Quinta, 09 de Fevereiro de 2012
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O que vem por aí

Naturalmente, essa política fiscal, que provocou crescentes gastos públicos, até então, não tem sustentabilidade ao longo dos anos, pois levaria ao poder central das nações um empobrecimento generalizado

Texto: Wagner Gomes
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Wagner Gomes - Administrador de empresas

Sei não, mas essa euforia que tomou conta do mercado, fazendo com que as bolsas de valores de todo o mundo batam recordes sucessivos, está me cheirando mal. Em um momento, farta realização de lucros. Em outro, uma onda enorme de otimismo em quase to­dos os países relevantes na economia mundial. É inegável que existem sinais evidentes de recuperação, mas é bom não esquecermos, lastreados, mundialmente, por generosas po­líticas fiscais que procuraram compensar as perdas de uma economia desassisada, e estimular a demanda, ainda inconsistente, do setor privado. Naturalmente, essa política, que provocou crescentes gastos públicos, até então, não tem sustentabilidade ao longo dos anos, pois levaria ao poder central das nações um empobrecimento generalizado. A saída de cena dessas políticas irá provocar riscos inflacionários e, atrelados a eles, supõe-se, deva ocorrer uma elevação na taxa de juros e tributações seletivas. O termômetro da ex­pectativa globalizada começa a funcionar agora, quando se inicia a divulgação dos resultados alusivos ao terceiro trimestre das empresas cotadas nas principais Bolsas de Va­lores. Em termos mundiais, o foco se alimenta no comportamento das economias da China e da Índia, cujo conjunto das populações responde por 37% dos habitantes do planeta. Com relação ao Brasil, não me surpreenderia um crescimento do PIB, ainda neste ano, acima de to­das as expectativas até agora divulgadas e, independentemente do fator eleição, no ano de 2010, esse mesmo indicador poderia, com relativa facilidade, ultrapassar a marca dos 5,5%, eis que a nos­sa economia se encontra turbinada por financiamentos externos – oriundos do mercado de commodities – largamente impulsionados pela demanda na China. Isso nos dá uma visibilidade sem precedentes, contribuindo para atrair investidores institucionais (fundos de pensão, por exemplo), ávidos por aplicarem em segmentos que apresentem possibilidades consistentes de retornos no longo prazo, tal como o setor energético. Nossa economia tem mostrado, sem ufanismo, um crescimento sustenta­do, ao tempo em que se ampara num complexo sistema bancário que demonstrou, frente aos vendavais turbulentos de um passado recente, exuberante higidez de ativos. No Brasil, onde o setor exportador lamenta a constante valorização do real, existe a ame­aça do descontrole nas contas públicas, que pode vir a se agravar pelos reflexos das eleições de 2010, coadjuvados pelo mau dimensionamento de gastos fiscais, e pela incerteza que ain­da paira na recuperação da economia globalizada. A decantada economia da China apresenta inegáveis riscos fiscais e seu sistema bancário não tem a mesma pujança do nosso. Dissecar tantas variáveis propiciaria balizar o estado de espírito dos investidores. Saber, ou não, interpretá-las a tempo e a hora, pode resultar em grandes ganhos ou grandes perdas. No dia 20, por exemplo, as empresas brasileiras, sofreram desvalorização de 55 bilhões de dólares no pregão Bovespa, fruto da taxação do IOF em 2% ao capital estrangeiro (flying capital).
 
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