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EducaçãoAo mestre, sem carinhoHouve aquele tempo em que os professores eram tratados com respeito e devoção. Hoje são alvos de xingamentos e até de agressões físicas
Texto: Silvânia Arriel | Fotos: Pedro Vilela e Robson Regato
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Logo num mundo em evolução constante, em que os professores, com salários baixos, têm de se desdobrar em muitas aulas e não sobra tempo para a busca de qualificação, de se inteirar nesta época de revolução digital para a transmissão de ensino. Perdeu seu valor. “O professor quer se sentir útil, fazer a diferença. Quando não obtém isto, se sente culpado”, afirma Jussara Paschoalino, que fez pesquisa de mestrado na UFMG sobre o mal-estar dos docentes. Não consegue motivar os alunos nas salas de aula, ser reconhecido, legitimado e aí aparecem as agressões verbais ou físicas. “A escola é um reflexo da sociedade; se essa tornou-se mais violenta, então as relações no interior também a acompanham. Somos um décimo da população mundial e temos cerca de um terço dos crimes de morte do planeta”, diz Sonia Penin, professora da USP e autora do livro Profissão Docente: Pontos e Contrapontos. Incorporam o que vivem fora, direta ou indiretamente. Piora com os pais que, quando não estão ausentes, cobram da escola educação, o que deveriam fazer, ser os responsáveis por impor limites, repassar valores. “As instituições de ensino se preocupam hoje em instruir, não educar, o que é diferente. Por outro lado, a família está muito permissiva”, avalia a professora aposentada Maria José Caldas. Não aceita o seu papel, repassa-o para a escola. “A sociedade quebra a vida de crianças e adolescentes e depois quer que a escola cole os cacos”, afirma o educador Miguel Arroyo. Ele não vê falta de qualificação do professor e avalia que as tensões são normais na família e na escola. “A paz só existe no cemitério, não é pedagógica. O que temos de fazer é entender a infância, a adolescência.” O consenso é de que as agressões necessitam de válvula de escape e que a sociedade precisa participar para reverter essa situação de convívio penoso. “É importante a permanência do professor por mais tempo numa escola específica, participando da vida da comunidade local e trazendo-a para a escola”, diz Sonia Penin. Os especialistas apontam o dedo da culpa para todos: sociedade, governos, professores, pais e alunos. Quem deveria se entender e harmonizar a convivência dentro das salas de aula, tirar das delegacias os boletins, transferir a atenção para os de notas e avançar o país na busca pelo conhecimento. |
Alunos x estudantesO que detona o relacionamento conturbado - Democratização das escolas na década de 80, que ampliou a diferenciação socioeconômico-cultural, aumentou a demanda por professores e desvalorizou a profissão - Eles não conseguem ter a mesma qualificação de antes, não se alinharam aos novos tempos tecnológicos - A violência na sociedade se reflete na escola - Resultado: aumento das agressões aos docentes. Pesquisa do Sindicato dos Professores de Minas (Sinpro) mostra que 41% da categoria já foram agredidos ou ameaçados por alunos pelo menos uma vez - Estudo da Unesco, feito em 14 capitais brasileiras, constatou que 47% dos professores foram xingados e 11% agredidos em sala de aula Fonte: Sinpro, educadores Sonia Penin, Jussara Pachoalino e Cláudio Saiani |