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ComportamentoDias de FúriaNesta vida estressante, levada pela maioria das pessoas, os acessos de raiva são comuns. O importante é que cada um crie sua válvula de escape
Texto: Nayara Menezes | Fotos: Arte: Paulo Werner e Pedro Vilela
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Segundo a psicóloga e professora da Fundação Dom Cabral, Kedma Mano Nascimento, é cada dia mais comum pessoas, em especial, empresários e profissionais que ocupam cargos de chefia passarem por esse processo de revisão em suas vidas, após serem vítimas do estresse e da ira descomunal. “Chega um momento em que é preciso fazer escolhas. Não dá para abraçar o mundo sempre.” Mas ela ressalta que é preciso ter coragem de dizer sim e não a despeito do que as pessoas irão pensar. Kedma, que presta serviço de coaching a empresários, diz que já viu muitos abrirem mão de cargos e salários em troca de uma vida mais simples, porém, mais feliz. Esse foi o caso do advogado Ademir de Souza Lataliza, 56. “Além de trabalhar muitas horas, estou exposto a pressões e ameaças de criminosos”, ressalta. O estresse se manifestou não em acessos de raiva, mas como uma angina instável. Por sorte, ele foi socorrido a tempo e passou por cirurgia cardíaca. A síndrome do pânico foi outra consequência. “Estava ligado no piloto automático. O corpo não aguentou”, conta. O advogado teve que se afastar de suas atividades durante seis meses. Hoje, após retomá-las, ele tenta quebrar a rotina em pequenas atitudes. “Voltei a fazer trilha de moto e sempre tento dar uma escapada até o sítio para recarregar as energias.” Estas escapulidas são fundamentais. Até porque, de acordo com o médico Vladmir Bernik, o acúmulo de estresse e situações de raiva são capazes de provocar infarto e até a morte. “A raiva estimula o lançamento da adrenalina na circulação, que é vasoconstrictora, age sobre as coronárias e levam à isquemia e ao infarto”, explica. Quem também sofreu problemas de saúde como consequência de um forte período de estresse foi o psiquiatra Martim Vitová Junqueira. Mesmo sendo profissional da área, ele não conseguiu aplicar os ensinamentos em si próprio. Há um ano, a esposa estava grávida e a mãe adoeceu. Além disso, ele tinha que se dividir entre vários empregos.“É um traço da minha personalidade querer resolver tudo para todos. Com isso, fui absorvendo todos os problemas da família.” Embora ajudasse os outros, o psiquiatra demorou a perceber que também precisava de ajuda. “Tive uma deficiência enorme de plaquetas. O índice normal é de cerca de 150 mil, o meu estava em 4 mil”, conta. O diagnóstico foi de púrpura. Apesar de ainda não muito bem explicada pela ciência, já se sabe que é o estresse um dos principais fatores que causam a doença sanguínea. Após o sinal aceso, o psiquiatra passou por tratamento psicológico e farmacológico, tirou férias e realizou mudanças. Hábitos já perdidos no tempo como a corrida e a natação foram recuperados. Além disso, a preocupação com horários foi deixada de lado.“A doença sempre vem como mensagem na vida. Não somos super-homens, temos que respeitar os limites do nosso corpo.” |
10 dicas para lidar com a Raiva1 Reconheça que está com raiva 2 Aprenda a perceber os eventos desencadeadores da raiva em você 3 Entenda que algo só se torna um evento desencadeador (uma provocação) pela interpretação que você dá a ele 4 As reações físicas da raiva têm o poder de aumentá-la 5 Sempre tente quebrar o processo de reação da raiva na sua fase inicial, verificando se o seu modo de avaliar a situação pode ser mudado. Para tal mude o seu diálogo interno, o modo como fala consigo mesmo 6 Quando perceber que a raiva está caminhando para as reações físicas, que o coração já começou a bater rápido, que corpo e mente estão ficando tensos, e está desenvolvendo sensação de sufoco, tente relaxar 7 Ao mesmo tempo que vai dialogando consigo mesmo, respire profundamente pelo nariz e expire devagar pela boca 8 Diga a si mesmo frases como: “ Vou deixar para reagir amanhã, quando puder avaliar a situação sem raiva”; “Estou aborrecido, mas não é o fim do mundo”; “Posso controlar minhas emoções” 10 Quando já estiver em controle da sua raiva, tente resolver a situação que o fez ficar tão aborrecido
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Danos da raivaExistem pessoas que sentem raiva com muita facilidade, que estão sempre sob o domínio deste sentimento. Suas ações, muitas vezes, fogem do seu controle. As consequências são graves para a saúde, como hipertensão, úlceras, depressão, obesidade, perda de emprego, abuso físico ou psicológico de familiares e amigos. O resultado inevitável é uma autoestima prejudicada, relações interpessoais tumultuadas e um alto nível de estresse emocional. Fonte: Marilda Lipp, psicóloga e autora do livro Stress e o Turbilhão da Raiva Estresse - No dicionário Aurélio diz que o estresse é “o conjunto de reações do organismo a agressões de ordem física, psíquica, infecciosa, e outras capazes de perturbar o equilíbrio interno” - O médico canadense Hans Selye, criador da moderna conceituação de estresse diz que “o estresse é o resultado de o homem criar uma civilização que ele mesmo não mais consegue suportar” - Não se sabe exatamente a incidência no Brasil, mas nos Estados Unidos gastam-se de 50 a 75 bilhões de dólares por ano em despesas diretas e indiretas Fonte: Vladimir Bernik, médico psiquiatra, coordenador da Clínica de Estresse de S. Paulo |