Festas remetem à diversão, boa música, comida gostosa e papo agradável. Ah! Não podem faltar a tradicional cervejinha, uísque, vodka, champanhe e inúmeros drinques alcoólicos para deixar o ambiente ainda mais descontraído, certo? Nem sempre. Pelo menos em determinadas comemorações, principalmente nas festas de 15 anos, têm ganhado cada vez mais espaço os coquetéis sem álcool.
A estudante Júlia Pereira, que completou 15 anos no primeiro semestre deste ano, garante que a bebida alcoólica não fez falta em seu momento mágico, realizado no Buffet Catharina. Os pais, conservadores, preferiram evitar os aborrecimentos do excesso de bebedeira e optaram por festa regada a água de coco, drinques não alcoólicos de diversos sabores, refrigerantes, sucos e sorvetes variados. Somente aos adultos foram servidas bebidas com álcool. “A maioria das pessoas jovens estranhou. Mas, como eu já estive em outras festas sem bebida, vi que dava para ser legal assim”, conta a estudante. “A festa é para os adolescentes se divertirem, e eles não têm necessariamente que beber. Queríamos motivar o não-consumo de álcool”, acrescenta a mãe, Maria Imaculada Pereira, aliviada pelo sucesso da comemoração, sem quaisquer incidentes.
A estudante Júlia Benzaquen também comemorou seu aniversário de 15 anos longe das bebidas alcoólicas. A noite do debut, ocorrida em um salão particular, foi repleta de drinques coloridos, sem álcool. Nem mesmo aos maiores de idade foi servida bebida de teor alcoólico. Feliz pelo sucesso da noite, ela diz que chegou a ser cumprimentada pela iniciativa da festa 100% sem álcool, tanto pelo DJ quanto por convidados e pessoas do bufê. “Dá perfeitamente para se divertir sem bebidas alcoólicas. Já fui em muitas festas assim, que não deixaram de ser ótimas”, afirma.
O bartender Alberto Martins, com 28 anos de experiência no mercado da coquetelaria em Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, confirma o crescimento da demanda por bebidas não alcoólicas nos eventos dos quais participa, que não se limitam a celebrações de debutantes. Ele calcula crescimento de cerca de 30% desde que passou a vigorar a Lei Seca. O barman Guilherme Cotosck, dono da Brothers Churrascos e Eventos, empresa que atua no ramo8 há seis anos, acredita que o aumento da procura por bebidas não alcoólicas vai além da legislação. Segundo ele, normalmente, a maioria das pessoas que as procuram de fato não podem beber, tomam algum remédio, fazem tratamento ou nunca tiveram tal hábito. Porém, o que principalmente motiva esta mudança de comportamento é a busca por novos prazeres. “A ideia é vender o sabor para as pessoas, uma coisa que elas não conhecem, seja a mistura de uma fruta com outra, de suco com suco ou combinações de sorvetes que podem se transformar em coquetéis”, diz o empresário. Além disso, Cotosck explica que a variação de sucos é boa opção para se fugir da tradicional dupla refrigerante e água, ampliando o leque de possibilidades de uma festa.
O barman Felipe Oliveira também percebeu aumento na procura por bebidas não alcoólicas, em 15%. Ele, que presta serviços em festas de 15 anos, casamentos e formaturas, credita o acréscimo não só à Lei Seca, mas à presença de pessoas mais velhas e até crianças, nos eventos. Uma de suas iniciativas foi testar drinques batidos com sorvetes, que ele garante que tiveram grande saída. O álcool, ele substitui por água gasosa ou refrigerantes de baixa caloria saborizados. “Há também preocupação de se ter um diferencial: decoração com frutas, gelo seco, chapeuzinhos ou sombrinhas”, diz.
A empresária Fabiana Brito percebe o aumento na procura por coquetéis sem álcool principalmente nas festas de 15 anos. Ela conta que, para driblar a carência da bebida, valoriza o aspecto estético e utiliza frutas naturais. “O gosto da fruta fica bem evidente, juntamos sabor e beleza”, diz. Em alguns eventos, segundo ela, o barman Tony Harion, que trabalha com a empresária, chega até mesmo a lançar mão de alguns macetes, evitando as altas dosagens alcoólicas. “Normalmente ele coloca a vodka só no canudinho e, a pessoa, quando bebe, tem a impressão de que o coquetel possui muito álcool. Já quando alguém pede um mojito, ele compensa na hortelã e gelo e coloca um pouquinho de vodka na beira, por cima, além de água tônica. Ao beber, a pessoa sente o cheiro e tem a impressão de que está com muita bebida”, revela Fabiana.
A diretora comercial do Buffet Catharina, Virgínia Matos, explica que, nos últimos cinco anos, a empresa tem adotado nova postura para diminuir a ingestão de bebidas alcoólicas, em especial entre os jovens. Costumeiro é, nas festas de debutantes, que a garotada beba demais, convertendo o resultado em pais decepcionados com a bebedeira dos filhos, pimpolhos envergonhados e noites abaladas. Para o bem-estar geral, o critério adotado pelo bufê foi a apresentação, nestes eventos, da carteira de identidade. Aos maiores de 18 anos é liberada uma pulseirinha, permitindo-os ingerir álcool. Aos jovens abaixo desta idade, resta deliciarem-se com os coquetéis não alcoólicos, água, refrigerantes, sucos ou água de coco. “No começo foi uma luta, pois as aniversariantes reclamavam, diziam que os colegas iriam rir na escola. Alguns pais chegavam até a pedir que fosse feita vista grossa. Mas, hoje, tudo funciona bem melhor. Descobriu-se que é possível a diversão sem bebidas alcoólicas”, conta.