É possível prever um cenário de crescimento econômico para o Brasil após 2010? O ex-ministro do Trabalho e hoje presidente do BDMG, Paulo Paiva, prefere não arriscar projeções. “Falo até 2010, pois haverá eleições, riscos e incertezas”, diz o economista. O também ex-ministro da Fazenda e do Planejamento Paulo Haddad – que também é um dos idealizadores do evento – acredita que o país sairá da crise com mais rapidez, como está ocorrendo. “A perspectiva para o próximo ano é de que o país possa crescer entre 4% e 6%”, afirma.
Essas questões permearam os debates do Conexão Empresarial, almoço lançado pela revista Viver Brasil para discussões da economia do país. O evento reunirá mensalmente especialistas, lideranças empresariais e governamentais. Com patrocínio da Usiminas e da Claro, a primeira edição contou com a participação de 60 empresários – representantes de boa parte do PIB mineiro – que assistiu às palestras dos ex-ministros.
Haddad diz que, no início da crise financeira, a economia brasileira apresentava condições favoráveis de expansão a longo prazo: grande número de investimentos em andamento, estabilidade monetária, volume significativo de reservas cambiais, elevado nível de responsabilidade fiscal e confiança no futuro do país. “Estes fatores foram importantes para que a recessão econômica não fosse tão intensa como no mundo desenvolvido e serão igualmente importantes para que o país saia da crise.”
Minas já mostra sinais de melhoria. O presidente do BDMG afirma que o estado começou a se recuperar depois do primeiro trimestre do ano. “O maior impacto foi no Quadrilátero Ferrífero”, diz Paiva. Depois das palestras, foi aberto o debate. A presidente do conselho do Banco Rural, Kátia Rabelo, quis saber sobre incentivos para os bancos regionais. Fernando Dias, diretor-presidente da Master, perguntou sobre as perspectivas para o turismo nos próximos anos, e Carlos Lindenberg, diretor de redação do Hoje em Dia, sobre o que acontecerá com a economia. Paulo Paiva respondeu que só poderia falar até 2010. Aí tem eleição e o cenário internacional a darem o rumo para a economia crescer ou retrair.