Modesto Araujo comanda a maior rede de drogarias de Minas e a sexta na classificação nacional. São 90 lojas próprias, que serão 150 em 2014, e 4 mil empregados, 7 mil daqui a cinco anos. Para este empresário, terceira geração da família que criou a Drogaria Araujo, os negócios vão bem, apesar dos governos – federal, estadual e municipal – com suas políticas, ou falta delas, voltadas apenas para arrecadar, sem estímulos ao crescimento. O comandante da rede centenária de drogarias critica a política que isenta os produtos veterinários e taxa os medicamentos para os humanos. Para ele, ao entrar numa farmácia, é preferível latir do que tossir. Os medicamentos para quem tosse têm impostos elevados.
Num país onde a média de vida das empresas é baixa, como é ultrapassar os cem anos?
A Araujo já passou por duas guerras mundiais, vários planos econômicos, revoluções e crise mundial e, mesmo assim, continua crescendo. Para a gente atingir a tudo isto, é preciso ser verdadeiro herói. O estado, aí em seus três níveis, não ajuda. Todo dia você tem fiscal, Ministério Público. Muitas vezes, fiscais despreparados, ávidos para arrecadar e, em várias situações, cometendo injustiças, fazendo você perder tempo e, pior, perder o foco de seu negócio. Diariamente temos que enfrentar estas situações. Para sobreviver neste mundo de negócios, além de superar as dificuldades que o governo impõe, você tem que trabalhar com uma equipe competente.
É possível crescer apesar do governo?
Eu acho que não se deve ficar preocupado com governo. No nosso caso, por exemplo, um terço de nossas lojas trabalha no regime de três turnos para atender bem a comunidade. E isto tem custos elevados. O que fizemos então foi criar a figura do drogstore, que é autorizado pela lei. Mesmo assim, fomos obrigados a entrar na Justiça, com mandado de segurança, pois a Vigilância Sanitária, primeiro do estado, depois do município, não reconhecia a lei federal. Hoje, este serviço de conveniência com venda de produtos e prestação de serviços, tem aprovação de mais de 80% da população. Mesmo assim a Anvisa quer proibir. Não apresenta uma razão para isto, mas diz que não pode.
Questão de higiene seria uma das razões?
Não, eles não apresentam uma razão lógica. Acho que alguém vendia bebida alcoólica na drogaria e eles pegaram isto como razão para proibir. Ficam batendo nesta tecla, como se a exceção fosse a regra. Acho mesmo que numa drogaria não se deve vender bebida nem cigarro. Que se proíba então a venda destes produtos. Mas por que proibir a venda de água mineral? Isto é uma estupidez, além de inconstitucional. Além do mais, proibir por instrução normativa que não é lei.
A venda de outros artigos representa que percentual no faturamento da drogaria?
Hoje a proporção é 40% de artigos de conveniência e 60% de medicamentos que serão, sempre, o principal dentro de uma drogaria. A conveniência é, podemos dizer assim, quebra galho, prestação de serviço para a população. É uma comodidade. Com o drogstore também você agrega mais faturamento. Aí posso ter mix de preço melhor. Posso ter preço melhor nos medicamentos.
Neste mercado há espaço para o pequeno farmacêutico, aquele de bairro?
Acho que o pequeno vai sempre sobreviver porque ele administra ou sozinho ou com a mulher, os filhos e consegue se manter. Então vão ficar os grandes e os pequenos. Não enxergo mercado para o médio. Ele vai ser engolido. Aqui em Belo Horizonte mesmo tínhamos a Santa Marta que foi comprada por um grupo forte. Tínhamos a Trade e a Oncolens que acabaram. Agora, pessoalmente eu não gosto da ideia de se comprar outro grupo, de fazer fusão. Porque são empresas diferentes, com culturas diferentes e muitas vezes as fusões acabam ficando muita caras. Pessoalmente prefiro crescer num ritmo mais acelerado do que fazer fusão. Abrir as próprias lojas, começando com a mesma cultura. Acho muito perigoso este negócio de fusão que pode fazer você dobrar de tamanho de um dia para o outro. Ninguém está preparado para isto.