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MúsicaHoras com FresnoReportagem da Viver Brasil embarcou na van da banda gaúcha para saber mais sobre estes quatro músicos que multiplicam fãs Brasil afora
Texto: Raquel Ayres | Fotos: Victor Schwaner
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Uma van entra no posto. Aaaaaaahhhhh!!!! Elas gritam, berram, choram e correm. Tumulto. Os seguranças têm dificuldades em conter quase 300 pessoas por trás das cordas. Alarme falso. De repente, o veículo azul plotado com o rosto dos garotos chega. Eles já saem entoando. Duas músicas. O vocalista, Lucas, se aproxima das fãs,cumprimenta, tira fotos. “Tudo bem com vocês? Este é o posto mais barulhento que a gente já foi.” Parece simpático e esta impressão se confirma quando entramos na van para acompanhá-los até a próxima parada e de lá para o hotel. Gaúchos, eles têm menos de 30 anos e em julho ganharam o prêmio Multishow de melhor grupo. “Ser da Fresno é andar com os melhores amigos, viajar pelo Brasil. É a realização de um sonho completo”, admite Rodrigo Tavares. Chama atenção como ele e o vocalista, os mais falantes, articulam bem o pensamento e mostram maturidade. Não sei se medem palavras para falar com a imprensa, mas fato é que brincam com moderação. Rodrigo Ruschell, que gosta de livros de autoajuda e no momento sua leitura é 7 hábitos das pessoas altamente eficazes, está com a cabeça encostada no vidro lateral; parece estar cochilando. Certo ar blasé faz parte, mas não chega a incomodar. Principalmente não posam que sentem tédio do mundo. Pelo contrário, demonstram, durante a entrevista, que estão no melhor dos mundos. |
Vão tocando violão. Kiss, Queen, Chico Buarque, Caetano Veloso e música nativista – até aqui eu não sabia o que era. Vivendo e aprendendo – estão entre as preferências dos músicos. Não fazem restrições quanto a serem fotografados, não ajeitam o cabelo nem as roupas. Menos ainda negam respostas. Inclusive admitem: podem sim ficar com as fãs. “Ser fã não impede de ficar. Mas também não é algo que obrigatoriamente aproxima. Depende de como a pessoa é”, argumenta Gustavo Mantovani, estatístico de formação. “Sempre levo o violão pra qualquer lugar. Casa de amigos, toco nas festinhas. Fico mal sem ele”, comenta Rodrigo Tavares. Mais uma vez o rapaz é bem sincero: está muito feliz, todos estão. Acha chato ter agenda, mas adora fazer shows. O sucesso leva a reflexões. “Será que o músico tem tanto poder? Há seis anos estava em Porto Alegre e não era nem tão bonito assim. O assédio é forte e vem de todo lado. É preciso saber trabalhar isto.” Lucas fala que, quando moleque, fazia uma música por dia e “achava que estava abafando. Hoje, se no início vejo que não presta, largo e já parto pra outras.” Nada de compor no estilo banquinho, violão, papel, caneta. É no bloco de notas, em frente à tela do computador. “Fiquei quase amigo do Samuel Rosa. Sempre fui fã do Skank, mas um dia nos encontramos e derramei vodca nele. Molhou até a cueca. Até hoje tenho vergonha me quando encontro com ele”, conta Rodrigo Tavares. Mais uma parada no posto da rua Rio de Janeiro, no bairro de Lourdes. A cena de choro, gritaria e pulmões a pleno vapor se repete. De novo, os músicos da Fresno estão no melhor dos mundos. É tudo o que sempre sonharam. Confira os bastidores desta matéria, aqui. |