Nesta primavera-verão, o convite pede trajes verdes, azuis, de tons suaves como coral, neutros como beges, do nude ao cáqui e, claro, o branco, ícone de toda temporada. Mas, como a estação e o próprio tempo são de liberdade, as sugestões de cores são apenas tendências. As estampas, imprescindíveis para levantar o visual, comparadas a outros verões estão mais calmas, suaves. “Exploram temáticas universais, ligadas sobretudo à natureza, como cenários aquáticos ou que remetem à África. As estampas de bichos estão renovadas. Ganharam versões coloridas. Listras e a proposta navy também estão fortes. Há ainda espaço para as florais”, exemplifica a estilista Ana Paola Murta Martins.
Dois estilos se sobressaem na multidão de inspirações. Dos anos 50, a moda adotou a cintura marcada e o tomara-que-caia. Dos anos 80, apropriou-se da assimetria, dos ombros em evidência – com formato maior em cima e afunilado embaixo – e dos tons neons. De forma geral, os comprimentos tendem a estar mais curtos, acima da altura do joelho. Mas, nem por isso, os longos foram renegados. Têm lugar cativo no guarda-roupa feminino. Calças, shorts e bermudas contam com modelagem confortável, mais solta ao corpo, tipo boyfriend, com gavião mais baixo, e os macacões seguem o padrão saruel. Kaftas, saias-lápis de cós alto e as práticas batas ainda se incluem na lista das peças mais requisitadas. Vestidos são elementos-chave e visitam vários formatos. A forma ovo, mais ajustada na base, é seguida nos vestidos e saias, em estilo mais moderno. Em menor proporção, os balonês continuam com projeção, embora mais secos e próximos ao corpo.
Como elementos de construção da roupa, os drapeados estão entre os componentes da linha de frente. Explorados em tecidos com caimento e movimento, a exemplo do jérsei de rayon, aparecem em golas soltas, na vertical ou horizontal. Babados e jabours, nas barras ou atravessados pelo corpo, emprestam um quê de romantismo, enquanto pregas, dobras e vaivéns brincam com as formas na tentativa de buscar diferenciação. Para atender ao frescor pertinente à estação, os algodões lideram a demanda de produção. Na sequência, cetim, do liso ao amassado, seda pura, viscose estampada, tecidos tecnológicos, malha flamê, que substitui a viscolycra, mescla de algodão com seda, malha de linho. Padronagens e tecidos da camisaria masculina são revisitados nas peças femininas em vestidos, camisões e saias.
Para jogar com as roupas, megabijus à vista. Até parece que brincos, anéis e colares querem marcar território. Na composição com o vestuário, não exibem só tamanho. Têm estilo, brilho, design. “Bijuterias e comportamento andam juntos. Elas pontuam a personalidade de cada um. É como se a partir delas, a pessoa quisesse mostrar como é, ter destaque, diferencial”, diz a designer de bijuterias Mary Figueiredo.
O banho de ouro é o tom da vez. Lançado em verões de edições passadas, é nesta temporada que, de fato, está sendo aceito. A ordem, segundo a designer, é ousar, não se prender a composições rígidas. “A moda hoje permite democracia total de estilo. Cada um deve se apropriar do seu. Ninguém quer ser igual.” Desde que harmônicas, sobreposições de vários colares de materiais, tamanhos e estilos diferentes são bem-vindas.
Além dos metais – o tom prata ainda é preferido por muitas –, materiais como madeira, palha de seda pura, plástico, tecidos e couros são usados nas criações que cada vez mais se apropriam da técnica joalheira: acabamentos, cravações das pedras. Nos braços, além das generosas pulseiras, braceletes de toda sorte: de elos de corrente, inteiriços e com revestimentos diversificados. A linha de peças de devoção, há anos em alta, permanece. Mais uma vez, o comportamento humano conduz tendências do mercado. Desta vez, além do visual, busca-se proteção a toda prova.