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Mercado ImobiliárioMais 30 prédios e três mil veículos diaNos próximos dois anos, cerca de 1,5 mil apartamentos serão entregues a novos moradores no bairro Vila da Serra, divisa entre Belo Horizonte e Nova Lima. O acesso, que já é complicado, pode se tornar inviável
Texto: Fernando Torres | Fotos: Victor Schwaner, Pedro Vilela e Alexandre C.Mota
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A reportagem conversou com pessoas que moram e trabalham há algum tempo no Vila da Serra. Ao serem abordadas sobre a expectativa com os novos prédios, elas apontaram espontaneamente o trânsito como a maior preocupação. A estudante de odontologia Eliane Fukushima, 36, mora no bairro há três anos. “O maior congestionamento é pela manhã. Já cheguei a levar uma hora da minha casa até o BH Shopping, ou seja, um trajeto que não passa de dois quilômetros”, conta. Para ela, o Vila da Serra não tem infraestrutura para abrigar tantos residenciais. O congestionamento também ocorre no sentido contrário. O advogado Flávio Henrique Darella, 42, mora no Buritis e trabalha em um escritório do Vila da Serra desde 2003. “Sem trânsito, gasto de 15 a 20 minutos no trajeto. Mas nos horários de pico, levo 20 minutos só para chegar até o BH Shopping e mais 20 até o meu trabalho”, relata. O caso de Darella não é isolado, pois o bairro também cresce comercialmente, abrigando a Faculdade Milton Campos e o Instituto Biocor, por exemplo, além de outros diversos estabelecimentos. |
Com 1 milhão de m², o Vila da Serra faz divisa em toda a sua extensão com o Belvedere, bairro nobre da capital mineira. A região será uma das mais afetadas com os novos condomínios. “Na verdade, com o crescimento desordenado, não existe infraestrutura há mais de dez anos”, afirma Antônio Geraldo Costa, presidente da Associação de Moradores do Bairro Belvedere. Ele diz que é preciso um plano diretor regional que envolva as prefeituras de Belo Horizonte e Nova Lima. “Sem um planejamento amplo, com prioridades muito definidas, nunca teremos solução para o problema”, completa. Bem, a quem interessar possa, informamos que planejamento há. A principal solução apontada para o problema do trânsito chama-se Complexo Portal Sul ou Complexo Viário Sul. O projeto envolve diversas intervenções na divisa entre Belo Horizonte e Nova Lima. Conforme João Bosco Gariglio, engenheiro de projetos do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), da superintendência de Minas Gerais, o Portal Sul prevê a construção de dois viadutos. “O primeiro vai ligar a BR–356 à MG–030, sentido Nova Lima, e o segundo vai fazer o caminho contrário, em direção ao Rio de Janeiro”, explica. As intervenções também incluem uma trincheira unindo a MG–030 à BR–356, rumo à avenida Nossa Senhora do Carmo. De acordo com Gariglio, o Portal Sul também inclui a construção da controversa alça de Nova Lima, em frente à galeria de motéis, ligando a BR–356 à MG–030. Bastante anunciado, o projeto ficou muito tempo no papel, devido a entraves burocráticos. A Assembleia Legislativa precisou aprovar uma lei alterando os limites da Estação Ecológica do Cercadinho, dentro da qual está prevista a construção da alça. Sendo efetivada, a alça de aproximadamente 700 m tende a diminuir entre 30% a 40% do tráfego rumo à MG–030, pois os motoristas que forem a Nova Lima não irão mais precisar passar pelo entorno do BH Shopping, além de reduzir o trânsito da avenida Raja Gabáglia com a BR–356. Todas as intervenções funcionarão como uma espécie de via expressa, sem cruzamento e sem semáforos. Os viadutos e a trincheira terão duas pistas de ida e duas de volta. A expectativa é normalizar o trânsito na região por pelo menos dez anos. |
Bonito no papel, mas e na realidade? De acordo com Gariglio, o Ministério da Casa Civil aprovou as obras do Portal Sul em maio. “Se tudo correr como o previsto, a construção do Portal Sul deve ser iniciada nos primeiros meses de 2010, quando a verba for liberada, e ficar pronta em 2011”, declara. Os investimentos no complexo serão de 30 milhões de reais. Segundo Luiz Hélio Lodi, presidente da Associação dos Empreendedores do Vila da Serra e do Vale do Sereno, uma outra solução, ainda em estudo, é o Ramal Ferroviário. “O projeto é tirar os trilhos da divisa entre o Belvedere e o Vila da Serra e construir uma avenida por cima, com duas pistas de ida e duas de volta”, conta ele. Lodi explica que o motorista teria acesso direto ao Vila da Serra, sem precisar passar pelo Belvedere. E o melhor, seria uma intervenção de baixo custo. No entanto, nenhum órgão se responsabiliza pelo projeto. Para saber mais detalhes, a Viver Brasil conversou com o Dnit, que passou a bola para a Sudecap (Superintendência de Desenvolvimento da Capital), órgão da prefeitura de Belo Horizonte. A Sudecap, por sua vez, disse que quem teria mais informações seria o próprio Dnit ou a BHTrans. A reportagem contatou a BHTrans, que afirmou não estar ligada ao projeto, repassando a responsabilidade novamente para o Dnit. Conclusão: é um empreendimento que já nasce sem pai. De braços atados, só resta aos motoristas esperar para ver. De preferência, que essa espera não seja em uma fila imóvel de carros, carros e mais carros. |
Algumas torresConfira alguns dos empreendimentos do Vila da Serra a serem entreguem nos Even-Brisa Lider-Cyrella Agmar Masb-Caparaó Patrimar |
Complexo viário sulParece que agora vaiInvestimento: 30 milhões de reais Expectativa: reduzir entre 30% e 40% do tráfego em frente ao BH Shopping Previsão de início da obra: 2010 Previsão de término da obra: 2011 |