Não é sem razão que o Jazz Festival Brasil edição 2009 tem o músico Benny Goodman, que completaria 100 anos, como homenageado. Além de ser considerado o rei do swing, Goodman, para o produtor do evento, Leonardo Soltz, é um divisor de águas tanto pela representatividade de seu trabalho na história da música como também por ser um redutor das diferenças sociais ao colocar, em sua orquestra, brancos e negros, quebrando paradigmas e preconceitos e mostrando o quanto a música é universal. Pois é com esse espírito de universalidade, que o evento traz a quatro capitais do país, de 20 a 30 de agosto, figuras lendárias como Bob Wilber, o escritor Luis Fernando Veríssimo mostrando sua paixão e trabalho pelo gênero, e músicos da França, África, Suíça e Suécia.
Em Belo Horizonte, as apresentações ocorrem entre os dias 27 e 30 de agosto, com o mesmo objetivo dos eventos de Recife, São Paulo e Rio de Janeiro: a intenção é popularizar o jazz no país, possibilitando a diferentes classes sociais conhecer esse gênero musical. “Quando começamos o festival, conseguíamos levar 260 pessoas ao Palácio das Artes. Era frustrante, mas ao mesmo tempo, desafiador. Hoje, não temos menos que 1,1 mil pessoas por dia, numa plateia diversa. Cerca de 30% do nosso público é formado por jovens de 20 a 30 anos”, comemora o produtor.
Soltz e o saxofonista e clarinetista Nik Payton, que é diretor artístico do evento, são os responsáveis pela sedução deste público, com trabalho que se inicia já no final de cada edição e inclui uma preparação que envolve viagens internacionais, análises do trabalho de vários artistas, escolha dos músicos que virão ao país. “Uma de nossas premissas para popularizar o jazz no Brasil é que os artistas do festival tenham formação técnica muito boa, e também sejam midiáticos.”
Exemplifica com a participação, nesta edição, do escritor Luis Fernando Veríssimo, que desde muito jovem tem uma história muito próxima ao jazz. Sua apresentação é com o Jazz 6. “Ele é muito querido do grande público por causa da literatura e acrescenta, soma muito ao evento”, diz. O restante da lista não faz feio quanto a esses quesitos. Estão entre as atrações, Bob Wilbert, norte-americano de 81 anos, que estará acompanhado da esposa, a cantora Joanne Pug Horton. No repertório, clássicos consagrados por Benny Goodman, com quem já se apresentou.
Há ainda Danny Doriz & The Cave Huchette Quartet; o Swiss Colle Dixie Band, o Gunhild Carling & Band e Gangbé Brass Band. “Estamos construindo, com nossos eventos, um novo começo do jazz para o Brasil. A intenção é provar que a música de qualidade, quando percebida, é consumida sim. As pessoas, porém, têm de ter acesso a ela”, conclui.