Sexta, 10 de Fevereiro de 2012
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Bate-papo

Meus 13 filhos e 10 mulheres

Jornalista, radialista, cronista e poeta, Eduardo Lima tem 13 filhos, de idades entre 3 e 36 anos. Até aí tudo bem, em um país como o Brasil em que o controle de natalidade não costuma ser seguido à risca, sobretudo no interior. O diferencial é que Eduar­do teve filhos com 10 mulheres. A prole imensa e a convivência com exs (complicada para muitos homens) não é problema para ele, que também já é avô de quatro crianças. Hoje, casado, o jornalista de tipo franzino, conhecido pelo lirismo de suas crônicas, diz lidar muito bem com a situação.

Texto: Márcia Queirós | Fotos: Victor Schwaner


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Eduardo Lima com seis de seus filhos e a atual esposa (primeira à esq.)
Com que idade foi pai pela primeira vez?
Aos 20. Quando fiz 53, surgiu Tom, meu pequeno, de 3 anos. Casamento, de papel, foram dois: o primeiro e o de hoje. Contudo não apenas o papel validaria outras relações sólidas, com casa, domingos e sogras. Com três mulheres tenho dois filhos, no mais é um com cada uma. Outros foram gerados em casos fortuitos. No entanto, jamais foram escondidos ou negados. Situação que, certamente, gerou conflitos e celebrações. Hoje estamos pacificados.
 
Consegue dar atenção a todos?
Com tantos filhos e eu assim, tão miúdo, assisti-los como gostaria é impossível. Vou tocando. Hoje aliso um, amanhã outro. Eles mais fazem carícias em mim. Nascidos saudáveis e lindos, foram embalados. E eu os amo, a todos e igualmente. Quanto à convivência, é ótima, no parâmetro da naturalidade das relações pais e filhos. Dos 13, dois moram em Montes Claros: um filho e uma filha, que me abençoram com três netos. Aliás, meus quatro netos são homens.
 
Os filhos convivem bem entre si?
Deliciosamente, se dão como se fossem irmãos de mesmo teto, às vezes até mais. Os netos têm entre 3 anos e 5 meses. Chego a descrer do meu merecimento por tanta alegria. 
 
Como é dar pensão alimentícia para tamanha prole?
Jamais fiz cálculos. Pensão é dever, parte do custo, do orçamento. Mesmo o filho não estando ao nosso lado, ele é do dever de sustento. Lembro-me que, estando vereador em Belo Horizonte, a revista Veja fez uma matéria e constatou que eu era, no Brasil, o político que pagava – proporcionalmente – a maior pensão alimentícia: 84% descontados em folha. Quanto a geladeiras, fogões, TV, panelas, liquidificadores, máquinas de lavar, se as pudesse somar e guardar, eu hoje seria mais estocado que a Ricardo Eletro.
  
Já está satisfeito com tantos relacionamentos e filhos?
Hoje estou casado. De papel passado. E que Deus possa fazer Ludmila minha viúva. Do meu atual casamento, tenho dois filhos, Irina e Tom, e a sensação, já cansado do rock and roll, que encontrei o archote. Agora é só encontrar a trilha e o caminho do céu.  
 
O que mais o preocupa como pai?
O fato de não podermos garantir um bom mundo aos novos meninos. Meu pequeno Tom e meus netos verão rios, terão água para beber, noites de lua e horizonte? Se cometemos a insanidade de não contar os filhos ao nascer, pior é a atitude dos que hoje não produzem filhos e derrubam florestas. Tal constatação não me perdoa, mas permite uma divagação filosófica.
 
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