Quinta, 09 de Fevereiro de 2012
Logo Revista Viver Brasil - Assim é viver
 

Política

Caiu na rede

... é político. Especialistas analisam o poder que os sites de relacionamento terão nas eleições de 2010, mas advertem: o resultado só será positivo caso a utilização seja adequada

Texto: Miriam Gomes Chalfin | Fotos: Renato Araújo/ABr


Envie seu comentário

Depois de mobilizar milhares de eleitores em sua campanha pela internet, no ano passado, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, se tornou espécie de inspiração para políticos brasileiros que começam a enxergar, na rede mundial de computadores, uma ferramenta poderosa para as eleições de 2010. Ainda mais agora com a reforma eleitoral, que liberou a propaganda na internet e manifestações em blogs e sites de relacionamento, como Orkut e Facebook, e de mensagens instantâneas, como o Twitter. Mas até que ponto a rede pode interferir numa eleição?

Para Helcimara de Souza Telles, pesquisadora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e PhD. em Ciência Política, a internet não é uma mostra dos eleitores brasileiros – o número de pessoas que têm acesso a ela ainda é pequeno –, mas é um meio importante. “Os partidos que não usarem a rede podem ficar para trás, mas ela não vai definir eleição. Vai, sim, municiar o eleitor para ampliar o número de informações sobre o candidato e ampliá-las para outras pessoas. Seu uso pode funcionar bem para os pequenos partidos, que têm pouco tempo na TV, meio que ainda atinge a grande massa da população”, afirma. Outra constatação que deve ser levada em conta: apesar de o brasileiro passar mais tempo sentado diante do computador (22 horas por dia) do que o norte-americano (19 horas), nos Estados Unidos o acesso à internet já se democratizou. Aqui, segundo dados do IBGE, apenas 40% dos brasileiros têm acesso à rede. E, na maior parte do tempo, buscam mais lazer do que informação.

Na opinião da professora, o público que acessa a rede é mais crítico, tem maior nível de escolaridade e pode buscar as informações que quiser. Diferentemente da TV, cuja propaganda política é a mesma e simultânea, em todo o território nacional, para públicos diferentes. “Mas o que promove mesmo o candidato é um conjunto de fatores, entre os quais a internet. Nesse sentido, a reforma eleitoral foi positiva porque garante o direito à manifestação e à liberdade de expressão”, diz. Para o doutor em Ciência Política Malco Braga, da PUC Minas, a internet é um instrumento muito rápido de divulgação, que permite ao candidato fortalecer o vínculo com o eleitor e ainda criar multiplicadores da sua proposta. Isso pode ser feito principalmente a partir das redes sociais, como o Twitter, que traz comentários, críticas e até ironias, gerando grande repercussão. Nesse meio, os candidatos contam o que fazem, tecem comentários sobre assuntos diversos, trocam ideias, respondem a perguntas de internautas, se defendem de acusações. “Ele inova em relação às outras redes porque permite, em curto espaço de tempo, acessar um grande número de pessoas, mobilizá-las para comício, por exemplo, e divulgar novidades da campanha”, destaca o professor.

E os políticos brasileiros já estão entendendo a força dessa ferramenta. Prova disso é o site PoliTweets (www.politweets.com.br), que reúne perfis de 165 deles, com o total de 277.390 seguidores até o último dia 26 de setembro. O mais popular deles é o governador José Serra (PSDB-SP), que, na mesma data, contabilizava 100.612 seguidores. O único limite, segundo o professor Malco Braga, é com relação às calúnias e difamações – apesar de a reforma vedar o anonimato e assegurar o direito de resposta. “Mas não será fácil a Justiça Eleitoral acompanhar a agilidade da internet”, acrescenta.

Para o direitor de Criação da Talk Interactive, Moriael Pai­va, a internet deve ser usada como mais um instrumento de mobilização. “Ela é rápida e tem o poder interativo que deve ajudar qualquer movimento político. O que muda agora é a chance de fazer isso sem o limite de um site, o que era inconcebível”, opina. O Twitter, segundo ele, se destaca como um lugar para que políticos conversem e cheguem mais perto de seus apoiadores. “Mas ainda não é espaço para qualquer um e muito menos para se fazer propaganda. É um meio interativo, de duas vias. Se um político está pronto para sair livremente nas ruas de uma grande cidade e encarar de perto seus eleitores, conversar numa boa, ele está pronto para o Twitter. Mas muitos políticos não têm essa condição hoje”, diz Paiva. De acordo com ele, o candidato que entender que as redes sociais, como Orkut e Twitter, são espaços de conversa e interação, e não de propaganda, já sai em vantagem. “É uma fórmula simples, mas que a maioria ainda não usa.”

