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Qualidade de VidaSem medo de envelhecerAlgumas dicas de como atingir a feliz idade sem se atormentar por receios, como o de se tornar dependente de outra pessoa
Texto: Elisângela Orlando | Fotos: Pedro Vilela, Daniel de Cerqueira e Arquivo pessoal
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Para o fisioterapeuta e mestre em gerontologia Pedro Paulo Monteiro, por trás do medo de envelhecer está o medo de não ter condições de viver plenamente. Autor dos livros Envelhecer: Histórias, Encontros e Transformações e Envelhecer ou Morrer, Eis a Questão, ele afirma que, infelizmente, ainda existe a ideia de que somos máquinas e, portanto, enferrujamos com o passar do tempo. “Não há como nos enganar, envelhecer é viver. Envelhecemos em tempo integral, não há como parar o fluxo do rio da vida, a não ser pela morte.” Na opinião de Monteiro, o medo de envelhecer não está restrito ao mundo ocidental. Ele frisa que vivemos num mundo globalizado e que mesmo na cultura oriental a velhice é uma preocupação. Como exemplo, ele cita um pequeno centro budista de Kijidenji, na província de Nara no Japão, conhecido como o templo da morte súbita. “Diversas pessoas vão até lá rezar para que tenham morte rápida e em paz. O medo dos japoneses mais velhos é também a dependência. Eles não querem ser um fardo para seus filhos.” O medo do desconhecido está intrinsecamente ligado ao da morte, o que explica, em parte, o receio que a maioria das pessoas tem em envelhecer. É o que afirma a psicanalista Vanessa Torres de Oliveira. “O envelhecimento, dentro de um processo natural que sucede a maturidade, em todos os seres vivos conduz ao inorgânico, isto é, à morte e é disso que todos têm medo”, salienta. Segundo ela, na tentativa de driblar este inevitável destino, as pessoas recorrem cada vez mais aos procedimentos estéticos que vão mudar a aparência, sem, entretanto, produzir um efeito de adiamento do processo. |
E assumir a idade é correr o risco de ser rejeitado, acrescenta Pedro Paulo Monteiro. “A maturidade é alcançada por quem assume a própria história de vida, sendo ela mesma”, diz. É o caso da dona de casa Jandira Nair de Carvalho, 97 anos “muito bem vividos”, segundo ela. Ainda hoje, ela afirma que adora ir ao salão de beleza e diz que sempre foi vaidosa. Em razão disso, sempre entra em atrito com a filha, Aparecida, de 75 anos, com quem mora. “Ela não me puxou”, brinca. Jandira assegura que nunca sentiu o peso da idade e revela seu segredo para envelhecer de forma saudável e feliz. “Beber leite da roça, pescar, ler muito e conviver em sociedade”, diverte-se a nonagenária. Envelhecer bem e sem se render aos estereótipos das novelas também é uma preocupação do universo masculino. Que o diga o empresário Manoel Alberto Teixeira dos Santos, 62. Depois de viver anos a fio de forma sedentária, aos 50 anos ele decidiu que era hora de mudar. Começou a fazer caminhada e a praticar natação por conta própria. Há três anos, porém, começou a frequentar academia. “Faço coisas que amigos da minha idade não fazem. Por exemplo, gosto muito de viajar e, para isso, é preciso ter disposição para subir escadas, andar em aeroportos. A pessoa só consegue fazer isso se estiver bem condicionada”, diz. Manoel Alberto também é enfático ao dizer que nunca teve medo de envelhecer, principalmente depois que começou a cuidar melhor da saúde e a praticar atividade física. “Ao contrário, percebo que estou melhorando a cada dia. A minha ideia é substituir o medicamento pelo investimento na mensalidade da academia.” Manoel, Jóia e Jandira são apenas alguns exemplos de que é possível encarar a velhice sem medo. Cada um encontrou a sua receita para envelhecer bem e feliz. Uma dica para enfrentar essa fase da vida com naturalidade e não se tornar mais uma vítima da mídia é se tornar um bom observador de si mesmo, como ensina o mestre em gerontologia Pedro Paulo Monteiro. “Precisamos entender que somos seres únicos em nosso tempo vivido. E se temos uma história de vida, temos também um significado. Isso não pode ser descartado. A saída para não nos rendermos aos estereótipos criados pela mídia é uma porta que só abre para dentro.” |