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Meio AmbienteAntes pasto, agora mata atlânticaFotógrafo Sebastião Salgado comemora, ao lado da esposa Lélia Wanick, o sucesso do projeto ambiental desenvolvido em sua propriedade no leste de Minas. No local, 1,5 milhão de mudas já foram plantadas
Texto: Nayara Menezes | Fotos: Nélio Rodrigues
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“Um dia estava no IEF e meu telefone tocou. Era o Sebastião dizendo que queria minha ajuda para recuperar uma área devastada. Na época eu nem sabia quem era o famoso fotógrafo Sebastião Salgado”, recorda-se o professor Célio Valle, diretor de biodiversidade do Instituto Estadual de Florestas. O ambientalista sobrevoou a região com o casal. Sugeriu que transformassem o local em uma Reserva Particular do Patrimônio Natural. Os dois encararam o desafio. Fizeram então a primeira RPPN em cima de uma área degradada. O início não foi nada fácil. “Não tínhamos conhecimento técnico. Apanhamos e aprendemos na marra”, recorda-se Lélia. Na primeira plantação, houve perda de 60% das mudas. Foi preciso experimentar até acertar. Hoje Lélia se emociona ao ver as antigas mudas transformadas em árvores. “Estamos satisfeitos com os resultados alcançados, mas ainda há muito o que fazer. O trabalho aqui vai ser eterno”, avalia Lélia. O programa, que teve parceria de grandes empresas como a Natura e a Vale, lançado no início deste mês, é prova dessa continuidade. O objetivo é preparar todos os professores do ensino básico, para transmitir a educação ambiental às crianças. “Nossa vontade é nos próximos 25 anos atingir toda a bacia do Rio Doce, composta de 250 municípios, levando a uma transformação total de comportamento ambiental para as gerações futuras”, idealiza Salgado. Em relação à conscientização e educação ambiental do Brasil, o casal, que mora em Paris, acredita que as coisas estão melhorando por aqui. “Vejo que existe uma preocupação dos brasileiros com o futuro. As pessoas começam a se questionar se vamos ter água, eletricidade suficiente no país. Espero que essa preocupação se transforme em pressão sobre o setor público e em ações coletivas e individuais também”, opina Salgado. “Enquanto não tivermos um cotidiano consciente, as coisas dificilmente mudarão. Mas na Europa também não está muito diferente. A consciência ambiental precisa evoluir muito em todo o mundo”, completa Lélia. A preocupação ambiental e o trabalho desenvolvido no Instituto Terra foram a inspiração para o mais novo projeto de Sebastião Salgado, o Gênesis. Diferentemente da maioria dos trabalhos do fotógrafo, que evidenciam dramas e tragédias humanas, dessa vez é a natureza que está sendo clicada. Ele e a esposa Lélia estão percorrendo o planeta em busca de áreas ainda intocadas pelo homem. “Em outros momentos, temas como a exploração do trabalho, a fome e a miséria me sensibilizaram. Neste momento, minha maior preocupação é com o mundo em que vivemos”, enfatiza Salgado. |
Instituto Terra- É uma organização não governamental fundada por Sebastião Salgado e Deluiz Wanick. Atualmente, ela é a presidente e ele o vice Fonte: www.institutoterra.org |
Projeto Terrinhas- Criado em 2005, o programa forma monitores ambientais mirins. A primeira turma formada (350 alunos) hoje constitui um grupo de meninos e meninas, com idades entre 8 e 14 anos, preparados para agir em defesa do meio ambiente e da mata atlântica - Os alunos escolhidos para se tornarem os monitores ambientais mirins são denominados de Terrinhas e recebem informação para atuar nos projetos pedagógicos de educação ambiental desenvolvidos nas escolas - O projeto já atingiu mais de 3,2 mil alunos da rede de ensino pública e particular de Aimorés, somando mais de 12,8 mil pessoas da comunidade local como beneficiários indiretos. O Projeto Terrinhas já foi selecionado por duas vezes pela Unesco como modelo de educação ambiental Para conferir os bastidores desta matéria, clique aqui. |