Segunda, 21 de Maio de 2012
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Voos mais altos

Helibras, empresa líder no Brasil na fabricação de helicópteros, espera elevar o país a uma posição de destaque mundial no setor até 2012

Texto: Eliana Fonseca | Fotos: Divulgação


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É na cidade de Itajubá, no Sul de Minas Gerais, que a Helibras, empresa controlada pelo Grupo Eurocopter e fabricante de helicópteros espera, nos próximos três anos, dar uma guinada no setor e elevar o Brasil a uma posição de destaque no cenário mundial. Tudo isso graças ao projeto EC 725 para a entrega de 50 helicópteros para as Forças Armadas Brasileiras. O que, a princípio, pode soar apenas como mais uma encomenda para a fabricante de aeronaves significará uma reação em cadeia para o mercado. O processo de ampliação da capacidade produtiva e a transferência de tecnologia para a fabricação desses helicópteros resultarão numa maior nacionalização dos produtos. Será a chance também de a empresa, que no ano passado teve faturamento de 112,1 milhões de dólares, aumentar o leque de sua produção. “Trata-se do maior contrato de helicópteros já assinado na América Latina. Para a produção dessas aeronaves, haverá um amplo e contínuo processo de transferência de tecnologia entre a França e o Brasil”, avisa o vice-presidente e diretor de operações da Helibras, Luiz Eduardo Mauad.

Além deste projeto, as perspectivas para 2009 são altamente positivas. A empresa, que já entregou em 31 anos de trajetória mais de 500 aeronaves e tem cerca de 200 clientes em 19 estados do país, não sentiu os efeitos da crise econômica sobre a demanda do setor executivo por helicópteros. “Não houve nenhum cancelamento de pedido. Hoje temos 46 pedidos em carteira, ou seja, uma produção assegurada por um período importante”, reflete o vice-presidente.

Segundo Mauad, o novo contrato resultará na duplicação da capacidade de produção da fábrica e do número de colaboradores. O quadro, que atualmente está em 300 profissionais passará a 600 em três anos. É uma estratégia que antecipa as futuras demandas do mercado resultantes do Projeto EC 725 e também do mercado de exportação e de petróleo e gás. Tudo porque a empresa também fabricará o EC 225, versão civil do EC 725 para atender, principalmente, o transporte da Petrobras para as suas plataformas e também para as novas jazidas do pré-sal. Outro produto desse projeto é um simulador de voo do helicóptero EC 725/225, que será sediado no Rio de Janeiro. O simulador recria a cabine de pilotagem e as missões das aeronaves e entrará em operação até o final de 2010.


Luiz Eduardo Mauad: crise econômica não afetou a demanda
Luiz Eduardo Mauad: crise econômica não afetou a demanda

Com o projeto EC 725, Mauad afirma que a empresa está plantando o embrião para que o Brasil possa, um dia, projetar e construir seus próprios helicópteros. Tudo porque, segundo ele, um dos maiores desafios do mercado brasileiro é encontrar fornecedores de peças e assim produzir uma aeronave 100% brasileira. Diferentemente do que ocorre no mercado de aviação de asa fixa, o vice-presidente da Helibras afirma que na fabricação de helicópteros, não são produzidas centenas de unidades por ano e não há uma linha de produção padrão, que monta unidades idênticas. “Os volumes são menores e cada aeronave é produzida para atender a uma necessidade específica”, explica.

Com uma participação superior a 53% na frota brasileira de helicópteros a turbina, a Helibras responde por 81% no setor de segurança pública e defesa civil, no mercado executivo é responsável por 46% da produção e no segmento militar brasileiro tem participação de 66%. Mauad afirma que, para cada um desses segmentos, há uma peculiaridade e ciclo de crescimento. Enquanto o helicóptero tem se tornado ferramenta importante para a segurança pública e defesa civil, no mercado executivo a demanda é por modelos de menor porte (2 toneladas) que comportam cerca de 5 passageiros, até para aeronaves de médio porte – com capacidade para mais de 18 pessoas. “Já o mercado offshore, de plataformas de petróleo, tem se mostrado bastante promissor. Com as descobertas das reservas do pré-sal serão necessários mais helicópteros para fazer o transporte dos novos trabalhadores. E será preciso uma eficiente estrutura de manutenção de toda essa frota”, aposta o vice-presidente.


 
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