Segunda, 21 de Maio de 2012
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Gastronomia

Delícia de viagem

Roteiros enogastronômicos internacionais acompanhados por renomados chefs: ótima pedida

Texto: Luciana Avelino | Fotos: Divulgação, Inês Rabelo, Pedro Vilela e Alexandre C. Mota


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Mariella Miranda em vinhedo de Bordeaux: “Viagens com chefs é demanda crescente”

Já pensou em viajar para destinos dos seus sonhos enogastronômicos, com reservas feitas em restaurantes es­trelados, visitas agendadas a vinícolas reconhecidas mundialmente, não se preocupar com a escolha do menu e ter ao lado a figura constante de um especialista da boa mesa? Facilidades como essas têm incentivado de forma crescente o público gourmet brasileiro a voar para fora do país em grupos fechados acompanhados de chefs de cozinha.

Em Belo Horizonte, há 10 anos, Massimo Bataglini, chef e proprietário da L´Osteria Matiazzi, nascido em Veneza e de família do sul da Itália, organiza de uma a duas viagens por ano para sua terra natal. Em função de seus contatos pessoais, mescla passeios comerciais, vinícolas cotadas e restaurantes do guia Michelin a programas mais informais e atraentes, em charmosas propriedades de amigos. “Cos­tu­ma­mos caçar trufas nas montanhas de Pie­monte, Toscana e Úmbria e fazer colheitas de uvas em Veneto, Toscana e regiões de Champanhe e Lombardia.”


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Roteiro de delícias em Alba, na Itália
Roteiro de delícias em Alba, na Itália

Como normalmente foca o interior, a hospedagem é em hotéis-fazendas, produtores de leite, queijo. O objetivo é descobrir as tradições regionais da culinária, dos vinhos, seja in loco, em áreas de produção, ou ao redor de uma mesa. “Excelente estímulo para fazer amizades”, conta o chef com pelo menos uma dezena de viagens de grupos no currículo. A próxima saída de Massimo está planejada para a segunda quinzena de setembro. O destino é o sul da Itália, em localidades mais desconhecidas do grande público: Calábria e Puglia. “Nessas regiões, a produção de vinhos está crescendo bastante. Além da deliciosa comida mediterrânea, também encontramos muitos produtos que não chegam aqui: queijos de ovelhas, pimentas e embutidos típicos.”

De acordo com Mariella Miranda, proprietária de uma empresa especializada em viagens enogastronômicos internacionais em parceria com chefs e enólogos, a grande demanda deste nicho são apreciadores de gastronomia e vinhos que já viajaram muitas vezes para destinos tradicionais, como Europa e Estados Unidos, e hoje buscam turismo especializado. Na penúltima viagem da agência, para o norte da Espanha, o ecletismo de idade e perfil se repetiu: casais, mulheres e homens solteiros, meio a meio, entre 28 e 70 anos.

Programa diferente: caça às trufas nas montanhas de Piemonte
Programa diferente: caça às trufas nas montanhas de Piemonte
A África do Sul, roteiro executado ano passado que já conta com inúmeros pedidos de bis, vem agradando e surpreendendo. “Ninguém espera que vai encontrar culinária tão requintada e vinhos tão elaborados. Faz parte da explosão do circuito de vinhos do Novo Mundo. Há restaurantes espetaculares, com estrelas Michelin. A grande atração são pratos à base de carnes de caça, como zebra, jacaré, kudu e springbok, espécies típicas.” Além do circuito gastronômico, o tour inclui passeios de balão, safáris e compras do artesanato local. As próximas viagens programadas pela agência são para os Estados Unidos (Oregon e Ca­li­fórnia), em setembro, e Espanha, em maio, a partir da temática vinhos do Caminho de Santiago de Compostela. O preço médio para países europeus, por exemplo, é de 10 mil reais por pessoa.

Em preparativos para a quinta viagem em grupo sob sua tutela, a chef e sócia do bufê Bouquet Garni, Karen Piroli, garante que o aproveitamento e entrosamento da turma, quase sempre alunos de seus cursos de culinária, é total. “Como sei do que gostam e o que não apreciam, não fica difícil acertar.” Para a chef, viajar com hotéis, restaurantes, passeios previamente escolhidos, com transporte na porta dos locais a tempo e a hora, é uma grande tranquilidade. “Mas não tenho aquela rigidez de guia. Há espaços livres também na programação. Senão, vira excursão.”

Entre os circuitos gastronômicos, Karen inclui, inevitavelmente, visitas turísticas. Em uma das viagens para a Itália, o grupo visitou um vulcão na Sicília. Dodora Marciellini, 67, esteve com Karen, no início de setembro, no Peru. Ela revela que as viagens enogastronômicas são muito prazerosas e enriquecedoras. “Fora todo conhecimento e novidades de sabores, acabamos aprendendo muito culturalmente. O gosto e interesse pela gastronomia fica cada vez mais aguçado.”

Pausa para foto em visita ao vinhedo Romanèe, na Borgonha
Pausa para foto em visita ao vinhedo Romanèe, na Borgonha

Para a chef Adelaide Engler, uma das percussoras no Brasil desse tipo de viagem, os preços mais em conta cobrados quando se trata de grupos é uma das grandes vantagens. O fato de conhecer bem alguns países – tanto por já ter morado, como Nova Iorque e Itália, quanto por ter viajado muito, no caso do Chile – facilita a montagem dos roteiros e acesso a nomes e redutos importantes. “Na Itália, levei um grupo para uma aula na escola La Cucina al Focolare, hotel-fazenda medieval de cenário maravilhoso onde estudei. E, em Scarsdale, nos Estados Unidos, o proprietário da maior loja de vinhos do país, a Zachy´s, veio receber pessoalmente meu grupo.”

De acordo com Adelaide, o próprio know how como chef é um atrativo por si só, além da facilidade de comunicação por ser poliglota. “Muitas vezes, quando não se tem conhecimento, as pessoas perdem oportunidade de, por exemplo, experimentar produtos típicos, sazonais da região, ou pedir um prato sensacional por não constar mais no me­nu da casa, e de ir a lugares pitorescos e de excelente qualidade por estarem fora dos guias.” Segundo a chef, os encontros à  mesa são verda­deiras aulas informais. “Explico por­que escolhi aquele prato com determinado vinho, ensino a pronúncia correta, procedência, mas tudo de uma forma informal, sem ser cansativo.” No primeiro semestre do ano que vem, Adelaide viaja com grupo para Provence, na França, em plena primavera. “A receita é imperdível: visual maravilhoso, campos, montanhas lindíssimas, cidades antigas, clima ameno e cozinha leve, saborosa com pratos coloridos.”


 
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