O que Rodrigo Aquino tem a dizer? Bem, segundo ele, muita coisa. No show que fará para 700 pessoas no próximo dia 2, no Teatro Sesiminas, o cantor e compositor de 26 anos apresenta canções de autoria própria e do cancioneiro popular brasileiro. No repertório, apenas músicas que, com o perdão do trocadilho, têm algo a dizer. “Minha música não é necessariamente política, mas sempre procuro dar o meu recado.” O CD O Que Você Tem a Dizer, lançado em dezembro de 2008, comprova essa preocupação. A faixa-título, por exemplo, é um protesto contra o famoso jeitinho brasileiro, esperteza que Rodrigo acredita não ser virtude, mas sim defeito. A faixa Janete, por sua vez, ironiza o mundo das celebridades, especialmente aquelas que, por coincidência, não têm nada a dizer.
Se é fácil identificar o tom ideológico do repertório de Rodrigo, não se pode dizer o mesmo do estilo musical em si. No CD de apenas sete faixas, todas de sua autoria, o cantor mostra o quanto pode ser eclético: mistura samba de raiz, samba-rock, reggae, rock, blues e até xote. “Tenho dificuldades de me encaixar em um estilo só. Mas a base seria a MPB com a célula do samba.” Túlio Mourão, diretor musical do show no Sesiminas, classificou Rodrigo de “cronista do cotidiano”. Segundo ele, a unidade do cantor não vem do estilo musical, mas da especificidade do discurso. São as letras, mais uma vez, impondo-se como o diferencial. A propósito, ele tem mais de cem músicas compostas, 40 delas já arranjadas.
Natural de Brasília (DF), Rodrigo se mudou para Belo Horizonte aos 5 anos. Fez suas primeiras composições com 9. “Desde criança, tinha muita facilidade para inventar frases e encaixá-las em uma melodia”, relembra. Na época de ensino médio e faculdade, foi vocalista da banda de pagode Elite do Samba e, mais tarde, da Fino Trato, de samba de raiz. Enquanto isso, estudou violão popular, piano e técnica vocal.
Formado em Direito, em 2007, Rodrigo decidiu não exercer a profissão e se dedicar integralmente à musica, que até então havia sido um hobby. Desde então, sua carreira vem sendo dirigida por Nestor Sant’anna, supervisionada pela professora de canto Babaya. Mesmo enxuta, a produção do CD durou praticamente todo o ano de 2008. O lançamento ocorreu em dezembro, no Teatro Dom Silvério (Chevrollet Hall).
Há quem diga que Rodrigo herdou a veia artística do pai, o jornalista Deusdedith Aquino, que foi ator na juventude. Suas principais referências musicais vão de Chico Buarque (por influência da mãe), Beatles (por influência do pai), Cazuza e Renato Russo. Na lista, entra também o britânico Andrew Lloyd Webber, autor do musical O Fantasma da Ópera. Para o show, no Sesiminas, Rodrigo promete apresentar surpresas, canções que não estão no CD. Quem estiver lá irá conferir de perto o que mais esse mineiro tem a dizer.