A sucessão foi antecipada pelo presidente Lula ao lançar sua ministra Dilma Rousseff como candidata do PT ao Palácio da Alvorada. Lula lançou Dilma como líder do lulismo já que o petismo, mesmo que intramuros, até hoje não digeriu bem a escolha de Dilma, que nunca passou pelo teste da urna e sequer é petista histórica. Mas Lula, a princípio, iria bancar Dilma até o fim, mas o surgimento do câncer, que pode até estar curado, é hoje uma sombra que ainda ronda a ministra. Basta dizer que depois da absolvição do ex-ministro e deputado Antonio Palocci, passou a falar no nome dele como plano B do lulismo para a Presidência. Como o jogo começa de fato em março, o presidente avança no que pode e com seu prestígio nos píncaros, faz campanha a cada dia. Agora, recentemente, fez um ato no Palácio do Planalto – o pré-sal – que mobilizou mais de 3 mil pessoas com Dilma sendo a atriz principal na grande manhã.
A entrada da senadora Marina Silva, que trocou o PT pelo PV, altera menos o quadro sucessório do que tem sido comentado até aqui. Ela pode tirar votos de Dilma ou Palocci ou mesmo do candidato do PSDB, o governador Aécio Neves. Mas não na proporção que foi alardeada. E a eleição continuará sendo plebiscitária. Neste aspecto é que o governador de São Paulo, José Serra, cuja antipatia é sempre destacada, na hora certa vai comunicar que para o bem de todos será candidato à re-eleição ao governo de São Paulo. Enquanto isto, Aécio Neves consolida o seu nome como o potencial candidato, em condições de vencer as eleições de 2010 e tornar-se presidente com proposta nova de governo, tendo como referência a sua administração em Minas. Ao ser eleito governador, Aécio anunciou que faria um choque de gestão e foi o que aconteceu, recuperando as finanças estaduais e implementando um arrojado plano de obras.
Com certeza, o que Aécio fez poderia ter sido feito por outro governante, mas nenhum teve a vontade política do neto de Tancredo Neves. É só dar uma volta pelo estado para ver como estão as estradas estaduais, em ótimo estado de conservação, ao contrário das federais, que estão péssimas. Aécio anunciou a construção da Cidade Administrativa, jogando o desenvolvimento para a região norte, e em dezembro inaugura, como prometeu, o novo prédio de onde vai despachar. Até maio do ano que vem toda a obra estará pronta. Outra importante ação do governador, em Belo Horizonte, é a conclusão da duplicação da avenida Antônio Carlos, construída por outro estadista quando governou Minas, o saudoso JK. Tantas administrações passaram e ninguém quis ou ousou resolver o problema. Tudo isso credencia Aécio a ser candidato à Presidência, com todos os requisitos para chegar onde seu avô chegou, mas, infelizmente para o país, sem conseguir assumir.
Daqui para frente o nome de Aécio crescerá nas pesquisas e a tão anunciada prévia, que nunca acreditei, não vai acontecer. Cabeças coroadas do PSDB já concluíram que o governador de Minas é o candidato que poderá se tornar o sucessor de Lula. Aliás, uma revelação feita é que Lula veria com bons olhos o mineiro na Presidência da República.