chefe de gabinete da Secretaria de Segurança Pública, sabe-se que o esquema de segurança adotado irá se espelhar no planejamento executado há dois meses em Salvador, no estádio de Pituaçu, quando a cidade sediou a partida Brasil e Chile. “Foi um esquema muito bem-sucedido, elogiado pela CBF.” 

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

O novo Fonte Nova será uma arena multiuso de quase 122 mil m2. Futuramente também poderá acolher shows e eventos de grande porte nacionais e internacionais. Com capacidade para 50 mil lugares fixos distribuídos em três níveis de arquibancadas, vai abrigar um museu do futebol. O investimento estimado da obra é de 564 milhões de reais, com a possibilidade de financiamento do BNDES de até 400 milhões destinados para construção de cada estádio de cidades-sede.  Os outros estádios da cidade, Pituaçu (construído em 2008 e com capacidade de 32 mil pessoas) e Barradão (35 mil), serão usados para treinos das seleções e possíveis endereços eleitos para as Funfest, transmissão dos jogos oficiais.

Enquanto 2014 não chega, a festa baiana acontece ano que vem, na África do Sul. Está prevista a ida de um trio elétrico da Bahia para divulgar a Copa em Salvador. E, antecipando a folia de clima de Copa in loco, telões serão instalados em pontos estratégicos, co­mo Farol da Barra e Pelourinho, para re­transmissão dos jogos na África, em total animação. Bem condizente ao estilo contagiante da nossa Bahia de Todos os Santos.

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Raio X de Salvador

De goleada

Porto
- Considerado um dos mais bem localizados do país, tem capacidade para ancorar 5 navios de grande porte. Entre 2007/2008, cerca de 40 navios, com 94 ancoragens, trouxeram para Salvador110 mil passageiros de várias nacionalidades. Há previsão de dragagem e ampliação com a construção de novo terminal de passageiros. Com a expansão e localização próxima ao Fonte Nova, pode abrigar cerca de 7 mil pessoas

Rede hoteleira
- Salvador tem hoje 34 mil leitos, além dos 8 mil no litoral norte, como praia do
Forte e Sauípe. Até 2014, há previsão de mais 4.218 novos leitos disponíveis

Turismo
- Cidade tradicionalmente turística. Por conta das belezas naturais, atrações culturais (como o Carnaval) e a hospitalidade é o terceiro destino mais procurado do país

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Na retranca

Unidades de saúde 
Há 29 localizadas no entorno do estádio Fonte Nova. Há previsão de reforço de atendimento em cidades vizinhas, como Santo Antônio de Jesus e Feira de Santana

Aeroporto
- Realiza 240 operações diárias, entre pousos e decolagens, num total de 16,5 mil passageiros. Até a Copa, ganha mais uma pista e aumento do terminal de passageiros.

Sistema de transporte público
- O atual é precário. Até a Copa, está prevista entrega de 2 linhas do metrô e da rede integrada de transportes, sistema de corredores especiais de ônibus de alta capacidade

Infraestrutura viária é limitada
- Há projetos de construção de viadutos e ampliação de vias de acesso 

Divulgação
Divulgação

Fonte Nova

Características da arena após a reconstrução
- O novo Fonte terá 121.189 m². Será um equipamento multiuso no padrão Fifa. A capacidade do estádio para a Copa será de 50 mil lugares (com possibilidade de 60.339 mil com instalação de arquibancadas desmontáveis). O  setor vip tem 1.880 assentos, os 47 camarotes 1.540 lugares e a imprensa ocupará 2.440 cadeiras (durante a Copa do Mundo). No entorno do estádio, serão construídos lojas, bares, restaurantes, comércio e redutos de entretenimento   
-  Estacionamento próprio com 2 mil vagas, além de estabelecimentos particulares no entorno do estádio. O projeto básico, assinado pelos arquitetos Marc Duwe e Claas Schulitz, prevê questões ambientais como iluminação com energia solar e aproveitamento de água de chuva

Cobertura
- A cobertura foi projetada em estrutura metálica leve, baseada no sistema lona tensionada, com coberta por membrana do tipo PTFE, para não prejudicar a visão do entorno do estádio mantendo assim o skyline atual
- O passadiço de manutenção pendurado na estrutura servirá para instalação dos refletores do campo e sistema de som


 
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