Um dos fatos mais marcantes dos desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro foi quando Joãosinho Trinta, ainda carnavalesco da Grande Rio, inovou ao apresentar o homem voador. O americano vestido de astronauta, atravessou a Marquês de Sapucaí em 2001, com o JetPack, aparelho a jato criado pela Nasa.
O dispositivo, dotado de um foguete propulsor, fez o homem voar sobre a avenida e o público, despertando o entusiasmo, o sonho e o imaginário da plateia. Apesar de ser algo até hoje extraordinário, esta tecnologia, desenvolvida inicialmente com fins militares, já existe desde a década de 1960. No entanto, devido ao altíssimo barulho emitido e à sua baixa autonomia de voo, as pretensões militares foram colocadas em segundo plano e deram lugar aos aluguéis dos equipamentos para eventos comemorativos.
Desta forma, o homem voador esteve presente na abertura dos jogos olímpicos de 1984, no último show da turnê Dangerous, de Michael Jackson, e na cerimônia de aniversário do rei da Tailândia. Como existem poucos equipamentos e pelo fato de serem difíceis e perigosos de controlar, os foguetes humanos são pilotados apenas por profissionais treinados e têm um elevado custo de locação (a escola de samba Grande Rio pagou 250 mil reais para a apresentação única no desfile).
Foi para democratizar este antigo sonho da humanidade e permitir que cada vez mais pessoas tenham acesso aos céus, que a empresa Jetlev Sports, (Flórida, EUA), criou o Jetlev-flyer.
O equipamento que se assemelha a uma mochila é extremamente seguro, estável e fácil de utilizar. Através da pressão de jatos, a versão aquática do JetPack impulsiona e mantém a pessoa elevada à mais de 8 metros da superfície. A velocidade máxima atingida é superior a 30 km/h e a sua autonomia chega a duas horas de voo. O fabricante afirma que é muito fácil operar o equipamento e que em apenas seis minutos a pessoa já tem condições de decolar, voar e pousar. Para aqueles com maior dificuldade de aprendizado existe um controle remoto que fica nas mãos do instrutor, o que impede manobras arriscadas do estreante.
Raymond Li, canadense de origem chinesa, concebeu o projeto do Jetlev no ano de 2000. Desde 2003 ele e sua equipe vinham trabalhando a ideia até conseguirem a aprovação dos órgãos de controle para a produção em série do equipamento em 2008.
Em janeiro de 2009 o Jetlev-Flyer estreou para o grande público na feira náutica de Dusseldorf, na Alemanha, e desde então seu sucesso vem se espalhando rapidamente pelo mundo (apenas 12 dias após o seu lançamento havia mais de 2,5 milhões de buscas no Google pela palavra Jetlev). O primeiro modelo voltado para o público está em fase final de testes e terá duas versões do equipamento, uma com 155 HP e outra com 215 HP. Nesta última, ainda não liberada, o foguete atingirá uma velocidade estimada de 64 km/h. A preocupação com a segurança esteve presente em todos os detalhes, desde o material utilizado até a postura de pilotagem, afinal, uma queda na velocidade de 64km/h a uma altura de 8 metros não deve ser tão agradável, mesmo que seja sobre a água!
O fabricante promete o lançamento para breve, o que significa que em pouco tempo teremos asas para planar livremente sobre os mares, rios e lagos, concretizando (mesmo que em parte) o nosso antigo e sempre almejado sonho de voar.