Um mundo imaginário povoado por mais de 200 personagens numa luta incessante do bem contra o mal capaz de, literalmente, hipnotizar crianças e adolescentes de 6 a 16 anos por horas a fio? Errou quem disse que se trata de mais uma história de J.K. Rowling, criadora do bruxinho mais famoso do mundo, Harry Potter. A febre que está tomando conta da garotada de Belo Horizonte é a Guerra dos Anéis, ou GDA, um jogo de aventura criado pelo mineiro Marcelo Lacerda que é a mais nova sensação das festas infantis na capital.
As histórias narradas por Marcelo se passam no reino imaginário de Veyenor e pregam a utilização dos princípios de honra, ética, lealdade e amizade como as principais armas para se combater o mal. Falam sobre um grupo de jovens, filhos de grandes guerreiros em atividade na Guerra dos Anéis, que se unem para enfrentar a fonte da maldade e acabar com a guerra, trazendo seus pais de volta para casa. “Busco, com isto, passar para a garotada a valorização da família e a necessidade da busca incessante pela paz e o fim da maldade, com ideais de justiça, lealdade, verdade e bondade, acima de tudo”, diz o criador do jogo.
A novidade tem seduzido não apenas a criançada, mas, sobretudo, os pais, que apreciam o caráter educativo da brincadeira. O jogo dura três horas por festa infantil e as crianças seguem o roteiro, capítulo a capítulo. A Guerra dos Anéis surgiu há oito anos e, devido ao sucesso, acabou se transformando em dois livros: Veyenor – A Vingança de Khaos e Veyenor – Os Filhos da Guerra. Em pouco mais de um ano, já foram vendidas mais de 20 mil cópias. Lacerda assegura que a ideia de criar o jogo não passou de um acaso. Ele conta que já trabalhava com animação de festas e que tinha uma marcada para o fim de semana. Alguns dias antes, porém, ele deslocou o ombro direito e, para não deixar de ir à festa, acabou inventando uma história para entreter as crianças. “Elas nunca mais quiseram outra animação”, lembra.
E como entreter a garotada por horas? No início da festa, Lacerda conta um resumo da história, informa as regras e explica a divisão de “raças” dos personagens. Quando o jogo começa, as crianças agem, espontaneamente, como se estivessem em um teatro, sem falas programadas, mas seguindo regras pré-estabelecidas. Bastam alguns minutos de observação para perceber que, durante a Guerra dos Anéis, a interação da meninada é total. Há crianças que já possuem seus próprios personagens. “Elas podem representar 18 no início, mas este número aumenta depois. O resto é comigo ou com os meus ajudantes”, completa.
E a saga da Guerra dos Anéis continua. Em 2010, Marcelo vai lançar o terceiro livro da série e, em breve, pretende inaugurar, em Belo Horizonte, uma casa de festas temática chamada A Terra de Veyenor. Sua criação também será tema de jogos de tabuleiro, álbum de figurinhas e até de videogame. A maior novidade, porém, ainda não tem data para acontecer. “Vamos construir o parque temático A Terra de Veyenor: o mundo maravilhoso da Guerra dos Anéis. Este é o meu grande sonho”, revela.
Hoje, o animador faz, em média, 32 festas infantis por mês, atendendo o público de Belo Horizonte, Nova Lima e Brasília. Lacerda faz mistério, mas garante que já há projetos para lançar o GDA nacionalmente. A que ele credita tamanho sucesso? “Dando às crianças, na ficção, poderes para enfrentar as mazelas que destroem outro mundo, elas se sentem mais fortes e mais voltadas para princípios como solidariedade, amizade, honestidade e amor ao próximo.”