Terça, 22 de Maio de 2012
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Artes Plásticas

Texto: Ana Clara Furtado | Fotos:


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O primeiro plano, totalmente desfocado, causa certa perturbação e deixa no ar toques sutis de mistério e instigação. Em contraste com o sombrio, o interior da fotografia, opostamente iluminado e focado, revela então um colorido panorama de informações, conciso e rico em simbologias. A imagem, que estabelece um diálogo com a linguagem pictórica – assemelhando-se a uma pintura – e evidencia características basilares do universo barroco, opondo claro e escuro, enigmas e revelações, é obra do artista plástico Luiz Henrique Vieira. Consequência de seu incômodo em relação à tecnologia digital, que produz em larga escala fotografias frias e estéreis, ela integra a série A Cidade Anacrônica, um projeto que tem levado o mineiro a mergulhar na experimentação de métodos alternativos de fotografar com o uso de diferentes câmeras, da artesanal pinhole (câmera escura) às analógicas. Inaugurando seu interesse por paisagens, o artista, que sempre teve predileção pela figura humana, viaja agora pela profusão de elementos do cenário urbano, ora evidenciando-os, ora desfocando-os, em imagens subjetivas, oníricas e dramáticas. Ainda em produção, a série em que o artista pinta com a fotografia, unindo as duas linguagens em cerca de 30 trabalhos, será apresentada ao público na Home Art Gallery, em São Paulo, no ano que vem. 
Arquivo pessoal
Arquivo pessoal

O artista

Estimulado pela família e sensibilizado desde pequeno pelo mundo das artes, Luiz Henrique desenhava na infância, começou a pintar na adolescência e, naturalmente, foi ocupando seu lugar neste universo. Nascido em Belo Horizonte, formou-se em Artes Visuais pela Guignard, especializou-se em desenho na Espanha e, movido por talento, curiosidade e vontade de colocar idéias criativas em prática, marca espaço ainda no campo das gravuras, colagens, produção de imagens digitais e fotografias. Retratista, em seus trabalhos aborda, muitas vezes, questões ligadas à identidade, seja a sua ou a de outras pessoas. Os trabalhos de Vieira já foram expostos internacionalmente, na Inglaterra, Espanha, Canadá e Taiwan. Artista premiado em 11 salões de arte, entre suas exposições destacam-se ainda O Objeto do Desejo (2002) e No Jardim (2006), ambas na capital mineira. Atualmente, além de A Cidade Anacrônica, ele finaliza o projeto Meu Terno Verde: uma reunião de fotografias de pessoas usando uma mesma roupa sua, em mesmo cenário, iluminação e posição. Mais uma de suas brincadeiras artísticas, em divertida tentativa de neutralizar a identidade alheia. Para conhecer mais sobre o artista, acesse: www.luizhenriquevieira.com.

 
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