Terça, 22 de Maio de 2012
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Márcia Queirós

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 | Por: Renato Cobucci
Renato Cobucci

Quase Hollywood

Biribiri, vilarejo a 12 km de Diamantina, volta a ser cenário natural de filmes. O primeiro foi Xica da Silva (1976), de Cacá Diegues; depois vieram A Dança dos Bonecos (1986), de Helvécio Ratton; Vida de Menina (2003), de Helena Solberg e, agora, Matraga, a Hora e Vez (nome provisório), longa de estreia na carreira do diretor carioca Vinícius Coimbra, ainda sem data de lançamento. Os diamantinenses brincam que a cidade é a Biriwood do sertão, numa versão caipira da Bollywood indiana. Orçado em 4,5 milhões de reais, o filme é inspirado no conto A Hora e Vez de Augusto Matraga, que encerra o livro Sagarana
 

Atores de peso

Vinícius Coimbra convidou nomes de peso para os personagens principais e funções técnicas em Matraga: o premiado ator baiano João Miguel (foto), incensado em 2008 pelo trabalho cômico em Estômago, para viver Matraga, e José Wilker, para interpretar o matador de aluguel Joãozinho Bem-Bem. João Miguel ainda faz a proeza de dispensar dublês nas cenas de montaria e de luta. “Fiz até aula de tiro com espingarda. Quis interpretar tudo, pois o Matraga passa por uma fase muito cega, sombria. A atriz Vanessa Gerbelli (ex-mulher de Coimbra) faz a mulher de Matraga, Dionora.
 
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Wilker

Com mais de 60 filmes no currículo, o ator José Wilker diz que entrar no universo roseano é um luxo. “É um texto rico, denso, que ao mesmo tempo é tão fácil, tão simples, tão interessante. O Rosa nos ensina a reaprender a sentir os cheiros, a dar valor ao que vem do interior.”
 

Férias

Assim que terminar as filmagens, Wilker anuncia que se dará férias. “Faz três anos que venho emendando um trabalho no outro. Meu projeto é não fazer nada. Nem sei quando volto. Só voltarei quando tiver grana para tocar um projeto antigo. Darei uma pausa para descansar. Vou para Nova Iorque.” Seu tempo sabático servirá, também, para ele encontrar energias para a próxima demanda. Cinéfilo, aos 64 anos Wilker planeja estrear na direção de longas. “Vou estender a história do personagem Giovanni Improta (da novela Senhora do Destino, 2004), um trabalho que farei em conjunto com o Cacá Diegues. (Quem não se lembra do bordão felomenal?)
 
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Prosa roseana

Embora jovem, o diretor Vinícius Coimbra, 38 anos, já acumula 12 trabalhos, entre TV (dirigiu a minissérie JK, em 2006, e  co-dirigiu Queridos Amigos) e filmes (foi assistente de Walter Salles em Central do Brasil). Sobre o próximo trabalho ele afirma que fará da história, originalmente ambientada nos anos 1930, um western contemporâneo. “Sou apaixonado por Guimarães Rosa. Procuro nesse filme ampliar a figura do homem sertanejo”, diz. Tamanha exigência transformou esteticamente o vilarejo de Biribiri. Das alvas fachadas caiadas, com seus marcos e janelas em azul-anil, tudo perdeu a cor, foi repintado para simular o desgaste do tempo, no tom barreado, com o aval do Iepha, já que o vilarejo é patrimônio tombado. Os postes de iluminação, em cimento, que antes poluíam visualmente a paisagem, foram eliminados para sempre: a fiação agora é toda subterrânea. A quadra na praça do vilarejo foi soterrada com tonelada de terra, e ali instaurado um rancho de tropeiros, com direito a árvores secas espalhadas pela área.
 
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Arte inspira arte

Belo Horizonte ganha nova joalheria em outubro. Depois de desenvolver criações para marcas como Manoel Bernardes e H.Stern, a designer de joias Melissa Maia, que segue carreira solo há três anos, abre loja em Lourdes. Para conceber a última coleção, inspirou-se nos trabalhos da artista plástica Olímpia Couto, conhecida pelas telas que remetem à natureza. “É impressionante como os nossos trabalhos batem”, diz Melissa, que se especializou em Florença, na Itália, e cresceu respirando arte. Ela é filha de Cristina Maia, que foi marchand e dona de galeria. A mesma sintonia tem Olímpia: “Sinto os trabalhos da Melissa no meu”, que comemora também o sucesso de sua arte no cenário da novela Caminho das Índias, da Rede Globo.
 
