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Sistema CarcerárioComo animaisHá um ano a CPI Carcerária identificou os piores presídios do país. A Viver Brasil foi conferir o que mudou nos três que ocupavam o topo da lista
Texto: Silvânia Arriel | Fotos: Luiz Alves, Daniel de Cerqueira e Divulgação
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Poucos trabalham. Souza afirma que, uma das punições, é não permitir a saída do detento que tem emprego. “Não duvido de que os gestores ainda deixem os presos saírem para roubar.” Continuaria a terra sem lei. A revista tentou conseguir fotógrafo para registrar como está hoje a Colônia Penal, nenhum dos seis contatados quis. Precisariam ter autorização da Secretaria de Estado de Segurança Pública e dos presos, sem isto não poderiam nem fazer foto de fora do presídio. O governo se cala. Bem que a Comissão de Direitos Humanos da OAB-MS quer mudar esta situação. Há projeto para que estudantes de agronomia ajudem os internos no plantio de hortaliças e outros alimentos numa área ociosa de 50 hectares na colônia. Planeja ainda cursos. “Vamos profissionalizar os presidiários para ganhar seu dinheiro e sair das costas da sociedade”, diz Delasnieve Miranda Daspet de Souza, presidente da comissão. Espera o sinal verde do governo e acredita que, se implantado, a situação degradante do segundo colocado na lista da CPI será reposicionada ou sair da lista das 10 piores. Souza não é otimista: vê boa intenção da OAB, mas não do estado. O terceiro da classificação, o 2º Distrito de Contagem, que divide o lugar com as delegacias de Valparaíso, em Goiás, de Nova Iguaçu e Mesquita, no Rio, refez a foto. Lá 125 presos se amontoavam em três celas, faziam revezamento para dormir. Um detento, com o corpo coberto por feridas, dividia o espaço com outros sadios. Lembrava um calabouço, camuflado na praça Louis Ensch, na Cidade Industrial, onde a temperatura ultrapassava a 40 graus, com mau cheiro de urina, restos de comida e suor de homens sem banho por vários dias. Hoje, mudou, até o nome. O Centro de Remanejamento do Sistema Prisional de Contagem, continua na praça, sem superlotação. Ficam no máximo 96 presos, por um mês, quando são transferidos. Lá, a Viver Brasil entrou, percorreu as celas e viu que cada detento tem seu lugar para dormir, há TV, rádio, assistência de advogados, enfermeiros, psicólogos. “O preso, quando chega aqui, recebe um kit, com roupa, toalha de banho, cobertor, colchão, papel higiênico, colher, garfo e copo”, lembra Genilson Zeferino, secretário de Administração Prisional. Ele conversa com os presos, quer saber por que estão lá. São 80 neste dia. Genilson garante que a cadeia não voltará a ser superlotada como antes, não passará da sua capacidade. Desafio a ser vencido nesta crescente população carcerária: em nove anos, aumentou 90%. Era quase 450 mil sentenciados em junho do ano passado, último número do Departamento Penitenciário Nacional (Depen), do Ministério da Justiça. “De 30% a 40% deveriam estar soltos,” afirma o deputado Domingos Dutra. Aí haveria mais lugares, menos gasto. Cada preso custa por mês, em média 1,3 mil reais, economia de 175 milhões, que poderiam ser investidos em trabalho e educação dos detentos. Não permaneceriam ociosos. Serão punidos, recuperados, não vingados. Sobra para os governos, que transformaram o resultado da CPI em pizza: o deputado Dutra vai acionar o Ministério Público para tornar os gestores públicos inelegíveis a qualquer cargo. É esperar para ver o resultado. |
Presídio Central de Porto Alegre (RS)Há um ano Havia superlotação: 4.235 presos espremiam em 1.565 vagas. Roupas, sacos pendurados por todos os lados. Na parte superior do presídio ficava a masmorra. Em buracos de um metro por um e meio, os detentos dormiam em camas de cimento ou em redes entrelaçadas, conviviam com sujeira, paredes quebradas, celas sem portas. Não havia o que fazer, eram ociosos: apenas 100 estudavam e 400 trabalhavam |
Presídio Central de Porto Alegre (RS)Hoje Inchou ainda mais. Há 4.730 pessoas para 1.800 vagas, 2.930 excedentes. São presos provisórios junto com condenados. A grande maioria não trabalha, nem estuda, 10% deles têm o vírus HIV e 5% são tuberculosos. A masmorra foi desativada e construído outro pavilhão dentro da penitenciária, mas as roupas e sacos espalhados pelas janelas continuam a formar uma cena dantesca no bairro Partenon, o mesmo nome do templo grego, construído em Atenas |
Colônia Penal Agrícola, Campo Grande (MS)Há um ano Os 680 presos se alojavam em barracas improvisadas, cobertas com lonas, ou em pocilgas junto com porcos que pertenciam aos agentes penitenciários. O esgoto corria a céu aberto e havia lixo jogado por todos os lados. Nenhum detento estudava, poucos trabalhavam na construção de 3 barracões, não havia assistência médica. A maioria dos presos reclamava de ação violenta de policiais, ameaças, espancamentos. A capacidade era para 80 pessoas |
Colônia Penal Agrícola, Campo Grande (MS)Hoje A infraestrutura melhorou. Foram construídos galpões e recolhidas barracas de lona. Mas denúncias de agressões, punições, maus-tratos, superlotação, comida ruim continuam. Não há política de ressocialização, nem de educação. A OAB do Mato Grosso do Sul planeja fazer trabalho com a ajuda de estudantes de agronomia, que vão orientar os internos no cultivo de hortaliças e outros alimentos na área ociosa de 50 hectares da colônia |
2º Distrito de ContagemHá um ano Faltava espaço para os 125 detentos. Eles se revezavam para dormir nas 3 celas do presídio, com capacidade máxima para 25, não tomavam banho de sol e tinham de fazer suas necessidades fisiológicas na frente dos outros detentos. O mau cheiro de urina, fezes, restos de comida e suor era insuportável num ambiente, onde portadores do vírus da aids, tuberculose e doenças de pele viviam junto com presos sadios. Passavam creolina, usado em bicheira de animais, para curar coceiras |
2º Distrito de ContagemHoje Há vaga para todos: são, em média, 80 e a capacidade é para 96 no renomeado Centro de Remanejamento do Sistema Prisional (Ceresp) de Contagem. Lá, ficam por pouco tempo, cerca de um mês, onde recebem os primeiros atendimentos, verificam se são reincidentes, e depois encaminhados a outras unidades. Cada um tem cama nos beliches distribuídos nas celas, há TV, rádio e banheiro. Tomam banho de sol num espaço pequeno, têm atendimento de advogados, psicólogos e enfermeiros
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Mais Presos2000 232.755 Aumento de 89,2% em 5 anos |
Presídios brasileirosConfira a lista feita pela CPI do Sistema Carcerário no ano passado Os piores Os melhores |