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Cidades da Copa 2014Passando a bolaPara sediar os jogos da Copa 2014, a Arena da Baixada, em Curitiba, necessita de investimentos de 130 milhões de reais. “Só temos 30 milhões”, afirma um diretor do Atlético do Paraná. “O problema é deles”, rebate um secretário do Comitê do Mundial
Texto: Eliana Fonseca | Fotos: Pedro Vilela
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“É um estádio ótimo para jogos do Campeonato Estadual, do Campeonato Brasileiro, mas não para Copa do Mundo”, reflete o presidente do Conselho Administrativo. Aponta as pilastras do estádio que geram nada menos que 300 pontos cegos. Elas terão de ir abaixo. As lâmpadas têm 800 watts. A exigência é que tenham 2.000 watts de potência. A sala de imprensa com 120 m² terá de ser ampliada e chegar a 300 m². E por aí vai. A pressão para saber de onde sairá o dinheiro para a Arena – os estádios privados têm de arcar com suas obras – parece não ter atingido os outros órgãos envolvidos na preparação de Curitiba para a Copa 2014. O secretário-executivo do Comitê Executivo Copa 2014, Wilson Portes, órgão ligado à vice-governadoria do estado explica que esse é um problema que a diretoria do Atlético Paranaense terá de equacionar. “É responsabilidade deles. É um assunto que não cabe a nós resolver”, finaliza. |
Prova de que esse problema pode (e deve) ser solucionado bem antes do que se pensa é que ninguém parou seus planejamentos. A prefeitura da cidade enviou, em junho, técnicos do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc) à África do Sul para a Copa das Confederações, uma espécie de prévia da Copa do Mundo. “Com base nessa visita, faremos um ajuste fino para concretizar melhor nossos projetos”, diz a assessora técnica de Assuntos da Copa do Mundo do Ippuc, Susana Lins Affonso da Costa. E não serão poucas as intervenções na cidade. Ainda há titubeio para apontar a porcentagem que caberá aos poderes municipal, estadual e federal no quinhão do Campeonato Mundial que deve chegar a 4,5 bilhões de reais de gastos. As maiores obras estão previstas no PAC da Mobilidade: 15% do projeto do metrô devem ficar prontos e levar um pouco mais da metade desses recursos; o aeroporto Afonso Pena deve ganhar mais 450 m de pista, além da ampliação do terminal de passageiros. Na cidade arborizada há também problema relacionado ao meio ambiente. Entrecortada por rios urbanos, Curitiba tem parte deles canalizados e outros pontos a céu aberto. Seria preciso fazer tratamentos e revitalizações num projeto tão polêmico que já rendeu algumas passeatas pelas ruas da cidade. O ambientalista Paulo Piza explica que essa recuperação é tecnicamente e financeiramente difícil. “Como tratar e revitalizar margens de rios que ficam próximas a prédios? Há também problemas com esgotos clandestinos”, diz, antecipando intervenções que poderiam gerar muita dor de cabeça para os curitibanos. |
Para o secretário de relações públicas e instituições da prefeitura de Curitiba, Luiz Carvalho, a Copa 2014 será a chance de a cidade concretizar alguns projetos antigos e necessários à infraestrutura. Carvalho reconhece que será difícil para a população entender tantos investimentos para um evento considerado 100% business como a Copa 2014. Por isso é tão importante concretizar esse ganho efetivo, através das obras de infraestrutura, para a população. Ele cita o exemplo das obras do metrô, que terão 22 km de extensão e significarão uma mobilidade maior para os moradores. “Nosso desejo é garantir, com a Copa, um legado de interesse local, sem ociosidade futura. Por isso, vários dos projetos que serão executados já estavam previstos”, diz. Há ainda outros problemas que dizem respeito aos costumes do curitibano. Com um inverno que pode trazer temperaturas negativas, é comum uma noite esvaziada, com poucos bares abertos. É exatamente na época do frio que a cidade receberá pelo menos 40% a mais de turistas ávidos por não só ver os jogos, mas também curtir a noite. O secretário Luiz Carvalho minimiza o problema e diz que a cidade já tem casas especializadas para o clima frio, que estarão abertas para os turistas. “Será preciso uma mudança de hábitos”, conclui. Os bastidores desta matéria, você encontra no Blog da Redação. |
Copa em curitiba (*). Confira os pontos positivos e negativos da capital paranaenseDe goleada - Bem planejada, a cidade possui um traçado que facilita em muito a vida do visitante. É quase impossível se perder por suas ruas |
Na retranca - Mesmo estando com 70% adequado, ainda faltam R$ 130 milhões para as obras do Estádio Arena da Baixada, do Atlético Paranaense. O Clube diz que não deve arcar com esses recursos |
A mobilidade urbana é problema em Curitiba, que deverá realizar as seguintes obras: - Primeira linha do metrô de Curitiba – sob a canaleta dos eixos Norte e Sul, ao longo de 22km, será construída a Linha Azul. Nestes eixos, a canaleta dará lugar a um boulevard, transformando-se em espaço de convivência, com calçadas, ciclovias e paisagismo Fontes: Ippuc, Prefeitura de Curitiba, Governo do Estado do Paraná |