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Poesia urbana

Personagens queridos na paisagem urbana, cada vez mais afetada pela poluição, os pássaros foram clicados pelo fotógrafo e jornalista mineiro Marcelo Prates. A foto integra o livro Pássaros da Liberdade, que será lançado no dia 28 de setembro por Marcelo. Além das mais de 300 imagens de pássaros flagrados em Belo Horizonte, ao longo de 12 anos, a obra traz textos poéticos dos jornalistas Nilseu Martins e Roberto Mendonça.
 
 | Por: Marcos Rosa
Marcos Rosa

Cheio de mimos

Depois de viver 19 anos nos Estados Unidos, onde atuou como diretora do The Plaza Hotel, em Nova Iorque, e vice-presidente do New York Convention & Visitors Bureau, Celyta Jackson traz sua experiência ao Brasil. Ela assumiu em agosto a direção do luxuoso WTC Design Hotel, do Sheraton São Paulo WTC, que tem 67 suítes projetadas por arquitetos e decoradores renomados. Lá será inaugurada, em outubro, a casa noturna Club A, do jornalista Amaury Jr. Assim que chegou, Celyta imprimiu sua marca. “Estou repaginando o cardápio e criando ambiente cheio de mimos. Temos espaço e comidinha para animais de estimação”, avisa Celyta, que traz na bagagem de Nova Iorque os pets Nick e Nora.
 
 | Por: Rosa Marcondes
Rosa Marcondes

Palco interativo

Muita gente vai a show e retorna frustrada por não conseguir visualizar os cantores. Com a dupla Zezé Di Camargo e Luciano não é bem assim. Os dois inauguraram no aniversário de Zezé, no Villa Country, em São Paulo, palco com novo formato. Funciona assim: o palco é central e baixo. Os instrumentistas ficam no centro, numa espécie de ilha, enquanto os cantores circulam em volta por todos os pontos. “Assim o público tem visão inusitada e os artistas, contato único com a plateia”, destaca Emmanoel Camargo, empresário de Zezé, que, por sinal, adorou a ideia. “Depois de subir num palco como este, saí revitalizado”, diz. O sucesso da apresentação chamou a atenção de contratantes de outros estados e já existem convites para que a dupla leve para algumas capitais o formato. Quem sabe Belo Horizonte será a primeira cidade a receber o show interativo?
 
 | Por: Alexandre C. Mota
Alexandre C. Mota

Família de artistas

Mais um integrante da família Andrés desponta no cenário cultural. Neto da consagrada artista plástica Maria Helena Andrés, Alexandre Andrés, 19 anos, vem sendo considerado uma das revelações da música. Cantor, compositor, arranjador e instrumentista, ele faz turnê até outubro pelo interior de Minas apresentando show de lançamento de seu disco de estreia, Agualuz. Sangue artístico nas veias, ele tem de sobra. É filho dos músicos Artur Andrés, do Uakti, e Regina  Amaral.
 
 | Por: Divulgação
Divulgação

Túnel do Tempo - O pai do axé

Ele diz sem modéstia ser o criador do movimento do axé-music. Aos 46 anos, o músico Luiz Caldas, que na década de 1980 colocou o ritmo baiano na  mídia nacional com hits como Fricote e Haja Amor, está com suingue todo. E mais: super­antenado com as novas tecnologias. Morando em Salvador, ele acaba de lançar box décuplo com 130 canções inéditas. “Está tudo no meu site www.luizcaldas.com.br. Lá você encontra um supermercado de músicas com trecho de cada canção. A que lhe agradar você coloca no carrinho, pagando com cartão, pague seguro e boleto bancário”, diz o artista, que lançou recentemente, também, o CD Melosofia. A obra, escrita em parceria com o escritor e compositor César Rasec, faz homenagem a 10 filósofos. Perguntado sobre o que acha da música baiana atual, ele afirma ser menos original. “Antes não usava quase nada do pop e muito do afro, hoje é basicamente um pop com percussão, mas o bom é que tudo isso faz parte da festa”, diz o bom baiano, que confessa não ter saudades dos tempos de fama. “Continuo vivendo (muito bem por sinal) de música. Comecei a tocar profissionalmente aos 7 anos de idade e por aí dá para ver que a minha história é com música e não com meros 15 minutos de fama.”
 
