É comum pensar que alcançar o sucesso, seja ele profissional, afetivo ou de qualquer outra ordem, represente para todos nós, ter encontrado a fonte da felicidade e da realização. No entanto é mais comum do que se pensa o fracasso aparecer justamente quando uma realização é alcançada. Provavelmente, já nos deparamos com situações em que pessoas de sucesso profissional cometem determinados atos, que levam suas carreiras ao fundo do poço. Pessoas que escolhem relacionamentos com as mesmas características destrutivas de relacionamentos passados. Outras que se deprimem nos dias que antecedem a viagem desejada. O casal que se separa, quando a construção da casa dos sonhos finalmente termina.
Cada pessoa, cada situação tem sua singularidade, mas fracassar exatamente quando algo é conquistado, nos faz pensar. O medo de ser bem-sucedido, não diz respeito à falta de capacidade ou incompetência de quem padece desse mal.
Pelo contrário, na sua grande maioria, são pessoas muito inteligentes, geralmente talentosas, mas que se organizam de tal maneira que fracassam quando poderiam usufruir de seus próprios méritos.
Freud descrevia essas pessoas como aquelas a quem o sucesso destrói. Para o pai da psicanálise, ao realizar algo importante, essas pessoas teriam, inconscientemente, medo de humilhar seus pais.
Pessoas que conviveram com pais que mantiveram uma relação infeliz, ou que passaram dificuldades financeiras, ou que foram muito criticadas, desencorajadas, pouco ou nada reconhecidas pelos pais, são as que mais sofrem por poderem e diferenciar deles.
Os conflitos em sustentar uma maneira melhor de viver, uma realização, não no sentido ideal, mas no sentido daquilo que se consegue pôr em prática, costumam coincidir com aspectos de infelicidade ou de fracasso da vida de seus pais.
Nesses casos, ser bem-sucedido pode implicar sentimento de culpa, de não merecimento. E gerar, inconscientemente, medo de ser punido, castigado, rejeitado.
Todo sucesso tem preço, mas no caso da neurose de fracasso esse preço constitui-se num desafio maior de ser pago, pois está diretamente ligado a autoestima do indivíduo.
Enquanto o sucesso ficar em nível de uma promessa, de um vir a ser, o medo, a culpa e o autoboicote não se manifestam. Mas se há possibilidade de tornar-se realidade, é aí que a questão aparece.
Sucessos e fracassos fazem parte da vida. É importante re-conhecer quando fracassos são expressões de um impedimento autoimposto. De uma tentativa de crucificação, que além de não favorecer nenhuma reparação, ainda faz da vida uma estagnação.
Desautorizar o sofrimento e se autorizar numa posição em que melhorar a própria vida signifique romper com a comodidade da dor conhecida, descobrir outras maneiras de ser, é um desafio pelo qual vale a pena pagar o preço. Se melhorar melhora.