É na cidade de Itajubá, no Sul de Minas Gerais, que a Helibras, empresa controlada pelo Grupo Eurocopter e fabricante de helicópteros espera, nos próximos três anos, dar uma guinada no setor e elevar o Brasil a uma posição de destaque no cenário mundial. Tudo isso graças ao projeto EC 725 para a entrega de 50 helicópteros para as Forças Armadas Brasileiras. O que, a princípio, pode soar apenas como mais uma encomenda para a fabricante de aeronaves significará uma reação em cadeia para o mercado. O processo de ampliação da capacidade produtiva e a transferência de tecnologia para a fabricação desses helicópteros resultarão numa maior nacionalização dos produtos. Será a chance também de a empresa, que no ano passado teve faturamento de 112,1 milhões de dólares, aumentar o leque de sua produção. “Trata-se do maior contrato de helicópteros já assinado na América Latina. Para a produção dessas aeronaves, haverá um amplo e contínuo processo de transferência de tecnologia entre a França e o Brasil”, avisa o vice-presidente e diretor de operações da Helibras, Luiz Eduardo Mauad.
Além deste projeto, as perspectivas para 2009 são altamente positivas. A empresa, que já entregou em 31 anos de trajetória mais de 500 aeronaves e tem cerca de 200 clientes em 19 estados do país, não sentiu os efeitos da crise econômica sobre a demanda do setor executivo por helicópteros. “Não houve nenhum cancelamento de pedido. Hoje temos 46 pedidos em carteira, ou seja, uma produção assegurada por um período importante”, reflete o vice-presidente.
Segundo Mauad, o novo contrato resultará na duplicação da capacidade de produção da fábrica e do número de colaboradores. O quadro, que atualmente está em 300 profissionais passará a 600 em três anos. É uma estratégia que antecipa as futuras demandas do mercado resultantes do Projeto EC 725 e também do mercado de exportação e de petróleo e gás. Tudo porque a empresa também fabricará o EC 225, versão civil do EC 725 para atender, principalmente, o transporte da Petrobras para as suas plataformas e também para as novas jazidas do pré-sal. Outro produto desse projeto é um simulador de voo do helicóptero EC 725/225, que será sediado no Rio de Janeiro. O simulador recria a cabine de pilotagem e as missões das aeronaves e entrará em operação até o final de 2010.