 | Por: Divulgação
Divulgação

Casa revitalizada

O processo de revitalização do Grogotó Hotel, em Barbacena, na Zona da Mata, ganha fôlego. Há um ano, o trabalho foi intensificado com a chegada do gerente-geral Edson Puiatti e da gerente de hospedagem Samantha Gomes (na foto, com o vice-governador Antonio Augusto Anastasia). Fundado há 40 anos, o Grogotó é referência no país com o seu Centro de Formação Profissional do Senac. Na escola de hotelaria e cozinha, já estudaram grandes nomes do setor, entre eles Edson Puiatti. Samantha atua há 10 anos no Senac. Antes de ir para Barbacena, comandou o restaurante-escola em Belo Horizonte.
 
 | Por: Victor Schwaner
Victor Schwaner

Voz que encanta

Considerada a maior intérprete do compositor Heitor Villa-Lobos, a cantora lírica mineira Maria Lúcia Go­doy chega aos 85 anos esbanjando vitalidade. Em agosto, ela encantou a plateia no Itaú Cultural, em São Paulo, onde apresentou repertório do último CD gravado com o maestro e pianista Túlio Mourão, cujo repertório é calcado nas músicas do compositor alagoano Haeckel Tavares. Em entrevista à Viver Brasil, ela fala da paixão pelo cantar e dos projetos futuros.

Quando despertou para o canto?
Minha família fazia serestas. Os vizinhos se ajuntavam e pediam que cantasse. Mudamos para o Rio devido ao trabalho do meu pai e para que eu estudasse canto. Lá estudei com Pasquale Gambardella e, posteriormente, obtive bolsa de estudos para aperfeiçoamento com Margarete von Winterfeld na Alemanha. Tudo aconteceu naturalmente. Não escolhi a música, me escolheram.
 
Que balanço faz de sua carreira?
Estou bem feliz, não posso me queixar, bons ventos sopraram. Pude gravar 16 CDs e cantei em quase todo o mundo, nos melhores teatros. Só não fiz apresentações na Austrália.

Você escreveu livros também?
Comecei menina fazendo poemas infantis, todos ecológicos, que viraram livros. Sou ecologista nata. Depois escrevi 11 anos em jornal.

Deseja gravar algum compositor que não tenha passado pelo seu repertório?
Tom Jobim. Ele compôs Sabiá dedicada a mim. Escreveu no meu disco: “Maria Lúcia, eu te amo. Nós vamos fazer um disco juntos”, mas pouco tempo depois faleceu. Quero muito gravar também Dorival Caymmi, porque a primeira música que cantei na rádio Guarani, em Belo Horizonte, foi O Mar. Fui aplaudida de pé. Queriam me carregar, mas sumi pela porta de trás e só voltei um mês depois para receber o prêmio. Sou envergonhadinha.

Você teve um convívio especial com ex-presidente JK.
JK adorava serestas e eu era a cantora predileta dele. Cantei na inauguração de Brasília. Era sedutor, simpático. Uma semana antes de morrer, telefonou-me da fazenda. Disse-me: “Maria Lúcia, aqui tá uma lua linda, tô com saudades da sua voz, venha cantar.” Não pude porque tinha concerto em São Paulo. Aí, quando ele morreu, eu fui para Brasília, onde cantei É a Ti Flor do Céu. A igreja debulhou em lágrimas. Esta homenagem, pude fazer.

Qual o seu compositor predileto?
Villa Lobos. Apesar de ser sua maior intérprete, estive com ele só uma vez, quando mocinha. Cantava na escola, ele elogiou a minha voz e prometeu compor música pra mim. Anos depois, a esposa dele soube e disse que ele havia composto para mim as Bachianas Brasileiras número 5. Não foi para mim, mas porque é minha bandeira em todos os lugares que canto.

Qual o segredo de tanta vitalidade?
Faço o que eu gosto: cantar. Minha vida é abençoada por Deus.

E os projetos futuros?
Apresentamos ao Instituto Itaú Cultural projeto para resgate de toda a minha obra. A diretora do instituto, Milú Villela, ficou encantada com meu trabalho. Estão estudando a possibilidade de que sejam resgatados todos os meus discos, concertos, além de re-editados meus poemas.

 
 
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