Terça, 22 de Maio de 2012
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Crônica

Trinta anos, trinta e-mails

Texto: Bruno Fernandes | Fotos: Arte: Paulo Werner


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Não passo uma semana sem receber pelo menos um e-mail com textos de blogs femininos. O assunto: homem, claro. Boa parte das autoras está ali, na casa dos 30 e fazendo contas para o futuro. E como reclamam. É uma cantilena sem fim. Porém, como admirador incondicional das mulheres, sinto-me na o­brigação de ajudar, afinal todas merecem ser felizes. Então, minha amiga indignada, aí vai o meu toque.

Verdade, suas chances estão diminuindo e o tem­po está passando. Mas você não tem ninguém porque não quer. A culpa é sua. Suas chances começaram a diminuir no dia que você acreditou em um dos maiores mitos da humanidade: a mulher independente. E como não foi o homem que inventou esta bobagem, isto já elimina boa parte da nossa responsabilidade. Você não é independente e nunca será. Seu conceito de independência está completamente distorcido.
Ser independente não é só pagar as próprias contas. Isto deve ser meta de vida de todo mundo. Tam­bém não é fazer somente o que se tem vontade. Isto é egoísmo. Muito menos transar com quem dá na telha e sair espalhando pra posar de liberada. Isto é carência de atenção. Pior ainda é fazer pra aparecer e depois engolir o arrependimento com angu, sozinha no quarto. Isto é hipocrisia.
Você não é resolvida porque trata homem de igual pra igual. Responder grosseria com grosseria é falta de educação, o que não é legal em ninguém, mas na mulher é muito mais feio. Vingar traição com traição não é autonomia, mas sim pobreza de espírito. Ir pra balada porque o namorado foi jogar bola não é coisa de mulher, mas de adolescente. Cada vez que tenta dar o troco, você só confirma sua subordinação ao homem. Quando se exalta, xinga e despreza, na verdade está dizendo “por favor, não me deixe sozinha de novo que eu não dou conta. Eu não me aguento.”

Ao esconder a fragilidade por baixo de insultos e rispidez, só prova o quanto ela é grande. E ao usar a mesma fragilidade para fazer drama e pedir arrego, apenas ratifica o que o cara já sabia: além de grossa, é fraca, manipuladora e previsível. Quando você berra, o homem sabe que depois vem choradeira. E este expediente, além de chato, é infantil. Dá sono. Quando rir da sua amiga que sonhou e conseguiu ser dona de casa, lembre-se de que ela está muito mais feliz do que você. E se é do tipo que se nega a ser Amélia achando que é isso que todo cara quer, então você não sabe nada sobre homens (e, de mais a mais, o mundo prefere uma Amélia feliz a uma liberada pé-no-saco).

Quer ser independente? Admita a necessidade de ter alguém. Homem não tem vergonha de escancarar que precisa de mulher. Se repete a toda hora que não precisa de ninguém pra ser feliz, você não só precisa, como seu caso é grave. É urgente. Madonna, Angelina e Jennifer Aniston não vivem sem macho. E para elas não falta estabilidade financeira e atenção, mesmo assim todas reconhecem a necessidade de companhia. Portanto, baixe sua bola.

E não é porque, para elas, o leque de opções é perfeito. Fique sabendo que o George Clooney esquece datas de aniversário e faz xixi na beirada da privada. O Johnny Deep coça o saco, grita quando a mulher dele torra a paciência e tem coragem de pegar a Priscila do BBB, só depende da ocasião. Se você fosse tão esperta quanto acredita, já teria percebido que nem todo homem é sapo, mas nenhum é príncipe.

De fato, tem muito vagabundo por aí. Mas são tão previsíveis que se você, a esta altura do campeonato, ainda cai nessas pegadinhas, a culpa é, de novo, inteiramente sua. Ninguém põe revólver na sua cabeça e a obriga a fazer besteira. Ou se tem certe­za de que homem é tudo igual, pegue logo um e pare de resmungar e se enganar.

Quer ser independente? Assuma suas vontades, riscos e segure a bronca sem chororô. Se o seu tesão é um abdome sarado, fique com ele, mas depois não espere que o tanquinho se transforme em massa cinzenta. Tenha o corpo que você deseja e não o que está na moda. Saiba que os mls do seu silicone só fazem diferença nos primeiros cincos minutos, mas é quando você abre a boca que o cara decide o que quer. Homem é prático, liga-se no resultado, e quem determina isso é o caráter e a personalidade da mulher.

Fique com o cara que você quer e não com o que todas querem. Independência é dizer sim quanto se tem vontade. Ficar adiando por frescura é correr o risco de perder oportunidades e só demonstra imaturidade. Diga não se for o caso, mas seja educada, porque o sujeito pode não ser o seu tipo, mas o amigo dele talvez seja. E o rejeitado não vai medir palavras nem para a elogiar, nem pra falar mal.

Vista-se para você mesma e não para competir com as outras. Homem não vê graça nenhuma num bando de bonecas padronizadas, a não ser que estejam peladas. Depois não reclame quando o seu desejado preferir a baranga. Ao invés de ralar para ter o peito ideal, tenha a mente ideal. Tire a bunda do banco de supino e ponha no divã do analista. Antes de partir para o próximo errado, descubra por que você dispensou os bons. Reconheça suas inseguranças, trabalhe-as, entenda. Não há vergonha nenhuma nisso. Pare de negar suas fraquezas para se equiparar ao homem. Você não vai conseguir e ainda vai atazanar quem estiver ao seu lado.

Perdoe seus trinta anos. Há muita vida pela frente. Se aproveitou todo esse tempo para acumular traumas em vez de aprendizado, a culpa não é da idade. A situação ficará pior com quarenta, cinquenta e por aí vai, se continuar esperando o homem perfeito. Você estará mais solteira, mais chata e mais feia. A hora é agora. Procure ser o melhor que você pode, não espere dos outros. Isto sim é independência. Se demorar para entender, vai sofrer pela beleza que perdeu. E velhice não tem solução, só disfarce.

De uma vez por todas: você é mulher. Frágil, sensível, sonhadora, indecisa e insegura. Ne­nhum cara inteligente espera nada diferente. Mas no momento em que tenta ser outra coisa, você deixa de ser um delicioso mistério para se tornar um problema chato e sem solução. E se leu até aqui e só chegou à conclusão de que eu sou um mal-amado, então você somente confirmou tudo que eu acabei de dizer sobre você. Uma pena. Estou só lhe dando uma força. Quero apenas vê-la feliz. E evitar que minha caixa de e-mails se entupa com mais porcaria. 


 
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