Terça, 22 de Maio de 2012
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Artigo

O Impacto do Altamente Improvável

Basta de tapar os olhos ao que se chama de aleatório, pois o que você não sabe pode ser mais relevante do que aquilo que sabe. Ou seja: excesso de informação também pode ser prejudicial ao processo decisório

Texto: Wagner Gomes
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Wagner Gomes - Administrador de empresas

O professor libanês Nassim Nicholas Taleb, autor do livro Cisne Negro: o Impacto do Altamente Improvável, prognosticou que o futuro será cada vez menos previsível, apesar de nosso progresso e de nosso conhecimento. O livro – cujo título relembra o longínquo ano de 1697, quando se descobriu, na Austrália, um cisne negro, espécime até então desconhecida da humanidade – derruba conceitos de risco, controle e previsibilidade. Ao se enveredar por esse caminho, lembra casos imprevisíveis de sucesso, como os do Google, ou, ainda, quando ao abordar ganhos de capital em bolsas de valores, demonstra que 63% dos retornos nos últimos 50 anos estão concentrados em apenas 10 dias. Com tal raciocínio, faz metáfora de seu cisne negro, para caracterizar um evento com três características: ele tem que ser de grande impacto, altamente inesperado (Outlier) e, uma vez ocorrido, encontram-se nele explicações lógicas que o fazem parecer menos aleatório e com previsibilidade retrospectiva, nunca prospectiva. Nessa linha de raciocínio, encontra fundamentos que justificariam previsibilidade para as duas Guerras Mundiais, para o surgimento da internet (inicialmente ferramenta de comunicação militar, que, hoje, popularizada, transforma o mundo com uma rapidez avassaladora) e tantos outros episódios, como o 11 de Setembro e o Tsunami, por exemplo. Realça que as grandes descobertas da humanidade surgiram de acidentes de percurso, quando cientistas, procurando descobrir alguns caminhos, encontram finalidades diferentes para os objetos de suas pesquisas. O laser, destinado a ser um tipo de radar, hoje tem múltiplo uso, que varia de uma simples cirurgia nos olhos a um eventual tratamento de câncer. Daí vaticinar que ninguém poderá saber quando um cisne negro irá ocorrer, mas uma vez ocorrido pode vir a permitir uma melhor avaliação de riscos em cenários de estresse, a partir dos impactos detectados que podem sinalizar eventos improváveis no futuro. Ao discorrer sobre essa lógica, descobre que as pessoas poderão fazer muitas coisas, se souberem o que não fazer. A polêmica criada a partir desse livro, ao demonstrar que existe uma ciência da incerteza, fragiliza as decisões tomadas com base em acontecimentos passados. A não-ocorrência de algo amplamente esperado também é um cisne negro. Fatores como a globalização do mercado, rapidez na mudança de comportamentos e a queda dos limites tecnológicos, tornam o ambiente empresarial incerto e dependente de cisnes negros. Enfim, basta de tapar os olhos ao que se chama de aleatório, pois o que você não sabe pode ser mais relevante do que aquilo que sabe. Ou seja: excesso de informação também pode ser prejudicial ao processo decisório. Brincando de cisne negro prospectivo e retrospectivo: o PIB brasileiro sobe 2% este ano e Aécio Neves será o próximo presidente do Brasil; Fernando Gabeira, Christovam Buarque, Heloísa Helena e Marina Silva não mais apoiam Lula, enquanto Quércia, Sarney, Collor e Renan Calheiros, hoje, integram sua base de apoio.

 
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