Terça, 22 de Maio de 2012
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Artes Plásticas

Texto: Ana Clara Furtado | Fotos: Victor Schwaner e Arquivo Pessoal


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Foi durante um dia de sol na varanda de casa, enquanto lia Guimarães Rosa e lidava com problemas de saúde, que o artista plástico Fernando Fiuza ganhou inspiração abundante para dar asas a uma de suas obras mais emocionantes, Paisagem Imaginária. A leitura caminhava tranquila até que ele, um dos mais prestigiados desenhistas mineiros, fora surpreendido por enorme sombra que cobria o livro em suas mãos. Tratava-se de um belo gavião Carcará. Após pousar no galho de árvore em frente ao artista, parecia observá-lo. O momento, relembra Fiuza, deu-lhe uma “energia maluca”, logo transformada em pinceladas fortes de tons azulados e acinzentados. Convergindo em um resultado pictórico que muito o agradou, a pintura nublada, pouco atenta a detalhes, mas também longe de tornar-se pura abstração, destaca-se entre as muitas outras paisagens já produzidas pelo artista multifacetado, explorador curioso de diferentes suportes e possibilidades artísticas. Tanto que paralelamente à obra, inspirado por toda atmosfera que presenciara ali, tão de pertinho, Fiuza decompôs em palavras a emoção que sentira pela pintura originada de forma tão especial, criando uma poesia para acompanhá-la. Paisagem Imaginária integrou sua mais recente exposição, realizada em Belo Horizonte, no ano passado. Atualmente, integra o acervo pessoal de um colecionador.

O artista

Entre as memórias e pertences de Fiuza estão aquarelas que ele pintou aos 4, 5 anos de idade. Criativo desde pequenino, inspirado talvez por tias que desenhavam e aquarelavam, nutriu o gosto pela arte em seus mais variados ramos, curiosamente sem possuir formação na área. Contou sim com a ajuda de um orientador, aos 15 anos, criando o desenho a giz de cera Batalha Naval – uma minuciosa obra que demonstrava claramente a aptidão que possuía –, além de boa dose de prática e observação ao longo do tempo. Exímio desenhista, Fiuza vê em seu maior talento o ponto de partida para os diversos setores artísticos, pois crê que o dom de desenhar instiga elementares percepções de espaço e olhar. Fez seu primeiro trabalho profissional em 1971, inaugurou ateliê próprio seis anos depois e, em cerca de 40 anos de carreira, destaca-se ainda como fotógrafo – tendo produzido mais de 160 capas de CD –, cenógrafo e ilustrador. Tamanho talento e dedicação são inspiradores até mesmo para outros artistas. Atualmente, em homenagem ao amigo Fiuza, o cartunista mineiro Duke finaliza documentário sobre o ousado criador e sua trajetória incansável entre os caminhos da arte, telas, papéis, lápis, pincéis, músicas, livros e fotografias.

 
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