Com a reforma eleitoral, mudam-se também as estratégias de campanha. “Sem dúvida, as campanhas, que antes tinham folder e santinho, vão investir também em mídias sociais”, diz o professor Malco Braga. Para Moriael Paiva, uma das principais vantagens da internet é que ela pode conversar com todo mundo da forma mais adequada. “Atender a pessoa que não conhece o candidato, a outra que já o conhece e quer firmar posição, aquelas que podem ajudar na campanha e até a que não gosta do candidato, mas que pode ser convencida do contrário. Para cada caso, uma abordagem, um conteúdo, uma mensagem. De argumentos fortes a material de campanha”, finaliza.


Reforma Eleitoral e Internet

  • O texto aprovado determina que “é livre a manifestação do pensamento, vedado o anonimato durante a campanha eleitoral, por meio da rede mundial de computadores”
  • A propaganda na internet está liberada em portal do partido ou do candidato, nas páginas de relacionamento da rede, como Orkut, nos sites de mensagens instantâneas, como o Twitter, e em blogs
  • Eleitores poderão fazer doações a campanhas por meio da internet
  • O uso da internet está proibido por parte de empresas ou órgãos da administração direta e indireta da União, estados e municípios. A multa para quem desobedecer à determinação vai de R$ 5 mil a R$ 30 mil
  • A propaganda que aparece nas páginas dos jornais impressos poderão ser reproduzidas nas páginas dos respectivos veículos na internet. Entretanto, não se pode comprar espaço exclusivamente na web

Políticos no Twitter

O site www.politweets.com.br reunia, até o dia 26 de setembro, 165 políticos brasileiros, sendo:

  • 62 vereadores
  • 54 deputados federais
  • 20 deputados estaduais
  • 19 senadores
  • 7 prefeitos
  • 3 governadores

Frases

Frases retiradas do Twitter dos políticos

  • José Serra

"Sou muitíssimo grato aos primeiros que me seguiram e me ensinaram, me deram dicas, me deixaram à vontade, me animaram a ficar."
 25/9/2009 4h26

"É uma surpresa ter mais de cem mil seguidores, em quatro meses e pouco. Entrei aqui de curioso em18 de maio e mal sabia o que era Twitter."
 25/9/2009 12h22

  • Aloizio Mercadante

"O governo brasileiro teve hoje integral apoio da ONU, que condenou os atos de intimidação e exigiu o fim do cerco à embaixada brasileira."
 25/9/2009 15h12

  • Cristovam Buarque

"As pesquisas eleitorais mostram que a eleição de 2010 não será um plebiscito amarrado. O eleitor começa a ter alternativas."
 22/9/2009 15h37

  • Gabriel Chalita

"Todos os dias há um desafio que se renova. Escrever mais um capítulo da nossa história. Com dignidade! Bom dia."
 26/9/2009 9h5

  • Fernando Gabeira

"Congresso criou comissão para ir a Honduras. Estou fora. Brasil deixou de ser mediador para ser contendor."
 22/9/2009, 17h50

Mais seguidos

Os cinco mais seguidos, segundo o site www.politweets.com.br são:

  • governador José Serra ­ (PSDB-SP), com 100.612 seguidores
  • senador Aloizio Mercadante (PT-SP), com 26.212 seguidores
  • senador Cristovam Buarque (PDT-DF), com 16.787 seguidores
  • vereador Gabriel Chalita (PSDB-SP), com 16.499 seguidores
  • deputado federal Fernando Gabeira (PV-RJ), com 14.831 seguidores

 
Compartilhe:    Bookmark com Delicious Bookmark com Delicious  Bookmark com Digg  Bookmark com Facebook  Bookmark com /.   Bookmark com Google  Bookmark com StumbleUpon   Bookmark com Technorati  Bookmark com Linkarena  Bookmark com Yahoo  Bookmark com SEOigg  Bookmark com Spurl  Bookmark com Live  Bookmark com Rec6  Bookmark com Myspace
Versão para Impressão  Versão Impressão    Assinar NewsletterNews:    

Busca no Portal

 
  

Blog do PCO
Assinatura Anual

© Copyright 2009, Revista Viver Brasil – MG-030, nº 8625. Torre2 – Shopping Serena Mall – Vale do Sereno.
Cidade: Nova Lima – MG / CEP:34000-000 | Telefone: (31) 3503-8888