Videogame já não é mais sinônimo de sedentarismo. Afinal ser um jogador ativo não implica passar o dia sentado exercitando apenas os dedos e deixando o corpo cada vez mais parecido com sofá. É possível interagir todo o esqueleto. As novas tecnologias permitem aparelhos e uma infinidade de acessórios para suar a camisa na frente da TV. No Nintendo Wii, o mais interativo deles, os movimentos são captados por sensores e transformados em ação no game. Nele, é possível praticar exercícios físicos como alongamento, aeróbica, musculação e até esportes. Mas será que a malhação digital é recomendada como exercício físico? Para esclarecer a questão a Viver Brasil convidou o profissional de educação física Daniel Peroni e a escrevente Ilana Barroso que há 25 anos faz exercícios físicos pelo menos cinco vezes por semana para testarem o produto.
Segundo Peroni, o videogame pode funcionar como estímulo para a pessoa iniciar a vida na academia. “Ele pode ser utilizado por pessoas de todas as idades como complemento do exercício físico. Não o substitui.” Os exercícios que trabalham a coordenação motora são os mais interessantes para o personal trainer. “Quando criança trabalhamos muito o equilíbrio. Quando crescemos, deixamos as brincadeiras de lado. Hoje, quando um idoso vai para a sala de musculação, as primeiras atividades são para melhorar o equilíbrio” afirma. Mas ele alerta para o risco da prática de exercício físico regular sem orientação: o grande perigo do jogo é que você define a ordem e os exercícios que fará e isso pode lesionar um músculo. Apesar de ter avaliação, ela não é fidedigna para saber se você realmente pode passar para uma nova fase. O Fit, avaliado pelos convidados, tem fases e os iniciantes estão liberados apenas para os mais básicos.
Ilana Barroso não se deu bem com o videogame. “Senti falta dos pulos na aula de step, fiquei confusa e não consegui acompanhar as marcas de pés na tela. A velocidade também é muito lenta em todos os jogos que testei. Não troco o Daniel por ele”, brinca a escrevente, que diz amar o ambiente de academia, a interatividade, o estilo de vida. Videogame vai continuar como brincadeira para curtir ao lado do filho.