A multidão abafa a voz do vocalista quando começa a cantarolar hoje tem festa oxente, uai. O mar de gente atrás do trio elétrico parece querer sacudir o mundo. Mas quem é esse grupo? É possível determinar o perfil de quem curte o axé? Afinal, o ritmo, que nasceu na Bahia e ganhou todo o país, chegou a sofrer resistências em algumas regiões. Bell Marques, vocalista da banda Chiclete com Banana, diz que o axezeiro é gente a fim de se divertir. Como a estudante Daniela Guimarães. Só este ano ela já foi a 13 eventos. Todos do Jammil. Faz parte dos fãs conhecidos como seguidores. “Acompanho a banda mesmo que seja necessário viajar para isso.”
Há 10 anos no meio, o cantor Alexandre Peixe garante que o romance dos foliões com o axé dura até aparecerem outras prioridades como casamento e filho. Mas toda regra tem exceção. A empresária Ana Gutierrez diz que um fator fundamental que a permite ir ao máximo de shows que consegue conciliar à agenda, sempre cheia, é a parceria e o companheirismo do marido que a acompanha. “O axé tem essa magia, essa capacidade de reunir gente dos mais diferentes perfis e círculos”, garante a empresária. Outra característica do micareteiro é a constância nos shows. Só este ano o produtor de eventos e fã do estilo Alexandre Batista de Almeida foi a mais de 20 eventos e atribui o sucesso do axé à alegria. “A energia é ótima. As pessoas se jogam.” A descontração leva as pessoas para um comportamento liberal e daí a fama do ambiente de pegação. Contudo, essa afirmação parece estar ligada à idade e aos hormônios à flor da pele. Outros já concordam com as amigas Giselle Silva Campos e Luciana Lara Ferreira, que dizem que beijo não é sinônimo de micareta e sim consequência do humor, do ambiente da festa que costuma durar de 6 a 8 horas. Para elas, micareteiro são pessoas que gostam da alegria do axé music, do carnaval, de festa, sem idade certa.
Leonardo Dias, sócio da DM Promoções, responsável por grandes eventos do segmento no país, diz que a grande sacada foi a criação da micareta, uma forma de pular carnaval qualquer dia do ano. “O interessante nas micaretas é que ela agrupa gerações. Os mais velhos são saudosistas. E o público jovem é atraído por novos produtos como Azorra e Tomate”, afirma Dias.
A redução dos índices de violência também tem colaborado com a renovação dos grupos. O Deixa Disso foi impulsionado pelos cantores que param a festa quando começa uma briga. O próprio público participa para evitar o confronto. Os eventos de axé também têm outra peculiaridade: são divididos em bloco, camarote e camarote vip, cada espaço com ingressos a um valor. O bloco é composto em sua maioria por adolescentes e jovens entre 16 e 25 anos. Nos camarotes o público custuma ser de pessoas acima dos 30 e com renda própria. Enfim, uma interação total de gerações, perfis sociais e, claro, da alegria.